Maio de 2026 apresentou um desempenho heterogêneo para a renda fixa, com bons resultados nos ativos pós-fixados e ganhos concentrados nos vértices curtos da curva de inflação, enquanto os títulos de longo prazo sofreram com a abertura das taxas reais. Os índices de crédito, especialmente atrelados ao CDI, se destacaram positivamente no mês, refletindo maior resiliência desse segmento diante do aumento da volatilidade na curva de juros.
📈 Juros Pós-fixados (CDI / Selic)
CDI: +1,07%
IMA-S (Tesouro Selic): +1,09%
IDA-DI (Debêntures CDI – Anbima): +1,82%
📉 Juros Prefixados
Pré 1 Ano: +1,04%
Pré 2 Anos: +0,86%
Pré 5 Anos: +0,06%
📊 Inflação (IPCA+)
IPCA+ 2 Anos: +1,11%
IPCA+ 5 Anos: +0,34%
IPCA+ 10 Anos: –0,34%
IPCA+ 20 Anos: –1,28%
IDA-IPCA Infra: +0,16%
VNA IPCA+: +0,59%
Os títulos indexados à inflação apresentaram desempenho misto ao longo da curva. Enquanto os vértices mais curtos registraram retornos positivos, acompanhando o carrego inflacionário, os prazos mais longos sofreram perdas relevantes, refletindo a abertura das taxas reais diante do aumento dos prêmios de risco. Esse movimento reforça a maior sensibilidade dos ativos de longa duration ao ambiente de incerteza. Os prefixados tiveram desempenho moderado, com clara perda de tração nos prazos mais longos, enquanto os pós-fixados mantiveram consistência ao longo do mês, beneficiados pelo nível elevado do CDI.
No crédito privado, o destaque foi o IDA-DI, com retorno de 1,82%, superando os demais segmentos da renda fixa. Já o IDA-IPCA Infra apresentou avanço mais contido, de apenas 0,16%, refletindo menor apetite por risco em ativos mais sensíveis à marcação a mercado.
💹 Renda Variável
Ibovespa: –7,22%
Dólar: +1,37%
🏆 Destaque do Mês
O principal destaque de maio foi a forte performance da renda fixa do crédito CDI, em contraste com o desempenho negativo dos vértices longos da curva de inflação. O movimento evidenciou um ambiente de maior aversão ao risco e aumento dos prêmios de juros, penalizando ativos de maior duration. Na renda variável, o Ibovespa apresentou queda expressiva, enquanto o dólar registrou valorização, refletindo o cenário global mais volátil e a reprecificação dos juros internacionais.
RESUMO MENSAL: IBOVESPA TEM 2º MÊS DE PERDAS, COM INCERTEZA GEOPOLÍTICA E MAIS FATORES NO RADAR
Entre uma primeira quinzena de abril coroada por novo recorde histórico no fechamento (198,6 mil) e no intradia (na casa dos 199,3 mil), ambas no dia 14, e uma segunda quinzena de realização de lucros, o Ibovespa encerrou o mês praticamente no ponto em que estava no encerramento de março, mas em leve viés negativo. Em abril, o índice de referência da B3 acumulou baixa de 0,08%, terminando hoje aos 187.317,64 pontos.
Para além da incerteza geopolítica, decorrente da ausência de normalização da passagem de carregamentos de petróleo pelo Estreito de Ormuz, os investidores em ações, gradualmente, vão recolocando a atenção em outros fatores, como a temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 – com divulgações ainda em curso no Brasil e nos Estados Unidos – e as primeiras reações à agenda pré-eleitoral, com desdobramentos recentes que sugerem enfraquecimento do governo para outubro.
Após o fechamento dos negócios, na noite de ontem, a comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros, em viés ainda considerado hawkish (duro), se fez acompanhar por uma inesperada derrota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ver rejeitada no plenário do Senado a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) – algo não visto desde o fim do século 19, nos primórdios da República.
Nesta quinta-feira, em outro desdobramento negativo para o governo no Congresso, foi derrubado o veto presidencial ao projeto da dosimetria, que reduz penas para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 na Praça dos Três Poderes, o que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, duas derrotas pesadas para o governo, em dois dias, em um contexto de crescimento de candidaturas de oposição nas mais recentes pesquisas eleitorais.
No entanto, Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, afirma que o fluxo estrangeiro continua a ser o fator decisivo para o avanço do Ibovespa. “Mais do que o noticiário político, que o estrangeiro não acompanha em detalhe, o que tem movido a Bolsa é a percepção de que o Brasil é um ganhador relativo na crise de energia derivada do conflito no Oriente Médio, por ser exportador líquido de petróleo, com efeito favorável tanto para o balanço de pagamentos como para as contas fiscais”, diz Kautz.
“O Brasil continua atrativo para o estrangeiro, inclusive o valuation de Bolsa, mas parte deste fluxo de fora pode estar indo agora um pouco menos para renda variável e um pouco mais para renda fixa. O câmbio sugere ainda fluxo de ingresso de recursos no País”, acrescenta o economista. Em abril, o dólar acumulou queda de 0,91% ante o real, terminando a sessão de hoje aos R$ 4,9527.
Na geopolítica, o Estreito de Ormuz seguiu bloqueado ao longo da semana, o petróleo Brent segue acima de US$ 100 e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a sugerir retomada de ações militares contra o Irã, o que amplificou a aversão ao risco, enumera Bruna Sene, analista de renda variável da Rico. “No final da semana, houve algum alívio com a ausência de novas escaladas, mas o cenário permanece frágil e sem resolução à vista”, acrescenta.
A dificuldade de Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo e a continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz impediu devolução mais expressiva dos prêmios nos juros futuros da B3. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 encerra abril com alta de cerca de 5 pontos. As taxas para janeiro de 2029 e 2031 caíram 5 pontos e 15 pontos, pela ordem.
Lá fora, as bolsas de Nova York acumularam ganhos de 15,29% (Nasdaq), 10,42% (S&P 500) e 7,14% (Dow Jones) em abril, conforme os mercados observavam algum otimismo sobre a resolução do conflito no Oriente Médio e com forte apoio de alguns dos balanços das grandes empresas de tecnologia, divulgados nesta semana.
Fonte: Broadcast
Relatório de acompanhamento dos Rendimentos Mensais de Carteiras de Investimentos em Renda Fixa
Ressalto que trata-se de um projeto de cunho educacional, não existe sugestão ou indicação de investimento em nenhuma das carteiras.
É aprender sobre a Renda Fixa acompanhando o mercado, é ter a visão prática e real.
O intuito é contribuir para elevação das discussões sobre investimentos em Renda Fixa no Brasil.
Acreditamos que com a obrigação da Marcação a Mercado de vários ativos de Renda Fixa, fato ocorrido em janeiro de 2023, a necessidade do entendimento sobre comportamento dos ativos de Renda Fixa ficará ainda mais latente.
