Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 408

Highlights (Resumo): Forte Alta nas Taxas de Juros.

O mercado de renda fixa apresentou uma semana marcada por forte abertura das taxas e aumento relevante da inclinação da curva de juros, refletindo a combinação de choques externos e deterioração do cenário doméstico. No front internacional, a intensificação do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo ao longo da semana, alimentando temores inflacionários globais e pressionando as curvas de juros, especialmente nos Estados Unidos, o que contaminou diretamente os ativos locais. Esse movimento foi reforçado por dados de inflação com componentes qualitativos mais fortes, tanto no Brasil quanto nos EUA, elevando a cautela dos bancos centrais e reduzindo a convicção do mercado quanto à continuidade dos cortes de juros. No cenário doméstico, fatores políticos e medidas com impacto fiscal contribuíram para a elevação dos prêmios, com destaque para episódios que aumentaram a percepção de risco eleitoral e ampliaram a incerteza sobre a trajetória fiscal. Como resultado, os vértices intermediários e longos da curva foram os mais pressionados, atingindo os maiores níveis do ano, ao passo que as probabilidades de cortes da Selic recuaram substancialmente. Pontuais momentos de alívio, vindos do exterior, não foram suficientes para reverter a tendência predominante de alta das taxas, consolidando uma semana de deterioração significativa das condições financeiras.

Destaques: Petróleo, Risco Político, Geopolítica

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -122,8 para -35,7 pontos-base.

Para as próximas 7 reuniões do Copom,a expectativa de corte reduziu de -65,9 para -23,1 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 14,17%, ante 13,74% na semana anterior. 

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,40%, equivalente a -125 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -300 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,40%a.a..

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 subiu de 4,91% para 4,92%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção se manteve em 4,00% para 4,00%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 subiu de 13,00% para 13,25, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 11,25%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 11/05/2026 à 15/05/2026

 

 

Segunda-feira (11/05/2026)

A curva de juros brasileira iniciou a semana com forte abertura, refletindo uma combinação de aversão ao risco global e deterioração das expectativas. O principal gatilho foi a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio, após os Estados Unidos rejeitarem uma proposta de acordo do Irã, elevando o risco de prolongamento do conflito e mantendo bloqueado o Estreito de Ormuz. Esse cenário impulsionou o petróleo (Brent a US$ 104,21) e pressionou as curvas globais, com alta relevante nos Treasuries, contaminando os DIs ao longo de toda a estrutura a termo. Localmente, a deterioração foi expressiva nos vértices intermediários e longos, enquanto o mercado passou a revisar expectativas para a política monetária: a probabilidade de corte da Selic em junho recuou e a taxa terminal implícita subiu. O ambiente externo mais adverso aumentou a percepção de cautela para o Banco Central, mesmo com a Selic ainda em nível contracionista, reforçando a visão de que o ciclo de flexibilização pode ser mais lento.

Terça-feira (12/05/2026)

Os juros futuros mantiveram trajetória de alta, ainda sob influência do cenário externo adverso, com continuidade do impasse no Oriente Médio elevando o petróleo (Brent a US$ 107,77) e sustentando a pressão inflacionária global. Além disso, dados de inflação nos EUA e no Brasil, apesar de alinhados ao consenso nos números cheios, trouxeram deterioração qualitativa nos núcleos, o que ampliou as preocupações com a condução da política monetária. Esse conjunto de fatores levou ao aumento da inclinação da curva brasileira, indicando maior prêmio nos vencimentos longos. O mercado passou a revisar levemente a probabilidade de manutenção da Selic, ainda minoritária, mas crescente, refletindo maior incerteza sobre o ciclo de cortes. Apesar da pressão global, o desempenho doméstico foi relativamente mais contido que no dia anterior, sugerindo que parte do movimento já havia sido antecipada. A colocação de NTN-Bs pelo Tesouro ocorreu sem gerar estresse adicional, contribuindo para evitar uma deterioração ainda mais intensa.

