Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros.
O mercado de renda fixa ao longo da semana foi marcado por elevada volatilidade e forte sensibilidade a fatores externos, especialmente ao conflito no Oriente Médio, combinados com uma reprecificação relevante da trajetória da Selic no Brasil. Nos primeiros dias, predominou um movimento de abertura das taxas, impulsionado por ajustes técnicos, zeragem de posições aplicadas e deterioração das expectativas inflacionárias e de política monetária, levando a curva a flertar com níveis próximos de 15% e até incorporar discussões de eventual alta da Selic. A partir de quarta-feira, iniciou-se uma correção parcial desse estresse, consolidada na quinta e sexta-feira, quando a melhora do cenário geopolítico — com sinais de avanço nas negociações entre EUA e Irã — favoreceu o fechamento das taxas, sobretudo nos vértices intermediários e longos. Ainda assim, a ponta curta permaneceu mais resistente, refletindo a percepção de menor espaço para cortes adicionais diante de inflação ainda pressionada, atividade resiliente e riscos fiscais. No balanço final, a curva devolveu parte dos prêmios, mas permaneceu elevada, evidenciando um ambiente de incerteza relevante e forte dependência do cenário externo e das expectativas para o Copom.
Destaques: Geopolítica, Copom, Inflação
O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de altas na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.
Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de altas passou de +46,1 para cortes de -11,3 pontos-base.
Para as próximas 5 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de 28 para 32 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 14,61%, ante 14,59% na semana anterior.
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -50 pontos-base de corte. .
Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -250 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a..
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,03% para 4,10%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 subiu de 13,50% para 13,75, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 subiu de 11,50% para 12,00, há um mês atrás era 10,50%.
O mercado de juros apresentou forte volatilidade ao longo do dia, operando em dois momentos bem distintos. Pela manhã, houve fechamento das taxas em um movimento técnico de correção após a expressiva alta da sexta-feira anterior, favorecido pelo anúncio de suspensão dos ataques do Irã a Israel, mesmo com variáveis adversas como dólar e petróleo em alta e deterioração das expectativas no Focus. No entanto, à tarde o cenário externo voltou a se deteriorar, com dúvidas sobre a efetividade do cessar-fogo e novas sinalizações de continuidade do conflito, o que elevou a aversão ao risco e levou a uma nova abertura das taxas, especialmente nos vértices curtos. A curva seguiu refletindo reprecificação relevante da trajetória da Selic, com aumento das probabilidades de interrupção do ciclo de cortes e até discussão de aperto no segundo semestre, com a Selic terminal sendo projetada próxima de 15%. Além disso, o mercado também antecipou movimentos em função do leilão de NTN-B do Tesouro, contribuindo para a pressão altista no período da tarde.
A curva de juros voltou a apresentar alta relevante, marcando a terceira sessão consecutiva de abertura das taxas, em um movimento predominantemente técnico e sem um gatilho claro. Apesar de um início de sessão com leve alívio, influenciado pela queda do petróleo e expectativa de acordo entre EUA e Irã, esse movimento foi completamente revertido ao longo do dia. O mercado foi dominado por ajustes de posição, com destaque para zeragem de posições aplicadas por grandes players, gerando uma “stopada” generalizada que impulsionou as taxas, principalmente nos vértices intermediários e longos. Esse ambiente refletiu incertezas elevadas quanto à trajetória da Selic e à atuação do Copom, com parte do mercado já considerando manutenção da taxa em 14,50% por período prolongado. Adicionalmente, o Tesouro adotou estratégia conservadora em seu leilão de NTN-B, com oferta reduzida, caracterizando um “cancelamento branco” para evitar pressionar ainda mais a curva, enquanto o cenário externo continuou ambíguo em relação ao conflito no Oriente Médio.
Após dias de forte estresse, o mercado de juros apresentou modesto alívio, com fechamento das taxas ao final do dia, ainda que sem mudança estrutural de cenário. A sessão foi marcada por elevada volatilidade intradiária, com abertura em alta reagindo à intensificação do conflito geopolítico — incluindo ataques dos EUA ao Irã e nova alta do petróleo — mas posterior reversão ao longo da tarde, em um movimento interpretado como correção técnica após o exagero recente que levou os DIs próximos de 15%. Do ponto de vista doméstico, fatores políticos (pesquisa eleitoral) e revisões altistas de inflação e Selic continuaram pesando sobre o ambiente. No exterior, apesar de o CPI dos EUA ter vindo em linha com o esperado, não houve alívio consistente na curva de Treasuries, mantendo cautela global. As expectativas para o Copom permaneceram divididas, mas com predominância de cenário de manutenção da Selic, enquanto instituições financeiras passaram a revisar para cima suas projeções de juros e inflação, consolidando um pano de fundo mais desafiador.
O mercado de juros experimentou um movimento expressivo de fechamento da curva, revertendo parte relevante do estresse acumulado nos dias anteriores. A queda das taxas foi disseminada ao longo de toda a estrutura a termo, com destaque para os vértices intermediários, e esteve fortemente alinhada ao alívio no cenário externo. O principal vetor foi a melhora nas perspectivas geopolíticas, após declarações do presidente dos EUA indicando cancelamento de ataques ao Irã e avanço significativo nas negociações de paz, reduzindo a aversão ao risco global. Esse fator permitiu retirada de prêmios, somada à percepção de que a curva havia exagerado ao precificar até mesmo a possibilidade de alta da Selic. Com isso, voltou a ganhar força a aposta em corte de 0,25 p.p. na reunião do Copom, embora ainda haja divergências entre analistas. Dados domésticos fortes, como a Pesquisa Mensal de Serviços, foram amplamente ignorados pelo mercado diante do peso do cenário externo. O Tesouro também contribuiu para a estabilidade ao ofertar volumes reduzidos em seus leilões.
Na última sessão da semana, os juros futuros mantiveram a trajetória de fechamento, especialmente nos vértices intermediários e longos, consolidando a devolução parcial dos prêmios acumulados ao longo dos dias anteriores. O principal fator de alívio foi novamente o cenário externo, com sinalizações mais concretas de um possível acordo entre EUA e Irã, que contribuíram para queda do petróleo e melhora das condições financeiras globais. No entanto, a ponta curta da curva mostrou resistência, refletindo a percepção de que o Banco Central perdeu graus de liberdade para cortes adicionais, diante de um ambiente doméstico ainda adverso. O IPCA de maio veio levemente acima do esperado e reforçou preocupações qualitativas com a inflação, enquanto fatores estruturais — como deterioração das expectativas, riscos fiscais e atividade resiliente — continuaram limitando o espaço para afrouxamento monetário. Apesar disso, a probabilidade de corte na próxima reunião do Copom voltou a ser majoritária. No balanço semanal, a curva fechou, mas ainda permanece carregada de prêmios, refletindo incertezas elevadas.
Fonte: Broadcast
Duration (Duração)
A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.
Convexidade
A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:
Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos monetários.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).
Observações:
Fonte: Broadcast
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