Em um ambiente de forte queda nas projeções para a atividade econômica, o mercado passou a projetar três cortes consecutivos da Selic ainda em 2019, a partir de setembro, terminando o ano em 5,75%, de estimativa de 6,50% na Focus anterior. As estimativas para a Selic em 2020 passaram de 7,00% para 6,50%. A Focus mostrou ainda nova revisão para baixo para o PIB deste ano, a 16ª queda consecutiva, agora de 1,00% para 0,93%. Há quatro semanas a estimativa de crescimento era de 1,24%. Para 2020 o mercado alterou a previsão de expansão de 2,23% para 2,20%. Houve alteração também na previsão para o IPCA de 2019, que passou de alta de 3,89% para elevação de 3,84%. Há um mês estava em 4,07%. A projeção para a inflação está abaixo da meta de 2019, de 4,25%. A projeção para 2020 seguiu em 4,00%.
A sinalização do Banco Central de que pode iniciar um processo de afrouxamento monetário condicionado à aprovação da reforma da Previdência, a redução das projeções de inflação e o reconhecimento pelo Copom de que o processo de recuperação econômica foi interrompido e o quadro de afrouxamento monetário global renovaram o apetite dos investidores por mais risco. Os juros futuros tiveram um ajuste importante e já projetam corte da Selic em julho. Esse cenário contempla aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara antes do recesso parlamentar que começa em 18 de julho.
A derrota do governo com a derrubada do decreto de porte de armas, o depoimento do ministro da Justiça na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e o pedido de demissão do presidente do BNDES não chegaram a pesar nos negócios, uma vez que o mercado avaliou que a pauta de reformas está preservada.
Como esperado, o Fed manteve os juros inalterados na faixa entre 2,25% e 2,50%, mas houve sinalizações lidas como “dovish” para as próximas reuniões, como medianas mais baixas para inflação e juros. Além disso, neste encontro, nove dirigentes votaram a favor da manutenção dos juros e um apoiou corte de 25 bps. Destacou-se ainda a retirada do termo “paciência” que vinha aparecendo nos textos recentes quando o Fed se referia a futuros movimentos nas taxas. Depois do comunicado as apostas em um corte na taxa de juros americana no mês que vem aumentaram. O resultado abaixo do esperado do PMI, o nível mais baixo em nove anos, reforçou a perspectiva de redução dos juros nos EUA.
O mercado viu na confirmação do presidente dos EUA de que vai se reunir com o presidente chinês no fim deste mês no G-20 sinais de que um acordo entre as partes pode estar mais próximo, o que reduziria os temores de guerra comercial e, consequentemente, os riscos para a economia global.
Cresceu a expectativa de futuros cortes nas taxas de juros nos próximos meses em países com economias desenvolvidas. Após sinalizações dovish do Fed e do BCE, que afirmou que a instituição poderá promover novos cortes de juros ou retomar compras líquidas de ativos se a inflação na zona do euro não acelerar, os bancos centrais da Inglaterra e do Japão indicaram, após decisão de manutenção de juros, que podem realizar cortes no futuro.
Fonte: Broadcast.