Quarta-feira (13/05/2026)

A dinâmica dos juros mudou de vetor, com predominância de fatores domésticos impulsionando forte abertura da curva. O mercado reagiu negativamente a uma combinação de eventos políticos e fiscais, com destaque para notícias envolvendo figuras políticas relevantes e medidas governamentais com potencial impacto fiscal, como subsídios a combustíveis e estímulos ao consumo (incluindo a retirada de impostos sobre importações de baixo valor). Esses fatores ampliaram o prêmio de risco, sobretudo nos vértices intermediários e longos, que chegaram a subir até 30 pontos-base. Dados econômicos também contribuíram para o movimento: o varejo veio mais forte que o esperado, reforçando a resiliência da atividade e dificultando o trabalho do Banco Central. No cenário externo, o impacto foi marginal, apesar do PPI americano acima do esperado ter revertido parcialmente o fechamento das curvas globais. O dia evidenciou uma reprecificação relevante do risco doméstico, com maior peso do cenário eleitoral e fiscal na formação da curva de juros.

Quinta-feira (14/05/2026)

Após o forte estresse da véspera, o mercado de juros apresentou movimento de acomodação, com queda moderada das taxas, ainda que sem devolver integralmente as altas anteriores. A melhora veio principalmente do ambiente externo, marcado por maior estabilidade nos preços do petróleo e pela repercussão positiva do encontro entre os presidentes dos EUA e da China, que sinalizou possível cooperação geopolítica. Esse cenário ajudou a reduzir a pressão sobre as curvas globais e, por consequência, sobre os DIs. Internamente, entretanto, o mercado seguiu incorporando prêmios de risco ligados ao cenário político, com o episódio recente ainda influenciando as expectativas. O Tesouro Nacional também contribuiu para a estabilidade ao reduzir a oferta de títulos em leilão, evitando adicionar volatilidade. O resultado foi um alívio parcial, com manutenção de níveis elevados de juros, refletindo a permanência das incertezas.

Sexta-feira (15/05/2026)

O último pregão da semana foi marcado por uma nova deterioração significativa da curva de juros, impulsionada principalmente por um movimento global de aversão ao risco (“sell-off”) nos mercados de renda fixa. A combinação de temores inflacionários, intensificação da crise no Oriente Médio, elevação dos preços do petróleo (Brent a US$ 109,26) e aumento das taxas longas nos Estados Unidos — com o Treasury de 30 anos superando 5% — gerou forte pressão sobre os ativos domésticos. Internamente, ainda houve resquícios do aumento do risco político observado ao longo da semana. As taxas dos DIs, especialmente nos vértices intermediários e longos, atingiram seus maiores níveis no ano, com abertura expressiva e inclinação da curva. O mercado também revisou expectativas para a Selic, com aumento da probabilidade de interrupção do ciclo de cortes. No consolidado da semana, a curva apresentou abertura relevante, refletindo um ambiente mais desafiador tanto no âmbito global quanto doméstico, com destaque para inflação, petróleo, geopolítica e risco político.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Tabela de Risco de Mercado (Risco de Taxa de Juros ) Tesouro Direto

Duration (Duração)

A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.

Convexidade

A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:

    • Títulos longos,
    • Títulos com pagamentos concentrados no final,
    • Cenários de movimentos mais amplos de juros.

Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos monetários.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).

Observações:

    1. Os rótulos Modified Duration e DV1 (Dollar Value of 0,1) são utilizados neste material exclusivamente por convenção e uso consagrado de mercado, facilitando a leitura e a comparação entre títulos.
    2. Importante destacar que os resultados apresentados não decorrem de estimativas ou aproximações baseadas nessas métricas.
    3. Tanto o Perda $ no dia (+0,1↑) quanto a Perda % no Dia (+0,1↑) são obtidos a partir do recálculo integral dos preços dos títulos, considerando uma elevação efetiva de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00 para 10,10).
    4. Dessa forma, os números refletem impactos reais de preço, já incorporando integralmente os efeitos de fluxo de caixa, prazo e convexidade. É acompanhamaneto da marcação à mercado na prática.

Fonte: Broadcast

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Forte abraço

Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa