Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros Longas
Ao longo da semana, o mercado de renda fixa doméstico foi marcado por volatilidade controlada e forte dependência do noticiário macroeconômico, combinando fatores externos, dados de inflação e eventos técnicos relevantes. No início da semana, os juros futuros operaram com estabilidade e leve viés de queda, sustentados pelo enfraquecimento global do dólar, recuo dos rendimentos dos Treasuries e fluxo favorável para mercados emergentes, em um ambiente doméstico pobre em gatilhos e com impacto neutro do boletim Focus. Na sequência, a curva passou por processo de desinclinação, impulsionado por leilões bem-sucedidos do Tesouro (especialmente NTN-Bs e prefixados), que evidenciaram demanda robusta por duration, além de certo alívio de prêmio de risco associado ao noticiário político. Na quinta-feira, apesar da pressão inicial do leilão volumoso de prefixados, a combinação de IGP‑M com deflação acima do esperado, melhora do câmbio e queda adicional dos Treasuries permitiu fechamento relevante das taxas. O ponto de inflexão da semana ocorreu na sexta-feira, quando o IPCA‑15 de fevereiro surpreendeu para cima, provocando abertura das taxas e perda de inclinação da curva, ao reduzir a convicção do mercado sobre cortes mais agressivos da Selic no curto prazo, ainda que o cenário-base de flexibilização monetária tenha sido mantido. No balanço, a semana terminou com ajuste fino das expectativas de política monetária, maior sensibilidade à inflação corrente — sobretudo serviços — e manutenção do pano de fundo construtivo para a renda fixa, condicionado à evolução dos próximos dados de atividade e preços.
Destaques: IPCA‑15, Leilões do Tesouro, Treasuries
O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou marginalmente suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.
Para o horizonte até a 7R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -260,9 para -267,5 pontos-base.
Para as próximas 8 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de -280 para -289,2 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 12,01%, ante 12,10% na semana anterior.
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -300 pontos-base de corte. .
Para o horizonte até a 7R/2027, a projeção acumulada considera pontos-base de queda e CDI terminal de 10,40% ao ano.
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 3,91% para 3,91%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção caiu de 3,80% para 3,79%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 caiu de 12,13% para 12,00, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 10,50%, há um mês atrás era 10,50%.
O mercado de juros futuros apresentou comportamento predominantemente estável, com oscilações comedidas ao longo da sessão e volatilidade pontual nos vértices mais longos no fim do pregão, sem variações superiores a 1 ponto-base em relação aos ajustes anteriores. A ausência de vetores domésticos relevantes manteve a liquidez reduzida e direcionou a atenção dos investidores para o cenário externo, marcado pelo enfraquecimento global do dólar e pela queda dos rendimentos dos Treasuries, em meio a incertezas geopolíticas e comerciais envolvendo os Estados Unidos, especialmente após o anúncio de uma sobretaxa global maior pelo presidente Donald Trump. Esse ambiente favoreceu o rebalanceamento de carteiras em direção a mercados emergentes, beneficiando os DIs, apesar da cautela. Internamente, o boletim Focus teve impacto neutro, ao manter as expectativas de inflação de médio e longo prazo estáveis e indicar nova leve melhora para 2026, reforçando a leitura de um cenário inflacionário mais benigno, sustentado por política monetária contracionista, dinâmica favorável dos núcleos e câmbio comportado.
A curva de juros futuros seguiu em processo de desinclinação, com alívio mais evidente nos trechos longos, impulsionado principalmente pelo bom resultado do leilão de NTN-Bs realizado pelo Tesouro Nacional, que evidenciou demanda robusta por papéis atrelados à inflação, mesmo com aumento do volume financeiro e do risco ofertado. O ambiente externo novamente contribuiu de forma positiva, com melhora do apetite por ativos de risco em mercados emergentes após Donald Trump recuar da proposta de elevar a tarifa global, reduzindo-a para 10%. Além dos fatores técnicos, o noticiário político doméstico também influenciou a precificação, com expectativas de melhora no desempenho do senador Flávio Bolsonaro em pesquisas eleitorais, percepção que ajudou a reduzir prêmios de risco nos vértices mais longos. O fechamento das taxas em níveis inferiores aos esperados no leilão reforçou a leitura de forte apetite por duration, tanto em juros reais quanto nominais, ainda que operadores relativizem a magnitude do movimento diário nos DIs.
O movimento de achatamento da curva de juros perdeu força, com os DIs passando a refletir maior cautela dos investidores ao longo da sessão, em linha com a abertura dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos. Apesar de um ambiente que, em tese, poderia favorecer a compressão de prêmios — como o cenário externo relativamente construtivo e o noticiário político doméstico desfavorável ao governo — as taxas renovaram máximas intradiárias perto do encerramento, com alta nos vértices intermediários e estabilidade nos longos. A divulgação da pesquisa Atlas/Bloomberg, que mostrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, teve efeito limitado, pois rumores já haviam sido precificados previamente. A proximidade do leilão de prefixados do Tesouro e a expectativa pelo IPCA-15 de fevereiro reforçaram a postura defensiva. No exterior, a reprecificação das apostas sobre o início do ciclo de cortes de juros pelo Fed, agora mais concentradas em julho, também contribuiu para limitar qualquer fechamento mais consistente da curva local
Os juros futuros renovaram mínimas e passaram a ceder na parte da tarde, refletindo a combinação de alívio pós-leilão robusto de prefixados do Tesouro e um ambiente externo mais favorável para renda fixa, com fechamento da curva de Treasuries ajudando a ancorar a ponta longa. No doméstico, embora o leilão tenha sido volumoso (venda integral de 20 milhões de LTN e 8,5 milhões de NTN-F), ele inicialmente pressionou as taxas durante a manhã, mas a resistência perdeu força na ausência de novas notícias ao longo do dia, permitindo queda gradual dos DIs, que intensificou na última hora do pregão junto com a melhora dos Treasuries e a redução da alta do dólar ante o real (fechando em torno de R$ 5,13). Em paralelo, o IGP-M de fevereiro veio com deflação mais intensa que o esperado (-0,73%), reforçando um pano de fundo desinflacionário no atacado e ajudando a mitigar a pressão que poderia vir de um dólar globalmente mais forte. Com o mercado posicionado para o IPCA-15 do dia seguinte e atento à sequência de dados relevantes (Caged e PIB na próxima terça-feira), o noticiário reforçou apostas táticas de curto prazo: parte dos investidores interpretou a combinação de câmbio mais comportado, sinais de desaceleração de atividade e índice de preços benigno como espaço para o Banco Central manter a trajetória de flexibilização, ainda que calibrando o ritmo conforme a inflação corrente e os próximos indicadores.
A divulgação do IPCA-15 de fevereiro acima de todas as estimativas funcionou como o gatilho dominante do dia e explica a abertura das taxas e a perda de inclinação da curva do início ao fim do pregão, ao forçar reprecificação das apostas de política monetária no curto e médio prazos. A prévia da inflação acelerou para 0,84% no mês (de 0,20% em janeiro) e marcou 4,10% em 12 meses, superando o consenso e os intervalos coletados por pesquisas de mercado, o que elevou a cautela com o grau de “conforto” para cortes mais agressivos da Selic. O choque veio com composição que reforçou pressão em itens relevantes para a leitura do BC, com destaque para Educação (mensalidades e cursos no início do ano letivo) e Transportes (especialmente passagens aéreas e combustíveis), além de sinais de resiliência em serviços, elementos que, no jargão do mercado, tendem a reduzir o espaço para uma flexibilização acelerada se persistirem. Ainda assim, o ajuste ocorreu mais como “recalibragem” do ritmo e do orçamento de cortes do que como reversão completa do cenário: a aposta majoritária continuou apontando corte em março, mas com menor convicção, enquanto a curva incorporou um prêmio adicional para o restante de 2026. Do ponto de vista de performance, apesar da abertura do dia, o balanço semanal e o acumulado de fevereiro ainda mostraram queda relevante em parte dos vértices, sustentados por apreciação do real ao longo do mês e por um pano de fundo político que manteve operadores atentos ao desenho da corrida eleitoral de 2026.
Fonte: Broadcast
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