Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros Curtas
O mercado de renda fixa apresentou uma semana marcada por movimentos distintos entre os vértices curtos e longos da curva de juros. No início da semana, predominou a cautela diante das incertezas geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e da falta de catalisadores relevantes no cenário doméstico. Na terça-feira, a perspectiva de distensão no Estreito de Ormuz provocou forte queda do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, estimulando uma expressiva retirada de prêmios da curva brasileira. Na sequência, o IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,4%, enquanto indicadores de atividade e emprego passaram a reforçar a percepção de desaceleração da economia doméstica, sustentando as apostas de corte adicional da Selic pelo Copom. O leilão de títulos prefixados realizado pelo Tesouro Nacional na quinta-feira contou com forte demanda e ajudou a reduzir os prêmios nos vencimentos intermediários. Contudo, ao final da semana, a combinação entre um discurso mais conservador do Federal Reserve em Jackson Hole, a abertura dos juros americanos e a volta das preocupações fiscais domésticas, após sinalizações sobre o Orçamento de 2027, pressionou os vértices mais longos da curva. Como resultado, observou-se um movimento de inclinação da estrutura a termo, com queda dos juros curtos, refletindo expectativas de flexibilização monetária, e alta dos juros longos, refletindo principalmente o aumento do prêmio fiscal e o ambiente externo mais desafiador.
Destaques: Fiscal, Fed, IPCA.
| O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior. Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de 31,3 para 11,3 pontos-base. Para as próximas 3 reuniões do Copom,a expectativa de corte aumentou de -8 para -21 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 13,69%, ante 13,82% na semana anterior. |
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)
| Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 13,65%, equivalente a -25 pontos-base de corte. . Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -200 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a.. |
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,02% para 5,01%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,24% para 4,25%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 13,75%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.
O mercado de juros iniciou a semana em ritmo lento e com baixa convicção dos investidores. Apesar da expectativa em torno do anúncio do secretário do Tesouro dos EUA, Scot Bessent, sobre a operação de isolamento econômico do Irã (“Economic Outcast”), a ausência de detalhes concretos sobre quais países, bancos ou instituições seriam atingidos limitou a reação dos ativos globais e domésticos. Os DIs oscilaram pouco e apresentaram leve alta nos vértices intermediários e longos, refletindo um ambiente de incerteza tanto no cenário externo quanto no doméstico. No Brasil, as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante a Febraban Tech tiveram caráter institucional e não trouxeram novidades para a política monetária. O Boletim Focus também não alterou significativamente as expectativas do mercado. O cenário político-eleitoral brasileiro, ainda bastante indefinido, continuou dificultando posicionamentos mais agressivos dos investidores. Ao final do dia, a curva mantinha praticamente intacta a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, com probabilidade próxima de 88%, enquanto o mercado seguia monitorando possíveis desdobramentos geopolíticos envolvendo o Oriente Médio e seus impactos sobre inflação e atividade global.
A curva de juros apresentou fechamento expressivo ao longo de praticamente todos os vencimentos, impulsionada principalmente pela melhora do ambiente internacional. As expectativas de normalização da navegação no Estreito de Ormuz ganharam força após notícias indicando um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, além da criação de um corredor marítimo temporário envolvendo Irã e Omã. Esse movimento provocou forte queda nos preços do petróleo, que recuaram mais de 3% durante o pregão e chegaram a acelerar perdas para cerca de 5% no mercado eletrônico. Com a redução dos riscos inflacionários globais, os rendimentos dos Treasuries também caíram de forma relevante, favorecendo a retirada de prêmios das curvas de juros ao redor do mundo. No mercado doméstico, os DIs acompanharam esse movimento e registraram fechamento próximo de 10 pontos-base em alguns vencimentos intermediários. Mesmo a segunda maior emissão de NTN-B do ano pelo Tesouro Nacional não teve capacidade de interromper a melhora dos ativos. As expectativas para a reunião de setembro do Copom permaneceram praticamente inalteradas, mas aumentou a percepção de que poderia haver uma nova redução da Selic em novembro, ainda que essa hipótese permanecesse minoritária. O dia reforçou a leitura de que fatores globais continuavam exercendo forte influência sobre os juros brasileiros.
O mercado de juros apresentou comportamento bastante equilibrado, com os principais movimentos concentrados na parte da manhã. No cenário doméstico, o IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,4%, resultado amplamente esperado e influenciado por componentes voláteis, sem alterar substancialmente as perspectivas para a política monetária. A leitura qualitativa, entretanto, trouxe atenção para a aceleração dos serviços subjacentes, um indicador acompanhado de perto pelo Banco Central, que continuou mostrando inflação persistente próxima de 5% em termos anuais. No exterior, o principal destaque foi o índice de inflação de gastos com consumo pessoal (PCE) dos Estados Unidos, que veio acima do esperado, elevando os rendimentos dos Treasuries e eliminando boa parte do alívio inicial observado nos DIs brasileiros. Assim, a curva doméstica terminou próxima da estabilidade, com pequenas oscilações positivas e negativas ao longo dos vértices. O mercado avaliou que nem o IPCA-15 nem o PCE foram suficientes para alterar de forma relevante o cenário central de política monetária. As apostas seguiram fortemente concentradas em um corte de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, enquanto a possibilidade de novas reduções posteriormente permaneceu mais dependente da evolução da atividade econômica, da inflação de serviços e dos riscos externos relacionados aos conflitos geopolíticos.
A sessão foi marcada por um movimento consistente de fechamento dos juros, especialmente no curto e médio prazo, impulsionado por fatores predominantemente domésticos. O principal destaque foi o resultado do leilão de títulos prefixados promovido pelo Tesouro Nacional, que contou com aceitação integral dos lotes ofertados e apresentou taxas de venda abaixo das expectativas do mercado. A forte demanda pelos papéis foi interpretada como sinal positivo para a absorção do risco fiscal e para o funcionamento do mercado de renda fixa, provocando redução dos prêmios exigidos pelos investidores. Apesar da pressão vinda do exterior, com avanço dos juros dos Treasuries e alta do petróleo, prevaleceu a avaliação de que o ambiente doméstico vinha melhorando gradualmente. O IPCA-15 divulgado no dia anterior continuava favorecendo uma visão mais construtiva para a inflação, enquanto o retorno do fluxo estrangeiro à Bolsa reforçava a percepção de melhora dos ativos brasileiros. Além disso, a XP Investimentos revisou para baixo sua projeção para a Selic ao final de 2026, citando sinais mais claros de desaceleração do PIB e de desinflação. Indicadores como o superávit primário de julho e a queda marginal da taxa de desemprego não tiveram impacto relevante sobre a curva. O resultado final foi uma redução dos prêmios em grande parte da estrutura a termo, sobretudo até os vencimentos intermediários.
O último pregão da semana foi marcado por um aumento da inclinação da curva de juros. Enquanto os contratos de curto prazo continuaram fechando em função dos sinais de desaceleração da economia, os vencimentos mais longos passaram por forte abertura de taxas, refletindo preocupações fiscais e influência do cenário internacional. Pela manhã, o discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, em Jackson Hole foi interpretado como mais conservador, impulsionando os rendimentos dos Treasuries e pressionando as curvas globais. No Brasil, o Caged de julho surpreendeu negativamente ao mostrar geração líquida de empregos muito abaixo das expectativas, reforçando a percepção de esfriamento do mercado de trabalho e aumentando o conforto para novos cortes da Selic no curto prazo. No entanto, os vértices longos reagiram ao aumento das preocupações fiscais após declarações relacionadas ao Projeto de Lei Orçamentária de 2027, que indicaram crescimento relevante das despesas discricionárias. Investidores passaram a exigir prêmio maior para financiar a dívida pública de longo prazo, intensificando a abertura das taxas mais distantes. O mercado também continuou absorvendo a grande emissão de títulos prefixados realizada pelo Tesouro no dia anterior, elevando a sensibilidade dos preços. No saldo da semana, consolidou-se uma curva mais inclinada: os juros curtos recuaram diante da desaceleração da inflação e da atividade, enquanto os juros longos permaneceram pressionados pelos riscos fiscais e pelo cenário externo mais desafiador.
Fonte: Broadcast
Duration (Duração)
A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.
Convexidade
A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:
Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos monetários.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).
Observações:
Fonte: Broadcast
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