Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros.
Ao longo da semana, o mercado de renda fixa foi marcado por elevada volatilidade, mas encerrou o período com fechamento relevante da curva de juros, especialmente nos vértices mais longos. No início da semana, a surpresa negativa do IBC-Br reforçou a percepção de desaceleração da atividade econômica e sustentou as apostas de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic pelo Copom. No cenário externo, as movimentações dos Treasuries foram o principal direcionador dos ativos domésticos, alternando momentos de alívio e pressão conforme o mercado avaliava o aumento das preocupações fiscais nos Estados Unidos, o programa de recompra de títulos do Tesouro americano e a marca histórica de US$ 40 trilhões da dívida pública do país. Paralelamente, a escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, elevando os riscos inflacionários globais e limitando o fechamento das taxas em alguns momentos. No mercado local, os investidores também monitoraram o avanço de pautas com potencial impacto inflacionário, como a PEC do fim da escala 6×1, e a evolução do cenário eleitoral para 2026. Na reta final da semana, a combinação de rumores de pesquisas eleitorais mais favoráveis a um cenário percebido como fiscalmente mais conservador e o enfraquecimento global do dólar provocou forte redução dos prêmios de risco, levando a uma queda expressiva das taxas longas. Com isso, apesar do ambiente externo desafiador, a curva brasileira perdeu inclinação e consolidou uma percepção mais favorável para a continuidade do processo de flexibilização monetária.
Destaques: Eleições, Treasuries, Petróleo.
| O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior. Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de 31,3 para 11,3 pontos-base. Para as próximas 3 reuniões do Copom,a expectativa de corte aumentou de -8 para -21 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 13,69%, ante 13,82% na semana anterior. |
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)
| Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 13,65%, equivalente a -25 pontos-base de corte. . Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -200 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a.. |
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,02% para 5,01%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,24% para 4,25%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 13,75%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.
O mercado de juros iniciou a semana com fechamento das taxas futuras em queda, mas longe das mínimas observadas ao longo do pregão. Pela manhã, os contratos de DI reagiram ao resultado mais fraco do IBC-Br de junho, que recuou 0,64%, abaixo das expectativas do mercado, reforçando a percepção de desaceleração da atividade econômica e aumentando as apostas de continuidade do ciclo de flexibilização monetária. Esse cenário levou os investidores a ampliar as expectativas de um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de setembro do Copom. No entanto, durante a tarde, a forte alta do petróleo, impulsionada pelo agravamento das tensões no Oriente Médio e pelas declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz, provocou uma recuperação parcial das taxas. A disparada do barril Brent para acima de US$ 90 elevou preocupações inflacionárias globais, pressionando os rendimentos dos Treasuries e reduzindo parte do fechamento da curva doméstica. Apesar desse movimento, prevaleceu a interpretação de que a atividade econômica brasileira está perdendo força, o que mantém espaço para novos cortes de juros, embora riscos relacionados ao petróleo, ao câmbio e a possíveis choques climáticos continuem compondo o balanço inflacionário monitorado pelo Banco Central.
Os juros futuros apresentaram comportamento relativamente estável durante grande parte do dia, mas a ponta longa da curva encerrou o pregão com leve alta, destoando do movimento observado nos títulos do Tesouro americano. O mercado permaneceu atento ao cenário internacional, especialmente após os rendimentos dos títulos públicos de 30 anos dos Estados Unidos e da Europa terem atingido os maiores níveis em mais de quinze anos, refletindo preocupações crescentes com a deterioração fiscal nas principais economias. No Brasil, chamou atenção o leilão de NTN-B realizado pelo Tesouro Nacional, que movimentou cerca de R$ 5,2 bilhões, o maior volume desde maio, evidenciando forte demanda por proteção inflacionária. Além dos fatores globais, investidores passaram a incorporar riscos domésticos de caráter político e fiscal, incluindo o avanço da PEC que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, medida vista pelo mercado como potencialmente inflacionária. O cenário eleitoral também ganhou relevância, contribuindo para uma inclinação maior da curva de juros. Mesmo com esses elementos de cautela, o mercado seguiu majoritariamente apostando em um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, embora a probabilidade de manutenção tenha aumentado marginalmente diante das incertezas fiscais e políticas.
A curva de juros brasileira registrou forte fechamento ao longo da sessão, acompanhando um expressivo movimento de queda nos rendimentos dos Treasuries após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar a ampliação do programa de recompra de títulos longos, dobrando seu limite de atuação. A medida foi interpretada como uma tentativa de aliviar as pressões observadas recentemente sobre as taxas longas americanas, que haviam alcançado os níveis mais elevados desde 2007. O alívio internacional dominou o comportamento dos ativos domésticos, levando os contratos de DI mais longos a recuarem mais de 10 pontos-base. A divulgação da ata do Federal Reserve teve impacto limitado, embora tenha confirmado que parte relevante dos dirigentes da autoridade monetária americana defendia juros mais altos na reunião anterior. Ainda assim, os investidores consideraram mais importantes os dados recentes de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho dos Estados Unidos, que vêm indicando moderação e reduzindo a necessidade de novos apertos monetários. No Brasil, a ausência de notícias domésticas relevantes deixou o mercado ainda mais dependente do ambiente externo. Apesar da melhora do dia, persistiram preocupações com o elevado endividamento público americano, a preferência dos investidores por prazos mais curtos e os riscos associados ao conflito no Oriente Médio, que continuaram sustentando os preços do petróleo em níveis elevados.
Os juros futuros voltaram a subir em toda a curva, revertendo parte do forte fechamento observado na véspera. O principal fator foi a retomada da pressão sobre os Treasuries, após o mercado voltar suas atenções para a crescente deterioração fiscal dos Estados Unidos. A notícia de que a dívida pública americana ultrapassou a marca histórica de US$ 40 trilhões reforçou o receio dos investidores quanto à sustentabilidade fiscal de longo prazo, elevando os rendimentos dos títulos soberanos e contaminando as curvas globais de juros. Avaliou-se que o programa de recompra de títulos anunciado pelo Tesouro americano possuía alcance limitado frente ao tamanho do mercado de dívida do país, reduzindo seu potencial de estabilização. No Brasil, a agenda econômica permaneceu esvaziada, o que manteve a forte dependência dos fatores externos para a formação de preços. Ainda assim, o mercado continuou acreditando na possibilidade de mais um corte de 0,25 ponto percentual da Selic, apoiado pelos sinais recentes de desaceleração da atividade econômica e pelas surpresas benignas nos indicadores de inflação. Em contrapartida, a escalada do petróleo, com o Brent se aproximando de US$ 94 por barril em meio ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã, adicionou um elemento de cautela ao cenário, por representar potencial fonte de pressão inflacionária futura.
O mercado de juros encerrou a semana com forte fechamento da curva, especialmente nos vencimentos mais longos, que registraram queda próxima de 20 pontos-base. Diferentemente dos dias anteriores, o movimento ocorreu mesmo diante da abertura dos Treasuries, evidenciando a predominância de fatores domésticos sobre o ambiente internacional. A principal narrativa foi a melhora da percepção dos investidores em relação ao cenário eleitoral brasileiro. Rumores de pesquisas e levantamentos internos indicaram redução da vantagem do presidente Lula e aumento da competitividade do senador Flávio Bolsonaro, considerado por parte do mercado como um candidato potencialmente mais comprometido com o ajuste fiscal. Além disso, a divulgação de nomes ligados à equipe econômica de sua campanha reforçou essa leitura. O fortalecimento dessa perspectiva provocou uma redução dos prêmios de risco embutidos na curva de juros, especialmente nos prazos longos, mais sensíveis às expectativas de política fiscal. Outro fator positivo foi a expressiva desvalorização global do dólar, que contribuiu para aliviar pressões inflacionárias e apoiar os ativos domésticos. Como resultado, a curva brasileira perdeu inclinação ao longo da semana, encerrando o período em patamares significativamente inferiores aos observados nos vértices intermediários e longos na abertura dos negócios de segunda-feira.
Fonte: Broadcast
Duration (Duração)
A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.
Convexidade
A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:
Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos monetários.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).
Observações:
Fonte: Broadcast
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