Análise Semanal de Renda Fixa
02/08/2019 à 09/08/2019

Semana 55

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP®

A pesquisa Focus mostrou que o mercado ajustou suas apostas para a Selic de 2019 de 5,50% para 5,25% ao ano. Para 2020 a estimativa continuou em 5,50%. As projeções para o IPCA 2019 e 2020 permaneceram em 3,80% (meta de 4,25%) e 3,90% (meta de 4%) respectivamente. O comunicado do Copom, considerando o cenário de mercado, apontou para inflação de 3,6% em 2019 e 3,9% em 2020. A estimativa para crescimento do PIB em 2019 seguiu em 0,82% e para 2020 em 2,10%.

Após o tom ‘dovish’ do comunicado do Copom, a curva de juro a termo passou a precificar maior chance de novo corte de 0,50 pp da Selic em setembro. Os estrangeiros reduziram a posição líquida ‘comprada’ em taxa de juro, ou seja, uma redução na aposta de alta na taxa em seis sessões seguidas. A ata repetiu que “o cenário externo evoluiu de maneira benigna”, que os riscos associados à desaceleração global permanecem, que “a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo” e avaliou que a reforma da Previdência “contribui para redução gradual da taxa de juros estrutural da economia”. A taxa estrutural é aquela que, em tese, não gera inflação e permite o crescimento econômico.

Embora o IPCA de julho tenha acelerado 0,19%, o dado ficou abaixo da mediana (0,25%) e o IPCA em 12 meses ficou em 3,22%, abaixo também da mediana das projeções (3,28%), quase 1 ponto porcentual aquém da meta de inflação de 4,25%. O IGP-DI registrou ligeiro recuo de 0,01% em julho, ante um aumento de 0,63% em junho, abaixo do piso do intervalo das previsões que estimavam uma alta entre 0,11% e 0,37%, com mediana positiva de 0,30%. A taxa acumulada em 12 meses ficou em 5,56%. O resultado das vendas no varejo em junho mais fracas do que o esperado, alta de 0,1% ante maio, abaixo da mediana (+0,5%), reforçou a fragilidade da recuperação da atividade econômica. O resultado do setor de serviços abaixo do piso das previsões foi mais um argumento a favor daqueles que defendem uma postura mais agressiva do BC na Selic. Nesse ambiente, as apostas de que a Selic será reduzida em mais 0,50 pp em setembro vão se consolidando.

O Bradesco cortou a expectativa para a Selic deste ano e do seguinte para 5,0%. No entanto, pondera que se a recuperação da atividade econômica seguir frustrando e as projeções de inflação permanecerem abaixo do centro da meta, não descarta a possibilidade de o juro básico cair para uma marca inferior a 5,0% em 2019. A Quantitas Asset reduziu sua projeção para Selic no fim do ciclo de queda de 5% para 4,75%.

Houve um movimento generalizado de aversão ao risco com o aumento da tensão comercial entre EUA e China, com o dólar rompendo a marca psicológica dos 7 yuans pela primeira vez desde 2008. E em meio ao bombardeio do governo americano, que acusou os chineses de “manipulação cambial”, o Banco do Povo da China (PBoC) não permitiu maior valorização do yuan, o que não sinaliza o risco de que o governo de Pequim está depreciando sua moeda como represália a decisão do presidente americano de impor tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões de importados do país asiático. Isso amenizou os temores de que as disputas comerciais descambassem para uma “guerra cambial”, o que abalaria a economia global. A deterioração da disputa comercial entre Washington e Pequim leva investidores internacionais a estimar uma desaceleração maior do que o esperado para as economias americana e do mundo, o que pode gerar uma inflação ainda menor nos EUA no curto prazo e levar o Fed a cortar os juros com maior intensidade neste segundo semestre.

Preocupações renovadas sobre o enfraquecimento da atividade econômica global, alimentada pela falta de perspectiva de um acordo comercial entre China e EUA, levaram os Bancos Centrais da Índia, Nova Zelândia, Tailândia, Peru e Filipinas a cortarem os juros, reforçando ainda mais a percepção de que uma recessão mundial pode estar cada vez mais próxima. O dado de produção industrial da Alemanha apresentou o pior desempenho em uma década e levou o yield do Bund alemão de dez anos a renovar mínima histórica. Para o banco americano JPMorgan, a piora esta semana dos riscos para o crescimento ao redor do mundo sinaliza que os países estão apenas no começo do ciclo de corte de juros. A previsão é que a tensão comercial entre a China e EUA vai piorar antes de dar sinais de melhora. Nesse ambiente, os economistas do JP preveem que 20 dos 33 bancos centrais acompanhados pela instituição devem começar 2020 reduzindo juros. O estrategista de taxas do BMO Capital Markets reiterou que a extensão da dívida com rentabilidade negativa no mundo é “notável”, atualmente em US$ 14,95 trilhões, que devem aumentar com as expectativas de flexibilização adicional.


Semana de 12 a 16 de agosto

No âmbito doméstico, as atenções estarão sobre as discussões das reformas no Congresso. O texto da Previdência já está no Senado, enquanto na Câmara avança o debate sobre a proposta tributária. Entre os dados econômicos, a agenda contempla o IBC-Br e a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho apurada na Pnad Contínua.

No exterior, as negociações entre China e EUA para um acordo comercial seguirão no radar, assim como a movimentação do Banco do Povo da China (PBoC) em possíveis novas intervenções no câmbio. O calendário de indicadores traz índices de inflação e da indústria nos EUA e na China, referentes a julho. “Os dados de atividade econômica de julho nos dois países devem dar o tom da atividade econômica no início do 3º trimestre. Ainda livre dos efeitos do recente anúncio de aumento de tarifas, os dados norte-americanos de inflação em julho também serão importantes para monitorar os próximos passos do Fed.

Também a Europa reserva dados relevantes da economia da zona do euro, como a segunda prévia do PIB do segundo tri da região e também o da Alemanha.


Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa

Estruturas a Termo de Taxas de Juros Anbima (Curvas de Juros)

Gráfico de Retorno versus Risco Renda Fixa - Tesouro Direto

Rendimentos da Renda Fixa nominais brutos do Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar e CDI

Rentabilidades da Renda Fixa (Tesouro Direto) em %CDI

Características do Tesouro Direto: Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

Volatilidade da Renda Fixa (Risco de Mercado) Tesouro Direto, Ibovespa e Dólar

Comportamento das Taxas para Renda Fixa - Tesouro Direto