Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 195

Curva de Juros Futuro do DI em 14/04/2022

Curva de Juros Futuro do DI em 08/04/2022

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto.

Highlights (Resumo): Forte Alta nas Taxas de Juros.

Principal(is) vetor(es): leitura de que o processo de ajuste monetário do BC brasileiro deve ir além dos 12,75%, após a divulgação do IPCA de março acima do teto das estimativas, questões fiscais internas, sinais que os BC mundiais deverão ser mais duros em suas atuações no juros, alta nas taxas de juros americanas e Guerra Rússia x Ucrância

Destaque(s): Copom, IPCA, Juros internacionais e Guerra Rússia x Ucrânia.

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

Atraso na divulgação do Relatório de Mercado Focus por causa da greve de servidores do BC.

O Projeções Broadcast apurou que o mercado estima taxa Selic de 13,25% no fim de 2022 e a mediana para o IPCA de 2022 subiu para 7,40%, ante 7,30% na semana anterior.

A semana no mercado de juros foi de forte acúmulo de prêmios na curva a termo, refletindo a leitura de que o processo de ajuste monetário do BC brasileiro deve ir além dos 12,75%, após a divulgação do IPCA de março acima do teto das estimativas, surpreendendo o mercado e o Banco Central. O nível de inclinação da curva pouco alterou. O spread entre os DIs jan/27 e jan/24 fechou em -94 pontos, de -93 pontos na sexta-feira anterior (8).

Fatores que contribuíram para a abertura das taxas:

  • os sinais de bancos centrais da Europa e EUA sobre a necessidade de serem mais hawkish com suas políticas monetárias ante às pressões inflacionárias,
  • a decisão do governo de dar reajuste linear de 5% para todos os servidores públicos a partir de julho, trazendo mais risco fiscal por custar mais do que o reservado inicialmente a reajustes no Orçamento,
  • a escalada dos yields dos Treasuries, com o da T-Note de dez anos atingindo máximas acima de 2,80%,
  • a inflação ao produtor nos EUA em março acima das previsões, consolidando a ideia de aceleração no ritmo de elevação do juros pelo Fed em maio,
  • os dados fracos de importação da China, levantando questões sobre a economia do país,
  • a percepção de que a guerra da Rússia contra a Ucrânia segue persistente sustentando os preços do petróleo,
  • os comentários da diretora do Fed indicada à vice-presidência, Lael Brainard, que chegou até a considerar a desaceleração do núcleo do CPI, que avançou 0,3% na margem abaixo das projeções do mercado de 0,5% “digna de nota”, mas também disse que o Fed conduzirá um aperto “metódico, com uma série de altas” nos juros,
  • e as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, de que a inflação por aqui está muito alta, assim como os núcleos, e que o BC está “analisando a surpresa no IPCA para ver se muda algo na tendência”, e que foram interpretadas como um primeiro ajuste na comunicação sobre o plano de voo da política monetária, depois da surpresa negativa do IPCA de março.

Fatores que foram considerados de menor potencial para influenciar o movimento da curva de juros:

  • a queda de 0,2% do volume de serviços prestados no Brasil em fevereiro, abaixo do piso das estimativas de 0,3%, reforçando um cenário de atividade fraca,
  • e a continuação da greve dos servidores do Banco Central, uma vez que as tentativas de acordo com o governo não tiveram avanço.

A conferir:

  • a dinâmica inflacionária e as reações por parte dos bancos centrais,
  • e os desdobramentos da decisão do governo de conceder aumento linear de 5% aos salários do funcionalismo público. O custo aos cofres públicos é estimado em R$ 6,3 bilhões, mas o orçamento só reservava R$ 1,7 bilhão a reajustes este ano.

O dólar no mercado à vista fechou o pregão da quinta-feira (14) cotado a R$ 4,6963, encerrando a semana com queda de 0,27%. No acumulado do mês, ainda apresenta perda de 1,36%.

Os vetores que influenciaram a taxa de câmbio foram:

  • o fortalecimento global da moeda americana, após o BCE decidir não alterar os juros e sinalizar possível manutenção até setembro, na contramão da perspectiva de aceleração do aperto monetário nos EUA em maio e ao longo deste ano,
  • as preocupações com as contas públicas, em meio à proposta do governo de reajuste de 5% para todo o funcionalismo público, que supera a previsão de recursos no orçamento deste ano (R$ 1,7 bilhão) para correção salarial, a princípio apenas para as categorias federais de segurança pública,
  • os dados de varejo e pedidos de auxílio-desemprego americanos piores que o esperado,
  • os novos relatos de ingressos de recursos para a renda fixa e vendas de exportadores,
  • e a possibilidade de uma Selic final mais alta garantindo a atratividade para operações de carry trade.

Agenda de indicadores e eventos de 18 a 22 de abril

Semana mais curta para o mercado doméstico, que estará fechado na quinta-feira (21), feriado em homenagem a Tiradentes.

No exterior, o destaque é a Reunião Anual do FMI e do Banco Mundial, entre 18 e 24 de abril, do qual participará o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Segunda-feira (18): o IGP-10 de abril,

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa do painel “Money at a Crossroad: Public or private digital money?”, promovido pelo FMI.

Terça-feira (19): os resultados da segunda quadrissemana do IPC-S.

Quarta-feira (20): IPC-Fipe e o Livro Bege do Fed.

Quinta-feira: o índice de preços ao consumidor (CPI) da zona do euro em abril.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Curvas de Juros do Tesouro Direto

Curvas de Juros Anbima

Gráfico de Retorno versus Risco Renda Fixa - Tesouro Direto

Rendimentos e Volatilidade da Renda Fixa: Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

Características do Tesouro Direto: Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

Volatilidade da Renda Fixa (Risco de Mercado) Tesouro Direto, Ibovespa e Dólar

Retornos Mensais e 12 Meses Ordenado

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI