Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 98

Highlights (Resumo):

Mais uma semana de Queda nas Taxas de Juros.

Principais vetores: Discursos dos Dirigentes do Bacen, Produção Industrial fraca e Ambiente externo favorável.

Destaque: Bacen.

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

O Relatório de Mercado Focus (dia 8) cortou novamente suas projeções para o PIB em 2020, o que respalda a aposta de corte de 75 pontos-base da Selic. A expectativa para a economia este ano passou de retração 6,25% para queda de 6,48%. Há quatro semanas a estimativa era de baixa de 4,11%. A mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 1,55% para 1,53%. Há um mês, estava em 1,76%. A projeção dos economistas para a inflação já está bem abaixo do centro da meta de 2020 (4,00%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%.

Os juros futuros encerraram a semana realizando lucros, mas sem alterações no quadro de apostas para o Copom, mantendo as chances majoritárias de corte de 0,75 pp da Selic neste mês. E já começam a surgir apostas para Selic abaixo de 2%, o que contribuiria também para o cumprimento da meta de inflação em 2021 (3,75%). Nas mesas de renda fixa, a trajetória foi vista mesmo como uma correção, e não como piora na percepção de risco, até porque o clima externo segue positivo e na seara política as tensões arrefeceram. No balanço da semana, a curva perdeu inclinação. Considerando os contratos de janeiro de 2027 e janeiro de 2022, o spread entre as taxas caiu de 377 pontos-base na última sexta feira (29) para 370 (dia 05).

Na sexta-feira (05), as taxas de curto prazo chegaram a operar em alta firme pela manhã, em reação a novas declarações consideradas menos dovish do diretor de Política Econômica do Banco Central, Fábio Kanczuk. Após a grande repercussão de sua fala na quarta-feira (03) ao sinalizar que o Brasil estaria bem distante da faixa de juros zero ou do “effective lower bound”, que o BC ainda poderia “usar a Selic” e que não vê 2,25% como “algo fixo” e que “não podemos cruzar”, nem como “lower bound”, o diretor afirmou que a queda da Selic é algo dinâmico, que dentro do Copom pessoas têm apetites diferentes para testar fronteira. “Minha visão sobre lower bound está longe de ser consensual no Copom”. Para ele, continuar baixando juro é “navegar em mares nunca antes navegados”. Mas acrescentou que, se o BC seguir baixando a Selic, continuará a ter efeito de aumento da inflação. Também descartou o uso de instrumentos que não sejam especificamente de política monetária.

Kanczuk disse também que usar uma operação “twist“, quando o BC compra títulos públicos de longo prazo e vende os papéis de curto prazo, ou “quantative easing”, que significa a adoção de um programa de compra de ativos, pode transferir risco para o câmbio. “Se o BC recomprar título irá tirar a duration da curva, fazendo twist. Intervenção na parte longa da curva seria só para evitar disfuncionalidade” e não por política monetária, explicou o diretor, acrescentando que o Copom avalia o juro neutro e o hiato o tempo todo.

As declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, foram monitoradas, mas vistas como um reforço à sinalização já emitida nos últimos dias. Campos Neto voltou a alertar que a volta da atividade econômica pós-pandemia será lenta e que o segundo trimestre deve ser “bem pior para o PIB”. Ele estimou ainda que este “fator medo”, que prejudica a volta da circulação, deve permanecer até meados do próximo ano e destacou os impactos da pandemia sobre o setor de serviços. Também reafirmou que a política monetária “não está exaurida”. O câmbio é flutuante, fazemos intervenção quando há gap de liquidez”, disse.

A produção industrial no Brasil confirmou a queda mais acentuada da série histórica do IBGE iniciada em 2002 ao recuar 18,8%, e embora o declínio tenha vindo menos intenso que a mediana, ajudou a reforçar as apostas em novo corte de 0,75 ponto da taxa Selic para 2,25% ao ano no Copom deste mês. Em abril, a produção caiu 18,8%, ficando perto do teto do intervalo das estimativas, de queda de 17,0%. O piso indicava recuo de 50,5% e a mediana, -31,7%. Em relação a abril de 2019, a produção caiu 27,2%, ficando também aquém da mediana de -38,65% (intervalo de -52,70% a -6,60%).

O ambiente externo positivo acompanhado de alívio nas tensões políticas locais abriu janela de oportunidade para o lançamento de títulos em dólares na primeira captação externa do governo deste ano e após a pandemia. A demanda pelos papéis chegou a US$ 18 bilhões na emissão e o Tesouro levantou US$ 3,5 bilhões em bonds com vencimento em cinco e dez anos. Com a demanda em alta, o governo brasileiro conseguiu captar com custos (taxa de remuneração) melhores do que as ofertadas ao longo do processo de precificação.

O dólar à vista fechou a sexta-feira (05) em R$ 4,9909, a primeira vez que a moeda americana termina abaixo de R$ 5,00 desde 26 de março. Na semana acumulou queda de 6,52%, a maior baixa semanal em quase 12 anos, desde os cinco dias encerrados em 31 de outubro de 2008 (-7,35%). O peso determinante para o enfraquecimento do dólar no Brasil e perante países emergentes em geral foi o cenário externo, após a surpresa com o relatório de emprego dos EUA mostrando criação de 2,5 milhões de vagas em maio, enquanto Wall Street previa fechamento de mais de 8 milhões de postos de trabalho. O dado, além de sinalizar uma antecipação do crescimento da atividade americana, reacendeu as discussões sobre uma retomada em ‘V’ da maior economia do planeta. Logo após a divulgação do documento, o presidente Donald Trump afirmou que a economia americana vai se recuperar “como um foguete”, contribuindo para elevar ainda mais o otimismo dos investidores com a retomada das atividades pós-pandemia. Na mínima do dia, o dólar caiu a R$ 4,93, movimento provocado por rápida desmontagens de posições contra o real e também relatos de entrada de capital externo.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou a elevação do programa emergencial de compra de ativos (PEPP) em 600 bilhões de euros, a 1,35 trilhão de euros, e ampliou o período para essas compras até pelo menos junho de 2021, em nova tentativa de amenizar o impacto econômico do coronavírus.

Semana de 08 a 12 de junho

O ponto alto da agenda internacional é a decisão de política monetária do Fed na quarta-feira (10), que será seguida de entrevista do presidente da instituição, Jerome Powell. A aposta do mercado é de manutenção do juro na faixa entre 0% e 0,25%. Entre os indicadores, destaque para o PIB da zona do euro no primeiro tri. Na China, serão divulgados ao longo dos próximos dias dados de inflação e comércio exterior de maio.

No Brasil, a semana para o mercado financeiro será mais curta. Na quinta-feira não haverá negócios em razão do feriado de Corpus Christi, que havia sido antecipado para maio em São Paulo, mas a B3 e o Banco Central optaram por obedecer o calendário original.

Na agenda de indicadores, o principal dado é o IPCA de maio, previsto para quarta-feira (10).

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa

Curvas de Juros do Tesouro Direto

Gráfico de Retorno versus Risco Renda Fixa - Tesouro Direto

Rendimentos e Volatilidade da Renda Fixa: Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

Características do Tesouro Direto: Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

Volatilidade da Renda Fixa (Risco de Mercado) Tesouro Direto, Ibovespa e Dólar

Retornos Mensais e 12 Meses Ordenado

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI