Análise Semanal de Renda Fixa
27/09/2019 à 04/10/2019

Resumo do Mercado de Renda Fixa: Semana 63

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

Os economistas do mercado financeiro alteraram suas projeções para a Selic no fim de 2019 e passaram a prever juros ainda menores. O Boletim Focus apontou que a mediana das previsões para a Selic este ano foi de 5,00% para 4,75% ao ano. Já a projeção para o fim de 2020 permaneceu em 5,00%. No grupo dos analistas que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo, a mediana da taxa básica em 2019 permaneceu em 4,75% ao ano. No caso de 2020 passou de 4,75% para 4,50%. A expectativa de crescimento da economia em 2019 seguiu em 0,87% e para 2020 o mercado manteve a previsão de alta do PIB em 2,00%. A mediana para o IPCA este ano passou de alta de 3,44% para elevação de 3,43% e a projeção para o índice em 2020 foi de 3,80% para 3,79%. 
 
O avanço da produção industrial (0,8% em agosto) acima da mediana das estimativas (0,2%) não alterou a expectativa de que a Selic deverá encerrar o ano abaixo de 5%, até porque a abertura da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) mostra que o resultado está longe de representar uma tendência firme de melhora.
 
O dólar acumulou desvalorização de 2,4% na semana. O enfraquecimento da moeda americana no exterior, a perspectiva de entrada de recursos com a oferta de ações e com o leilão do excedente da cessão onerosa do pré-sal marcado para novembro, fizeram a divisa baixar do nível de R$4,15 na segunda-feira para R$4,05.

A combinação de atividade global enfraquecida e dólar perto da mínima, na casa de R$ 4,05 que é o menor valor desde 13 de setembro, fez as taxas dos DIs testarem novas mínimas no Brasil, reforçando as apostas de uma Selic abaixo de 5% no fim deste ano, já com chance residual de ir para 4,5% no encontro do Copom de dezembro. Na pesquisa Focus, a mediana das previsões para a Selic este ano foi de 5,00% para 4,75% e a indicação é de que fique neste patamar até dezembro de 2020. 
 
Houve piora da percepção de risco do cenário político e fiscal causada pela tramitação mais difícil do que a esperada da reforma da Previdência no Senado, que foi aprovada mas com perda de economia em dez anos de R$ 76,4 bilhões e potencial de economia em torno de R$ 800 bilhões em dez anos, além do atraso no cronograma de votação em segundo turno que, pela sinalização dos líderes no Congresso, só será depois do dia 22.
 
A leitura a partir dos dados de emprego dos EUA, de que a economia americana não está tão fraca como sugeriram o dado de serviços do Instituto para Gestão da Oferta (ISM) na sequência de outros dois do setor industrial, reduziram as chances de dois cortes de juros pelo Fed em 2019. Segundo o relatório oficial do mercado de trabalho (payroll), no mês passado ocorreu a criação líquida de 136 mil vagas, abaixo dos 150 mil postos que era a mediana das estimativas do mercado. A taxa de desemprego recuou de 3,7% em agosto para 3,5%, a menor em quase 50 anos. Houve uma revisão total de 45 mil empregos a mais em relação aos relatórios de julho e agosto. O salário médio por hora atingiu US$ 28,09 em setembro, uma queda de 0,04% em relação a agosto, o que representou uma alta de 2,9% em termos anuais, inferior à elevação de 3,2% prevista. Os contratos futuros dos Fed funds monitorados pelo CME Group passaram a embutir apenas uma redução das taxas pelo Fomc até o fim do ano, ante duas na véspera, e a aposta majoritária é a de que ela ocorra neste mês. O ajuste para apenas uma redução foi endossado pelo presidente do Fed, que avaliou que a economia dos EUA está “em um bom lugar”, embora enfrente alguns riscos, e reafirmou o compromisso de fazer “o que for necessário” para prolongar o quadro positivo na economia dos EUA.
 
Semana de 07 a 11 de outubro
 
Há grande expectativa em relação a um avanço nas negociações comerciais entre China e EUA em função do encontro entre representantes do alto escalão das duas potências esperado para os dias 10 e 11 em Washington. Na agenda é destaque ainda a publicação na quarta-feira da ata do encontro do Fed realizado em setembro, seguida de entrevista do presidente da instituição, Jerome Powell. Após a bateria de dados de atividade fracos dos EUA, ganham ainda mais relevância os índices de preços ao produtor e ao consumidor do país que serão conhecidos entre terça e quinta-feira.

No Brasil, a reforma da Previdência no Senado entra em modo de espera, após lideranças do governo no Congresso afirmarem que o segundo turno não ocorrerá antes do dia 22, frustrando as expectativas de que o processo seria concluído ainda na primeira quinzena de outubro. Entre os indicadores, são destaques o IPCA de setembro, a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) e a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), ambas de agosto.

O mercado aguarda a divulgação pelo IBGE de como ficará a ponderação do IPCA de acordo com a nova Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), prevista para sexta (11). A mudança tem potencial para ajustar as expectativas de inflação e, logo, as apostas para a Selic.
 
Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa

Estruturas a Termo de Taxas de Juros Anbima (Curvas de Juros)

Gráfico de Retorno versus Risco Renda Fixa - Tesouro Direto

Rendimentos da Renda Fixa nominais brutos do Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar e CDI

Rentabilidades da Renda Fixa (Tesouro Direto) em %CDI

Características do Tesouro Direto: Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

Volatilidade da Renda Fixa (Risco de Mercado) Tesouro Direto, Ibovespa e Dólar

Comportamento das Taxas para Renda Fixa - Tesouro Direto