Análise Semanal de Renda Fixa
30/08/2019 à 06/09/2019

Semana 59

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP®

O relatório Focus teve como destaque a revisão para baixo das projeções para o IPCA de 2019 para 3,59% ante 3,65% e a projeção para o índice em 2020 seguiu em 3,85%. As estimativas para alta do PIB para 2019 subiram de 0,80% para 0,87%. Para 2020, o mercado manteve a previsão de alta do PIB em 2,10%. As estimativas para a Selic no fim de 2019 foram mantidas em 5,00% e para 2020 em 5,25%.

A inflação medida pelo IPCA fechou agosto com alta de 0,11% ante um avanço de 0,19% em julho, praticamente em linha com a mediana das estimativas (+0,10%) e intervalo que ia de 0,07% a 0,24%. O IPCA em 12 meses ficou em 3,43%, dentro das projeções, que iam de 3,39% a 3,52%, com mediana de 3,42%. O cenário de inflação comportada corroborou com as apostas do mercado sobre os cortes da Selic, onde a maioria continua apostando em corte de 0,50 pp da taxa no Copom de setembro, para 5,50%.

O fraco desempenho da produção industrial, caiu 0,3% em julho ante junho, bem abaixo da mediana esperada que era positiva em 0,45%, a quinta queda em sete meses, provocou um ajuste na percepção sobre o crescimento doméstico, fazendo com que as apostas de cortes mais intensos da Selic voltassem a ganhar espaço na curva a termo, indicando de forma majoritária chance de novo corte de 0,50 ponto da taxa básica neste mês.

O presidente do BC lembrou durante participação em evento em Brasília, que tem ocorrido um movimento de revisão para baixo do crescimento das principais economias do mundo. “As curvas de juros estão precificando queda de juros em todas as economias e isso tem se acentuado nas últimas semanas”. Reafirmou ainda que a inflação no Brasil está sob controle, “bastante ancorada no curto, no médio e no longo prazo”. Campos Neto repetiu ideia contida em comunicações recentes do BC: a de que a instituição deixou espaço para queda adicional da Selic. Falou também sobre a possibilidade de redução estrutural dos depósitos compulsórios.

A pesquisa Datafolha que mostrou aumento da rejeição do presidente do Brasil de 33% em levantamento anterior para 38% agora foi absorvida sem afetar os preços dos ativos. A leitura do mercado foi que não trouxe novidades, mas admitiu que entrou no radar por atestar risco ao capital político necessário para a aprovação das reformas planejadas pela área econômica no Congresso.

Após sete semanas consecutivas acumulando altas em relação ao real, o dólar encontrou espaço para terminar a semana com desvalorização de 1,51%, influenciado pela leitura de que o enfraquecimento da economia global manterá a onda de afrouxamento monetário ao redor do mundo, incluindo nos EUA. A percepção de um corte de 25 bps do juro básico pelo Fed foi consolidada pela criação de vagas abaixo do previsto em agosto, conforme mostrou o payroll. E essa desvalorização da divisa dos EUA contribuiu com as expectativas de queda de 0,50 pp da Selic embutidas na curva a termo de juros.

O relatório de emprego dos EUA, que tem forte influência na política monetária do Fed, mostrou criação de emprego de 130 mil em agosto, abaixo da estimativa de 150 mil. Os números de criação de postos de trabalho dos dois meses anteriores foram revisados para baixo: em julho, de 164 mil para 159 mil e em junho, de 193 mil para 178 mil. A taxa de desemprego não se alterou em relação ao mês anterior, permanecendo em 3,7% como se esperava. Por outro lado, o salário médio por hora aumentou mais do que o esperado em agosto, com avanço mensal de 0,39% e acréscimo anual de 3,2%, mas ficou em segundo plano e não alterou as apostas no corte de juros. Os contratos futuros negociados na CME continuam sugerindo que o Fed cortará juros em 0,25 pp neste mês e em um total de 0,50 ponto até o fim do ano.

No vaivém das negociações comerciais entre China e EUA, o Ministério de Comércio chinês anunciou que enviará representantes para Washington em outubro para uma nova rodada de negociações comerciais. Mesmo com as incertezas ainda em jogo, o mercado olhou o possível avanço com otimismo.

Outras notícias positivas na semana foram: PMIs benignos na China e informação de que o governo de Hong Kong retirou a lei de extradição, que causava os protestos no país nas últimas semanas. O parlamento britânico aprovou lei que impede um Brexit sem acordo. O Livro Bege do Fed traçou cenário relativamente positivo para a economia dos EUA, mas voltou a destacar preocupações com as tarifas entre americanos e chineses e a própria política comercial do presidente Trump. Vários diretores do Fed deram declarações indicando que o processo de suavização monetária nos EUA deve continuar.

Semana de 09 a 13 de setembro

Destaque para uma série de indicadores econômicos na China, entre eles de inflação e comércio exterior. Também saem índices de preços nos EUA, que devem ajudar a calibrar as apostas para a decisão do Fed nos dias 17 e 18 de setembro.

Na Europa, o ponto alto da agenda é a reunião do BCE. “Há expectativa de um corte de 0,1% na taxa de depósito e anúncio de ampliação do programa de Quantitative Easing. O BCE busca fazer frente à forte desaceleração da economia da área do Euro. Também saem números da produção industrial na zona do euro e de inflação na Alemanha.

A atenção do mercado estará ainda sobre o Reino Unido, após o Parlamento decidir que o país não poderá sair da União Europeia sem o fechamento de um acordo. O prazo para o chamado Brexit expira em 31 de outubro. Caso não haja acordo, um projeto de lei aprovado prevê adiamento.

No Brasil, a movimentação em torno da agenda de reformas em Brasília segue no foco dos mercados. Num cenário bastante otimista, é possível que haja a votação em primeiro turno da reforma da Previdência no plenário do Senado nessa semana. A princípio, a primeira votação continua marcada para o dia 24. Entre os indicadores, serão divulgadas a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e o IBC-Br calculado pelo Banco Central referentes ao mês de julho.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa

Estruturas a Termo de Taxas de Juros Anbima (Curvas de Juros)

Gráfico de Retorno versus Risco Renda Fixa - Tesouro Direto

Rendimentos da Renda Fixa nominais brutos do Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar e CDI

Rentabilidades da Renda Fixa (Tesouro Direto) em %CDI

Características do Tesouro Direto: Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

Volatilidade da Renda Fixa (Risco de Mercado) Tesouro Direto, Ibovespa e Dólar

Comportamento das Taxas para Renda Fixa - Tesouro Direto