Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 410

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros.

O mercado de renda fixa apresentou, ao longo da semana, uma dinâmica marcada pela alternância entre fatores externos — principalmente o conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o petróleo — e a crescente relevância dos vetores domésticos, como inflação persistente, atividade econômica resiliente e aumento da oferta de títulos públicos. A curva de juros iniciou o período com fechamento relevante diante do alívio geopolítico e queda do petróleo, mas rapidamente devolveu esse movimento com a retomada das tensões, evidenciando elevada sensibilidade ao risco global. Ao longo da semana, no entanto, consolidou-se uma mudança de foco para o cenário doméstico: dados de inflação (IPCA-15) e atividade (PIB, mercado de trabalho) reforçaram a percepção de que o ciclo de queda da Selic será limitado, levando a revisões altistas nas expectativas de juros para 2026 e 2027. Além disso, a atuação do Tesouro, com aumento expressivo na emissão de prefixados, pressionou a curva, enquanto declarações mais duras de membros do Banco Central e ruídos institucionais também contribuíram para manutenção de prêmios. Apesar de oscilações diárias relevantes, a semana terminou com leve fechamento da curva no agregado, mas com inclinação mais acentuada no horizonte mais longo, refletindo dúvidas sobre a magnitude do ciclo de flexibilização monetária.

Destaques: Geopolítica, Inflação, Fiscal

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou marginalmente suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -76,4 para -73,3 pontos-base.

Para as próximas 7 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de -48,5 para -43,1 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 13,97%, ante 13,92% na semana anterior. 

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,28%, equivalente a -100 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -312,5 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,28% a.a..

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 subiu de 5,04% para 5,09%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,01% para 4,02%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 13,25%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 11,25%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 25/05/2026 à 29/05/2026

 

Segunda-feira, 25/05/2026

O mercado de juros iniciou a semana com fechamento relevante da curva de DI, impulsionado principalmente pelo alívio no cenário geopolítico e pela forte queda do petróleo, que recuou quase 7% no dia. Relatos de possível acordo entre Estados Unidos e Irã, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz, reduziram o prêmio de risco global e favoreceram a compressão das taxas, com destaque para o vértice janeiro/2027, que voltou a ficar abaixo de 14%, e quedas de cerca de 20 pontos-base nos trechos longos. No entanto, a falta de confirmação oficial do acordo limitou o movimento ao longo da sessão, refletindo o ceticismo crescente dos agentes diante de recorrentes rumores não concretizados. A baixa liquidez internacional, devido ao feriado nos EUA (Memorial Day) e no Reino Unido, também reduziu a profundidade do movimento. No pano de fundo, o mercado segue ajustando expectativas para a política monetária doméstica, com revisões altistas para a taxa terminal da Selic, em função de inflação persistente, deterioração fiscal e prêmios de risco elevados.

Terça-feira, 26/05/2026

A melhora observada na véspera foi revertida com abertura da curva de juros, diante da retomada das tensões geopolíticas após o Irã acusar os EUA de violação do cessar-fogo. Isso elevou a percepção de risco de manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz, pressionando os preços do petróleo (alta de cerca de 3,5%) e reforçando preocupações inflacionárias globais. Os vértices intermediários e longos subiram mais de 10 pontos-base, refletindo o ambiente de maior aversão ao risco. No cenário doméstico, ruídos institucionais relacionados à PECs envolvendo autonomia do Banco Central e jornada de trabalho também contribuíram para o prêmio de risco. Paralelamente, houve revisões altistas relevantes nas projeções de Selic e inflação, com instituições como o Citi elevando a estimativa de juros para 2026 e IPCA projetado em alta. A persistência inflacionária, o câmbio acima de R$ 5 e o viés mais hawkish do Copom reforçam a percepção de espaço limitado para cortes de juros, ainda que o mercado mantenha como cenário base uma redução de 0,25 ponto na próxima reunião.

Quarta-feira, 27/05/2026

O mercado de juros apresentou comportamento lateral ao longo do dia, com leve abertura no fechamento, em um ambiente dominado por fatores técnicos e expectativa por eventos futuros. Apesar de notícias externas mais benignas — como declarações sobre avanço nas negociações entre EUA e Irã —, os agentes mantiveram postura cautelosa, ignorando parcialmente esses sinais diante da ausência de confirmações concretas. No cenário doméstico, o IPCA-15 de maio veio acima do esperado, reforçando a percepção de inflação ainda resiliente, especialmente em núcleos e serviços, o que limitou o fechamento da ponta curta da curva. Além disso, a antecipação da divulgação do Caged gerou expectativa de um mercado de trabalho aquecido, podendo dificultar a flexibilização monetária. O mercado também começou a se posicionar para um possível leilão mais robusto de títulos prefixados no dia seguinte, reduzindo posições aplicadas. Assim, mesmo com queda do petróleo ao redor de 5%, a curva permaneceu praticamente estável, refletindo um equilíbrio entre vetores inflacionários domésticos e alívio externo.

Quinta-feira, 28/05/2026

O pregão foi marcado por predominância de fatores domésticos, com a curva de juros pressionada principalmente pelo forte aumento na oferta de títulos prefixados pelo Tesouro Nacional. O volume do leilão foi significativamente maior que o da semana anterior, elevando o risco ofertado ao mercado e pressionando as taxas ao longo do dia. Apesar disso, dados fracos do mercado de trabalho — com o Caged mostrando criação de vagas bem abaixo do esperado — chegaram a gerar fechamento momentâneo das taxas, ao reforçar a tese de desaceleração econômica e maior espaço para cortes de juros. Ainda assim, o movimento não se sustentou, com posterior abertura por fatores técnicos, incluindo desmontagem de posições e baixa capacidade de absorção da oferta. No ambiente externo, o impacto foi limitado, apesar de sinais positivos no conflito no Oriente Médio e recuo das Treasuries. Declarações de membros do Banco Central com viés mais duro e preocupações com expectativas de inflação de longo prazo também contribuíram para manter a curva pressionada.

Sexta-feira, 29/05/2026

Na última sessão da semana, o mercado de juros apresentou leve inclinação de alta, em um ambiente de oscilação moderada e ausência de gatilhos consistentes ao longo do dia. Pela manhã, dados fortes de atividade — com o PIB do primeiro trimestre crescendo 1,1% — impulsionaram a abertura das taxas, ao reforçar a percepção de economia resiliente e menor espaço para cortes da Selic. Ao longo do dia, movimentos foram influenciados pela dinâmica do petróleo e pelas incertezas geopolíticas, com a ausência de acordo entre EUA e Irã contribuindo para leve pressão de alta nas taxas no fechamento. Ao longo da semana, consolidou-se a leitura de que a política monetária seguirá em ciclo de ajustes modestos, com a taxa terminal próxima de 14% e probabilidade de corte de 0,25 ponto ainda predominante, mas gradualmente questionada. A combinação de inflação resistente, atividade robusta e riscos fiscais elevados também levou a revisões altistas nas projeções de juros por diversas instituições, enquanto a curva apresentou leve fechamento no agregado semanal, apesar da maior inclinação no mês.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Tabela de Risco de Mercado (Risco de Taxa de Juros ) Tesouro Direto

Duration (Duração)

A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.

Convexidade

A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:

    • Títulos longos,
    • Títulos com pagamentos concentrados no final,
    • Cenários de movimentos mais amplos de juros.

Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos monetários.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).

Observações:

    1. Os rótulos Modified Duration e DV1 (Dollar Value of 0,1) são utilizados neste material exclusivamente por convenção e uso consagrado de mercado, facilitando a leitura e a comparação entre títulos.
    2. Importante destacar que os resultados apresentados não decorrem de estimativas ou aproximações baseadas nessas métricas.
    3. Tanto o Perda $ no dia (+0,1↑) quanto a Perda % no Dia (+0,1↑) são obtidos a partir do recálculo integral dos preços dos títulos, considerando uma elevação efetiva de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00 para 10,10).
    4. Dessa forma, os números refletem impactos reais de preço, já incorporando integralmente os efeitos de fluxo de caixa, prazo e convexidade. É acompanhamaneto da marcação à mercado na prática.

Fonte: Broadcast

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Forte abraço

Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa