Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 413

Highlights (Resumo): Forte Alta nas Taxas de Juros.

O mercado de renda fixa apresentou uma semana marcada por forte volatilidade e mudança de tendência ao longo dos dias, iniciando com fechamento da curva impulsionado pelo alívio externo — especialmente com a queda do petróleo após o acordo entre EUA e Irã, que favoreceu expectativas de corte da Selic —, mas rapidamente revertendo esse movimento diante da deterioração do cenário doméstico e, principalmente, da reprecificação global de juros após um Federal Reserve mais hawkish. A Superquarta foi o ponto de inflexão, com abertura relevante das taxas, sobretudo nos vértices longos, movimento amplificado no pós-Copom, cuja comunicação foi interpretada como dovish e gerou aumento consistente dos prêmios de risco, refletindo dúvidas sobre a credibilidade da política monetária e o processo de convergência da inflação. Ao longo da semana, fatores políticos domésticos, com destaque para pesquisas eleitorais e declarações sobre política fiscal, também contribuíram para pressionar a curva, levando a uma inclinação mais acentuada e elevação das taxas para patamares próximos a 15% em alguns vencimentos. O resultado foi uma semana de perda de desempenho para ativos prefixados e de maior prêmio exigido pelo mercado, com forte sensibilidade tanto ao ambiente externo quanto às incertezas fiscais e de política monetária local.

Destaques: Fed, Copom, Risco Fiscal

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de altas na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de altas passou de +46,1 para cortes de -11,3 pontos-base.

Para as próximas 5 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de 28 para 32 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 14,61%, ante 14,59% na semana anterior.

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -50 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -250 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a..

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 subiu de 5,30% para 5,33%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,10% para 4,15%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 subiu de 13,75% para 14,00, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 15/06/2026 à 19/06/2026

 

Segunda-feira (15/06/2026)

A curva de juros apresentou fechamento relevante ao longo do dia, refletindo o aumento do apetite ao risco global após o acordo entre Estados Unidos e Irã, que reduziu significativamente as tensões geopolíticas e levou a uma forte queda nos preços do petróleo. Esse movimento aliviou as preocupações inflacionárias, especialmente via combustíveis, reforçando a percepção de maior espaço para corte da Selic na reunião do Copom daquela semana. As taxas dos contratos de DI recuaram em todos os vértices, com destaque para os intermediários e longos, ainda que o movimento tenha perdido força no período da tarde diante de maior cautela em outros ativos domésticos. Mesmo com a piora nas expectativas de inflação captadas pelo Focus, o impacto sobre a curva foi limitado, já que as implícitas já refletiam esse cenário. O mercado passou a precificar elevada probabilidade de corte de 25 pontos-base, com leitura de que o Copom poderia agir, ainda que de forma conservadora e sem guidance futuro, diante de um ambiente externo mais favorável.

Terça-feira (16/06/2026)

Os juros futuros inverteram parcialmente o movimento da véspera e encerraram o dia em alta, em um ajuste técnico influenciado principalmente por fatores domésticos. Apesar da continuidade do ambiente externo benigno, com queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, a curva local reagiu negativamente à deterioração do cenário político, em função de pesquisas eleitorais que reforçaram a vantagem do presidente Lula, ampliando preocupações fiscais. O câmbio mais depreciado também contribuiu para pressionar as expectativas de inflação. Ao longo da manhã, dados fracos de atividade e inflação mais comportada chegaram a sustentar algum alívio nas taxas, mas o movimento foi revertido após a divulgação das pesquisas. A expectativa de corte de 25 pontos-base na Selic permaneceu dominante, sem grandes alterações. O Tesouro conseguiu ampliar modestamente a oferta em leilão de NTN-B, com boa aceitação, sinalizando alguma resiliência da demanda, enquanto a reafirmação do rating soberano pela Fitch não teve impacto relevante nos preços.

Quarta-feira (17/06/2026)

Na chamada “Superquarta”, os juros futuros registraram forte abertura ao longo de toda a curva, especialmente nos vértices longos, refletindo a reprecificação global após a postura mais dura do Federal Reserve. Apesar da manutenção da taxa de juros, o Fed adotou tom considerado hawkish, com elevação das projeções de juros e reforço do compromisso com o combate à inflação, o que impulsionou os rendimentos dos Treasuries e contaminou a curva local. O movimento foi amplificado pela percepção de que não há mais restrições políticas relevantes para eventual alta de juros nos EUA, além de declarações firmes da autoridade monetária americana. Internamente, o mercado também se posicionava para a decisão do Copom, com expectativa de corte de 25 pontos-base, mas já antecipando um comunicado mais duro ou sem guidance, à semelhança do Fed. Ruídos adicionais sobre o acordo entre EUA e Irã tiveram impacto secundário. O resultado foi uma abertura significativa da curva, com inclinação mais acentuada e aumento do prêmio de risco, especialmente nos prazos mais longos.

Quinta-feira (18/06/2026)

O dia seguinte à decisão do Copom foi marcado por nova alta dos juros futuros, principalmente nos trechos intermediários e longos, com acentuada inclinação da curva. Apesar do corte de 25 pontos-base na Selic, a comunicação do Banco Central foi interpretada como dovish, ao sugerir maior flexibilidade no horizonte de convergência da inflação e manter aberta a possibilidade de novos cortes. Essa leitura gerou forte desconforto no mercado, que passou a questionar a credibilidade da política monetária diante de expectativas desancoradas. Como consequência, os prêmios de risco aumentaram de forma significativa, refletindo receio de que o Copom esteja sendo complacente com a inflação. Enquanto o trecho curto da curva ajustou levemente para baixo, eliminando apostas de manutenção da Selic, os vértices longos abriram cerca de 20 pontos-base. O mercado também ajustou as probabilidades para as próximas reuniões, reduzindo a chance de novos cortes relevantes. Ainda assim, o Tesouro conseguiu realizar um leilão robusto de títulos prefixados, indicando demanda mesmo em ambiente de maior volatilidade.

Sexta-feira (19/06/2026)

Os juros futuros encerraram a semana em alta, acumulando quatro sessões consecutivas de elevação nos trechos intermediários e longos, em um ambiente de baixa liquidez devido ao feriado nos Estados Unidos e ausência de indicadores relevantes. A curva seguiu pressionada pela repercussão negativa do comunicado do Copom, com persistente desconforto quanto à possibilidade de tolerância a uma inflação acima da meta. Além disso, declarações do pré-candidato Flávio Bolsonaro contribuíram para piora da percepção fiscal, ao indicar resistência a medidas estruturais de ajuste, frustrando expectativas de disciplina fiscal em um eventual novo governo. O movimento foi exacerbado por atuação de fundos locais, que intensificaram posições aplicadas em juros em momento de baixa liquidez. As taxas chegaram próximas a 15% em alguns vértices, e a inclinação da curva aumentou de maneira relevante ao longo da semana. Apesar disso, parte do mercado avalia que houve exagero na precificação e aguarda a ata do Copom e o Relatório de Política Monetária para eventual correção dos prêmios.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Tabela de Risco de Mercado (Risco de Taxa de Juros ) Tesouro Direto

Duration (Duração)

A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.

Convexidade

A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:

    • Títulos longos,
    • Títulos com pagamentos concentrados no final,
    • Cenários de movimentos mais amplos de juros.

Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos monetários.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).

Observações:

    1. Os rótulos Modified Duration e DV1 (Dollar Value of 0,1) são utilizados neste material exclusivamente por convenção e uso consagrado de mercado, facilitando a leitura e a comparação entre títulos.
    2. Importante destacar que os resultados apresentados não decorrem de estimativas ou aproximações baseadas nessas métricas.
    3. Tanto o Perda $ no dia (+0,1↑) quanto a Perda % no Dia (+0,1↑) são obtidos a partir do recálculo integral dos preços dos títulos, considerando uma elevação efetiva de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00 para 10,10).
    4. Dessa forma, os números refletem impactos reais de preço, já incorporando integralmente os efeitos de fluxo de caixa, prazo e convexidade. É acompanhamaneto da marcação à mercado na prática.

Fonte: Broadcast

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Forte abraço

Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa