Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 392

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros

O mercado de renda fixa apresentou ao longo da semana um movimento consistente de fechamento das taxas futuras, impulsionado sobretudo pelo ambiente internacional, marcado pela redução das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Europa após Donald Trump recuar das ameaças tarifárias e sinalizar um acordo envolvendo a Groenlândia, o que gerou alívio global e favoreceu ativos de mercados emergentes. Após o início da semana mais defensivo, com ajustes técnicos diante do feriado nos EUA e aversão ao risco externa, a curva passou a recuar de forma mais ampla a partir de quarta-feira, acompanhando a forte queda do dólar, o recuo dos Treasuries e a percepção de retomada do apetite por risco. Pesquisas eleitorais no Brasil, embora tenham ajudado marginalmente ao mostrar maior competitividade de Flávio Bolsonaro, tiveram peso menor frente ao vetor externo dominante, enquanto expectativas sobre a Selic permaneceram ancoradas na manutenção em janeiro e possibilidade crescente de corte em março. No acumulado semanal, os vértices intermediários e longos registraram quedas relevantes, refletindo maior influxo de capitais estrangeiros e a leitura de um cenário estruturalmente mais favorável para emergentes.
 

Destaques: Geopolítica, Treasuries, Fluxo Estrangeiro

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou marginalmente suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 7R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -229,7 para -228,9 pontos-base.

Para as próximas 8 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de -235,1 para -239,9 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 12,50%, ante 12,55% na semana anterior.

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 12,15%, equivalente a -275 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 7R/2027, a projeção acumulada considera pontos-base de queda e CDI terminal de 10,40% ao ano.

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 4,02% para 4,00%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção se manteve em 3,80% para 3,80%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 12,25%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 10,50%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 19/01/2026 à 23/01/2026

 

Segunda-feira – 19/01/2025

Em um pregão marcado por volume reduzido devido ao feriado de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos e pela ausência de novos dados relevantes no Brasil, os juros futuros da B3 recuaram, devolvendo parte dos ganhos acumulados nos três pregões anteriores. O movimento foi predominantemente técnico, com realização de lucros após a abertura de cerca de 15 pontos-base nos vencimentos intermediários e longos na semana anterior, impulsionada por dados domésticos mais fortes de atividade. O foco do dia ficou no boletim Focus, que trouxe alívio moderado às expectativas inflacionárias, especialmente para 2026, reforçando percepção de que projeções podem convergir ao horizonte relevante de política monetária. As taxas dos DIs de 2027, 2029 e 2031 recuaram levemente, e o câmbio contribuiu para a descompressão da curva, com queda do dólar diante do real. A baixa liquidez potencializou movimentos pontuais, mas o tom geral foi de correção suave após altas recentes.


Terça-feira – 20/01/2025

Os juros futuros avançaram desde a abertura, acompanhando a aversão global ao risco gerada por tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Europa após Donald Trump reiterar sua intenção de anexar a Groenlândia, o que elevou incertezas militares e comerciais. Sem indicadores locais para balizar o mercado, a curva brasileira seguiu a pressão sobre os Treasuries, cujos rendimentos subiram em meio à busca por proteção, além de refletir o avanço dos yields no Japão diante de preocupações fiscais. Apesar de breve alívio trazido pela reversão do dólar para queda ante o real no início da tarde, o movimento não se sustentou, e a curva terminou o dia mais inclinada, com altas de cerca de 4 pontos-base nos curtos e entre 8 e 10 pontos-base nos vértices intermediários e longos. O ambiente de risco elevado levou o Tesouro Nacional a reduzir a oferta de NTN-Bs, colocando apenas 450 mil papéis, contra volumes mais robustos das semanas anteriores, reforçando o clima de cautela.


Quarta-feira – 21/01/2026

Após o estresse geopolítico da véspera, os juros futuros recuaram em toda a curva, acompanhando a melhora no sentimento global após Donald Trump anunciar que não imporá as tarifas sobre a Europa previstas para fevereiro e declarar que já possui uma estrutura de acordo com a Otan envolvendo a Groenlândia. As falas mais moderadas derrubaram os rendimentos dos Treasuries e levaram o dólar a cair mais de 1% ante o real, o que ampliou o fechamento dos DIs, especialmente a partir do miolo da curva, onde o alívio superou 10 pontos-base. No cenário doméstico, pesquisa eleitoral da AtlasIntel adicionou fator adicional de descompressão, ao mostrar aumento da competitividade de Flávio Bolsonaro contra o presidente Lula em um eventual segundo turno, o que o mercado interpretou como maior probabilidade de uma candidatura alinhada com ajuste fiscal. Assim, os DIs de 2027, 2029 e 2031 devolveram completamente a abertura do dia anterior, encerrando em mínimas do pregão, em linha com o movimento internacional e com a leitura mais favorável do quadro político.


Quinta-feira – 22/01/2026

Os juros futuros estenderam o movimento de queda nesta quinta-feira, apoiados sobretudo pelo ambiente internacional mais favorável após a redução das tensões entre Estados Unidos e Europa no conflito envolvendo a Groenlândia, o que reforçou o apetite por risco em mercados emergentes. Ainda que não tenham surgido novas informações sobre o acordo preliminar mencionado por Donald Trump no dia anterior, o sentimento global seguiu benigno e impulsionou ativos brasileiros, com a curva a termo acompanhando esse viés, embora com menor intensidade do que a bolsa. O recuo dos rendimentos dos Treasuries de 10 e 30 anos após um leilão americano com demanda fraca renovou mínimas dos DIs ao longo da tarde, movimento reforçado por pesquisa eleitoral que mostrou competitividade elevada de Flávio Bolsonaro contra Lula, ainda que o fator predominante permaneça externo. Os vencimentos de 2027, 2029 e 2031 recuaram de forma consistente, enquanto analistas destacaram que o cenário estrutural para emergentes segue positivo diante da combinação de economia global resiliente e expectativa de cortes futuros nos juros americanos. Internamente, a agenda fraca, com arrecadação federal dentro do esperado, não gerou impacto relevante, e o leilão maior de LTNs e NTN-Fs pressionou apenas pontualmente a curva, sendo absorvido rapidamente pelo mercado em um ambiente de maior apetite ao risco.


Sexta-feira – 23/01/2026

Em uma sessão marcada por ajustes mais moderados e pela proximidade da decisão do Copom, os juros futuros exibiram nova rodada de fechamento nos vértices intermediários e longos, enquanto a ponta curta permaneceu praticamente estável devido à expectativa majoritária de manutenção da Selic na reunião da semana seguinte. O alívio nas taxas refletiu, mais uma vez, a percepção de menor risco geopolítico após Donald Trump reduzir o tom sobre a Groenlândia e descartar novas tarifas contra países europeus, favorecendo especialmente os prazos mais longos, que tendem a atrair fluxo estrangeiro. Apesar da estabilidade do dólar e da pouca direção vinda dos Treasuries, que oscilaram próximos à neutralidade, investidores continuaram reduzindo prêmios na parte longa da curva, movimento interpretado como possível aumento da demanda internacional por juros brasileiros. Na semana, os DIs registraram recuos significativos, com quedas de 11 pontos-base no 2027, 17 pontos-base no 2029 e 15 pontos-base no 2031, reforçando o impacto dominante do ambiente externo, enquanto as pesquisas eleitorais, embora favoráveis ao senador Flávio Bolsonaro, foram vistas como fator secundário. Com as apostas para março ganhando peso, aumentou a probabilidade de cortes de 25 ou 50 pontos-base na Selic, ao mesmo tempo em que o mercado se prepara para uma semana carregada de dados domésticos, incluindo IPCA-15, desemprego e criação de vagas formais, além das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

A excelência é uma utopia, sempre há algo a melhorar!

Deixe suas críticas, correções, sugestões, dúvidas e também elogios! 

Faça Contato!

contato@rendafixapratica.com.br

Forte abraço

Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa