Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 396

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros

Ao longo da semana, o mercado de renda fixa brasileiro foi marcado por baixa liquidez, movimentos técnicos e forte influência do cenário externo, com a curva de juros apresentando comportamentos distintos ao longo dos dias, mas encerrando o período em deslocamento líquido para baixo, especialmente nos vértices intermediários. No início da semana, em pregão encurtado pelo feriado, os DIs operaram com pouca volatilidade, sustentados pela expectativa amplamente precificada de corte de 50 pontos-base da Selic, reforçada por revisões marginais baixistas do IPCA no Focus e por um ambiente externo de maior apetite a risco. Na sequência, houve abertura e inclinação da curva, concentrada nos prazos longos, em resposta a fatores domésticos, com destaque para o robusto leilão de prefixados do Tesouro Nacional, que aumentou a oferta de risco soberano e pressionou os juros longos, enquanto a ponta curta permaneceu ancorada na perspectiva de afrouxamento monetário. No fechamento da semana, eventos internacionais dominaram o mercado: a decisão da Suprema Corte dos EUA envolvendo tarifas comerciais e, posteriormente, o anúncio de uma tarifa global abaixo do esperado por parte do governo americano favoreceram ativos de risco, impulsionaram a apreciação do real e provocaram queda expressiva das taxas futuras, reforçando a leitura de juros globais mais baixos e um pano de fundo construtivo para o ciclo de cortes da Selic, mesmo em um ambiente ainda permeado por incertezas fiscais e geopolíticas.

Destaques: Selic, Tesouro Nacional, Cenário Externo

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou marginalmente suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 7R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -260,9 para -267,5 pontos-base.

Para as próximas 8 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de -280 para -289,2 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 12,01%, ante 12,10% na semana anterior. 

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -300 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 7R/2027, a projeção acumulada considera pontos-base de queda e CDI terminal de 10,40% ao ano.

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 3,95% para 3,91%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 3,80% para 3,80%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 caiu de 12,25% para 12,13, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 10,50%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 18/02/2026 à 20/02/2026

 

Quarta, 18/02/2026

O mercado de juros futuros teve um pregão de baixa volatilidade e liquidez reduzida na B3, em função do feriado de Carnaval e da volta parcial das mesas, com as taxas se acomodando em leve queda ao longo do dia. A curva a termo perdeu inclinação, refletindo principalmente o ambiente externo mais favorável ao risco e a consolidação da expectativa de corte de 50 pontos-base da Selic na reunião de março do Copom, amplamente precificada. Mesmo com a valorização do dólar no período da tarde e a alta dos yields dos Treasuries, os DIs mostraram pouca sensibilidade, reforçando a leitura de que fatores domésticos e técnicos prevaleceram. O boletim Focus trouxe revisões marginais para baixo nas projeções de inflação de 2025 e manteve estáveis as expectativas para os anos seguintes e para a Selic no horizonte relevante, sustentando a percepção de espaço para afrouxamento monetário. A ata do Federal Reserve, divulgada no fim da sessão, teve tom cauteloso quanto ao ritmo de cortes de juros nos EUA, mas não alterou a dinâmica local, em um dia marcado mais por ajustes técnicos do que por tomada de posições direcionais.

Quinta, 19/02/2026

Os juros futuros encerraram o dia em alta, sobretudo nos vencimentos mais longos, resultando em um movimento de inclinação da curva a termo, enquanto a parte curta permaneceu praticamente estável. O principal fator de pressão veio do robusto leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, que concentrou emissões em prazos mais longos e adicionou prêmio de risco aos vértices distantes, caracterizando um movimento de “bear steepening”. O dado do IBC-Br de dezembro, melhor do que o esperado, não alterou significativamente as expectativas para a atividade econômica nem para a trajetória da Selic, que seguem ancoradas em um corte de 0,5 ponto percentual em março. Apesar da volatilidade inicial dos Treasuries ao longo do dia, a influência externa foi secundária, com predominância de vetores domésticos, incluindo o aumento da oferta de risco soberano e preocupações recorrentes com o quadro fiscal de médio e longo prazo, especialmente em relação à dinâmica de despesas obrigatórias, o que contribuiu para a abertura das taxas longas.

Sexta-feira, 20/02/2026

A curva de juros futuros apresentou queda expressiva ao longo do pregão, impulsionada por eventos relevantes no cenário internacional que favoreceram ativos de risco e reduziram as taxas globais. A decisão da Suprema Corte dos EUA de considerar ilegais determinadas tarifas comerciais foi inicialmente interpretada como um fator desinflacionário para a economia americana, aumentando a percepção de espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve e, por consequência, reforçando o ambiente favorável ao ciclo de afrouxamento monetário no Brasil. Mesmo após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa global de 10%, abaixo do que parte do mercado temia, o movimento de alívio se intensificou, com queda adicional dos DIs, apreciação do real e fortalecimento do apetite por risco em mercados emergentes. No balanço de uma semana encurtada por feriados e com liquidez reduzida, a curva a termo brasileira se deslocou para baixo, refletindo a combinação de dólar mais fraco, melhora do sentimento global e expectativas de manutenção do processo de cortes da Selic, apesar das incertezas quanto à política comercial e fiscal dos Estados Unidos.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa