Highlights (Resumo): Alta nas Taxas de Juros.
Ao longo da semana, o mercado de renda fixa apresentou elevada volatilidade, mas encerrou o período ainda influenciado por dois vetores predominantes: a expectativa de continuidade do ciclo de cortes da Selic e o aumento das preocupações políticas e fiscais. Na primeira metade da semana, os juros futuros recuaram de forma consistente, impulsionados pela acomodação das projeções de inflação no Focus, pela deflação mais forte do que o esperado do IGP-M e, principalmente, por indicadores de atividade e mercado de trabalho mais fracos, como o Caged, que reforçaram a percepção de desaceleração econômica e ampliaram as apostas de um novo corte da Selic em agosto. A partir de quarta-feira, entretanto, a dinâmica se inverteu com a volta do risco político ao radar, após pesquisas eleitorais e notícias envolvendo possíveis desdobramentos da disputa presidencial elevarem os prêmios de risco, especialmente nos vértices intermediários e longos da curva. O movimento foi intensificado por preocupações fiscais domésticas, pela forte oferta de títulos prefixados do Tesouro Nacional e por fatores externos, incluindo a reprecificação das curvas globais associada às discussões sobre política monetária no Japão. Na sexta-feira, parte dessa abertura foi devolvida após dados fracos da produção industrial, valorização do real e declarações do Tesouro sinalizando disposição para atuar na liquidez do mercado secundário. Ainda assim, o saldo semanal foi de uma curva mais inclinada, refletindo a combinação entre expectativas de flexibilização monetária no curto prazo e manutenção de prêmios elevados nos vencimentos mais longos devido às incertezas fiscais e eleitorais.
Destaques: Selic, Eleições, Fiscal.
O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou marginalmente suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.
Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de 1,3 para -1,7 pontos-base.
Para as próximas 5 reuniões do Copom,a expectativa de corte reduziu de 7,6 para -5,4 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 14,10%, ante 14,23% na semana anterior.
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -50 pontos-base de corte. .
Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -250 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a..
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,33% para 5,30%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,17% para 4,18%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 14,00%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.
O mercado de juros iniciou a semana mantendo o movimento de fechamento da curva observado nos pregões anteriores, registrando a sexta sessão consecutiva de queda dos prêmios de risco. O ambiente externo relativamente tranquilo, marcado pela percepção de normalização gradual das tensões no Oriente Médio e pelo recuo recente do petróleo em relação aos níveis observados durante a última reunião do Copom, sustentou a melhora dos ativos locais. No cenário doméstico, o Boletim Focus mostrou estabilização das projeções para inflação e Selic, interrompendo a sequência de deterioração das expectativas das semanas anteriores. O IGP-M de junho veio melhor que o esperado, com deflação de 0,50%, reforçando a leitura de que o quadro inflacionário segue comportado. Esse conjunto de fatores fortaleceu as apostas de que o Banco Central poderá prosseguir com o ciclo de flexibilização monetária iniciado em junho. A curva de juros fechou em todos os vértices, com destaque para os vencimentos intermediários e longos. Apesar da baixa liquidez durante a tarde, em função da partida entre Brasil e Japão pela Copa do Mundo, prevaleceu a percepção de que os juros futuros ainda carregam prêmios elevados para um ambiente de afrouxamento monetário. Também permaneceu no radar o cenário eleitoral, após pesquisa indicar redução da vantagem do presidente Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro, embora ainda sem impacto relevante na precificação dos ativos.
Os juros futuros voltaram a recuar de forma consistente, impulsionados principalmente pelos dados mais fracos do mercado de trabalho. O Caged mostrou geração de empregos formais muito abaixo das expectativas, registrando a menor criação líquida de vagas para um mês de maio desde 2020, além de evidências de desaceleração dos salários. Os números reforçaram a percepção de arrefecimento da atividade econômica e ampliaram as apostas de continuidade do ciclo de cortes da Selic. Após a divulgação dos dados, o mercado elevou a probabilidade de uma nova redução de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom, aproximando-a de 70%. Os contratos curtos chegaram a operar abaixo da marca psicológica de 14%, enquanto toda a curva apresentou fechamento. Mesmo com essa queda diária das taxas, o comportamento acumulado do mês evidenciou uma inclinação da curva, movimento compatível com um ciclo de afrouxamento monetário em curso, no qual os vértices curtos acompanham a queda da Selic enquanto os prêmios mais longos permanecem elevados diante das incertezas estruturais. No ambiente internacional, a continuidade do recuo do petróleo ajudou a sustentar o otimismo. Já o leilão de NTN-Bs teve impacto limitado, refletindo o baixo apetite dos investidores por títulos indexados à inflação naquele momento.
Após sete sessões consecutivas de fechamento da curva, o mercado de juros passou por uma forte realização de lucros e reprecificação dos riscos políticos, levando a uma abertura expressiva das taxas principalmente nos vértices mais longos. O pregão começou de forma relativamente tranquila, mas a dinâmica mudou significativamente durante a tarde, quando passaram a circular no mercado especulações envolvendo possíveis novas denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro. O episódio elevou a percepção de risco eleitoral e reduziu o otimismo que vinha sendo construído em torno da candidatura do parlamentar, vista por parte dos investidores como associada a uma eventual agenda fiscal mais austera. Paralelamente, contribuiu para a piora do humor a divulgação de pesquisa eleitoral mostrando vantagem confortável de Lula em um eventual segundo turno. No cenário internacional, a alta dos rendimentos dos Treasuries também adicionou pressão sobre a curva brasileira. Ao mesmo tempo, relatórios de instituições financeiras passaram a demonstrar maior cautela quanto ao ritmo de flexibilização monetária, citando o balanço assimétrico dos riscos inflacionários. O resultado foi uma forte abertura da curva, especialmente nos vencimentos intermediários e longos, refletindo o retorno das preocupações fiscais e políticas ao centro das atenções dos investidores.
O movimento de abertura da curva ganhou continuidade, mesmo diante de indicadores internacionais teoricamente favoráveis ao mercado de renda fixa. Nos Estados Unidos, o payroll veio significativamente abaixo do esperado, sugerindo desaceleração da economia americana. Ainda assim, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano permaneceram elevados, limitando o impacto positivo sobre os ativos brasileiros. Parte da explicação veio do mercado japonês, onde rumores e ameaças de intervenção cambial pelo governo para conter a desvalorização do iene geraram uma reprecificação das curvas globais e contribuíram para um movimento de inclinação das taxas internacionais. No cenário doméstico, permaneceram presentes as preocupações com a trajetória fiscal e com a evolução da disputa eleitoral. Além disso, o Tesouro Nacional realizou um leilão robusto de títulos prefixados, ampliando a oferta de risco ao mercado. A forte colocação de LTNs e NTN-Fs foi totalmente absorvida pelos investidores, mas acabou pressionando os juros futuros ao longo do pregão. Dessa forma, mesmo sem novos fatos políticos relevantes, a combinação entre fatores externos, oferta expressiva de títulos públicos e persistência das preocupações fiscais manteve o viés de alta nas taxas, sobretudo nos vencimentos mais longos.
Os juros futuros devolveram parte da alta acumulada nos dois pregões anteriores, encerrando a semana em movimento de fechamento da curva. O pregão ocorreu sob liquidez reduzida devido ao feriado antecipado do Dia da Independência dos Estados Unidos, fator que amplificou as oscilações dos ativos. Entre os principais gatilhos para a queda das taxas estiveram a valorização do real frente ao dólar, a divulgação de dados fracos da indústria brasileira e declarações do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. A produção industrial de maio apresentou retração de 0,2%, contrariando expectativas de crescimento e reforçando a percepção de desaceleração econômica no segundo trimestre. Já Ceron afirmou que o Tesouro Nacional está preparado para atuar no mercado caso seja necessário preservar a liquidez, incluindo a possibilidade de recompras mais agressivas de títulos públicos. As declarações foram interpretadas como um sinal de suporte ao funcionamento do mercado de renda fixa e contribuíram para melhorar o sentimento dos investidores. Apesar da correção positiva no dia, a semana encerrou com a curva mais inclinada do que no início, refletindo o peso das preocupações fiscais e eleitorais que voltaram a ganhar espaço na formação dos preços. O mercado continuou atribuindo elevada probabilidade a um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de agosto do Copom, mas manteve cautela em relação ao comportamento dos juros de longo prazo.
Fonte: Broadcast
Duration (Duração)
A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.
Convexidade
A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:
Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos monetários.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).
Observações:
Fonte: Broadcast
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