Highlights (Resumo): Forte Alta nas Taxas de Juros.
O mercado de renda fixa doméstico apresentou desempenho amplamente negativo ao longo da semana, com forte abertura das taxas em toda a curva a termo, especialmente nos vértices intermediários e longos, refletindo uma reprecificação relevante da trajetória da política monetária. O movimento foi impulsionado pela combinação de fatores domésticos — como a deterioração contínua das expectativas de inflação, atividade econômica resiliente e revisão altista das projeções para a Selic — e choques externos, com destaque para a escalada das tensões no Oriente Médio (pressionando o petróleo) e a surpresa positiva no payroll dos EUA, que elevou as apostas de aperto monetário pelo Federal Reserve. Ao longo dos dias, observou-se uma mudança progressiva na percepção de política monetária, com o mercado migrando de um cenário de cortes residuais para uma probabilidade crescente de interrupção do ciclo já na reunião de junho, levando a taxa terminal para patamares próximos ou acima de 14,25%-14,50%. Fatores técnicos, como desmontagem de posições aplicadas e leilões do Tesouro com demanda mais fraca, amplificaram o movimento, consolidando um ambiente de maior aversão ao risco e reforçando a narrativa de “juros mais altos por mais tempo”.
Destaques: Fed, Inflação, Geopolítica
O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou fortemente suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.
Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -73,3 para +46,06 pontos-base.
Para as próximas 7 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou de -48,5 para +28,48 pontos-base de alta, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 14,59%, ante 13,97% na semana anterior.
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 13,40%, equivalente a -100 pontos-base de corte. .
Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -275 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,65% a.a..
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 subiu de 5,04% para 5,09%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,01% para 4,02%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 13,25%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 11,25%, há um mês atrás era 10,50%.
Os juros futuros na B3 apresentaram forte abertura ao longo da sessão, renovando máximas em toda a curva, refletindo uma combinação de fatores domésticos e externos que pressionaram os prêmios de risco. No cenário local, a nova deterioração das expectativas de inflação capturada pelo boletim Focus e revisões altistas para a Selic por instituições relevantes reforçaram a percepção de que o ciclo de cortes está próximo do fim, levando o mercado a precificar taxa terminal acima de 14% ao final de 2026. No ambiente externo, a escalada do petróleo — impulsionada por tensões no Oriente Médio e riscos à oferta global — contribuiu para pressionar as taxas. O aumento do ceticismo quanto à continuidade da flexibilização monetária também foi alimentado por declarações de ex-integrantes do Copom e discussões sobre risco à credibilidade do BC caso os cortes avancem. A precificação indicava alta probabilidade de um corte residual em junho e possivelmente em agosto, com visão majoritária de postura mais hawkish do Banco Central.
Após a forte reprecificação da véspera, os juros futuros mantiveram viés de alta, com destaque para a abertura das taxas longas e consequente inclinação da curva, enquanto a ponta curta apresentou maior estabilidade. O movimento refletiu a consolidação da expectativa de interrupção do ciclo de cortes da Selic após as próximas reuniões do Copom, limitando avanços adicionais nos vértices mais curtos. Além dos fatores internos — como revisões de inflação e atividade resiliente —, o ambiente externo adicionou pressão com a proposta dos Estados Unidos de impor tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, elevando a percepção de risco fiscal e político em meio ao contexto eleitoral. Esse cenário estimulou a incorporação de prêmios mais elevados nos contratos longos, ainda que o comportamento favorável do dólar e dos Treasuries tenha limitado uma abertura mais generalizada. A Selic passou a ser precificada próxima a 14,25% no fim de 2026.
Os juros futuros intensificaram a trajetória de alta, atingindo máximas do ano, com destaque para a forte abertura dos vértices longos, influenciados principalmente por fatores técnicos. A desmontagem de posições aplicadas (apostando na queda das taxas) amplificou o movimento, refletindo a rápida revisão das expectativas em relação à política monetária, com o mercado cada vez mais dividido entre manutenção ou corte residual da Selic na reunião de junho. O cenário externo continuou adverso, com nova escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio pressionando o petróleo e, consequentemente, as expectativas inflacionárias. Internamente, revisões altistas para a Selic por instituições financeiras e o impacto do leilão de títulos públicos — com demanda abaixo da média — reforçaram o movimento de alta. A precificação indicou mudança relevante nas probabilidades do Copom, passando de maioria favorável ao corte para um cenário dividido, enquanto a taxa terminal projetada avançou ainda mais.
O fechamento da semana foi marcado por uma forte abertura dos juros, com os vértices intermediários e longos atingindo os níveis mais elevados desde 2025, impulsionados principalmente pelo payroll dos Estados Unidos, que veio acima das expectativas e elevou as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve. Esse fator externo se somou a um cenário doméstico já deteriorado, caracterizado por inflação pressionada, câmbio mais depreciado, incerteza eleitoral e riscos persistentes no preço do petróleo. Como resultado, consolidou-se a visão de “juros mais altos por mais tempo”, com aumento relevante da probabilidade de manutenção da Selic em 14,50% na reunião de junho. A curva passou a refletir apenas uma eventual redução residual, ou até mesmo nenhuma, dependendo da postura futura do BC. O movimento também foi reforçado pela valorização do dólar e por revisões altistas nas projeções de instituições financeiras, consolidando um ambiente de forte aversão ao risco e reprecificação estrutural da trajetória de juros.
Fonte: Broadcast
Duration (Duração)
A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.
Convexidade
A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:
Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos monetários.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).
Observações:
Fonte: Broadcast
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