Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 416

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros.

Durante a semana, o mercado de renda fixa foi marcado por uma trajetória de redução dos prêmios na curva de juros, apesar da elevada volatilidade provocada pelo conflito no Oriente Médio. Nos primeiros dias, a melhora marginal das expectativas de inflação, a queda do dólar e a percepção de atividade econômica mais fraca favoreceram o fechamento das taxas. Em seguida, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, acompanhada da forte alta do petróleo, levou a uma reabertura temporária da curva, especialmente nos vencimentos mais longos, diante do receio de novos impactos inflacionários globais. A partir de quinta-feira, contudo, o mercado voltou a devolver prêmios com o surgimento de sinais de possível retomada das negociações diplomáticas entre os países envolvidos, combinado à queda do petróleo e ao bom desempenho dos leilões do Tesouro Nacional. O principal catalisador da semana ocorreu na sexta-feira, quando o IPCA de junho surpreendeu positivamente ao registrar alta de apenas 0,16%, abaixo de todas as estimativas, mostrando desaceleração relevante dos núcleos, serviços e difusão da inflação. Como consequência, aumentaram significativamente as apostas em um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de agosto do Copom, provocando forte fechamento dos DIs, sobretudo nos vértices intermediários e longos. Ao final da semana, predominou a percepção de que o processo de desinflação ganhou consistência, embora o mercado siga cauteloso com os riscos fiscais, eleitorais e geopolíticos que continuam limitando uma precificação mais agressiva de cortes futuros de juros.

Destaques: IPCA, Petróleo, Selic.

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -1,7 para -36,7 pontos-base.

Para as próximas 5 reuniões do Copom,a expectativa de corte aumentou de -5,4 para -25,3 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 13,90%, ante 14,10% na semana anterior. 

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -50 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -225 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a..

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,30% para 5,16%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,18% para 4,20%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.)  projetada para o fim de 2026 se manteve em 14,00%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 06/07/2026 à 10/07/2026

Segunda-feira (06/07/2026)

O mercado de juros iniciou a semana em tom de acomodação, com fechamento moderado das taxas médias e longas e leve queda também na ponta curta da curva. Em um pregão de baixa liquidez, influenciado pela ressaca do feriado da Independência dos Estados Unidos e por uma agenda econômica esvaziada, os investidores encontraram suporte na melhora marginal das expectativas de inflação captadas pelo Boletim Focus, que mostrou revisão para baixo da projeção de IPCA de 2026. O ambiente externo também colaborou, com bom desempenho dos Treasuries e forte queda do dólar frente ao real, fatores que aliviaram a percepção de risco inflacionário e favoreceram a precificação de um eventual corte da Selic nas próximas reuniões. Apesar de persistirem dúvidas em relação ao cenário fiscal e às expectativas inflacionárias ainda acima da meta, a combinação de atividade econômica mais fraca, petróleo em queda e inflação menos pressionada reforçou a visão de que o Banco Central possui espaço para iniciar uma flexibilização monetária gradual. O mercado também acompanhou discussões sobre possíveis intervenções do Tesouro Nacional no mercado de NTN-Bs, embora as declarações recentes de autoridades econômicas não tenham provocado impacto relevante na curva ao longo da sessão.

Terça-feira (07/07/2026)

A curva de juros voltou a abrir de forma mais consistente, especialmente nos vértices intermediários e longos, refletindo um aumento da aversão ao risco internacional. O principal gatilho foi a decisão dos Estados Unidos de revogar a licença temporária que permitia a comercialização de petróleo originado do Irã, elevando as preocupações sobre a estabilidade da oferta global de energia. O petróleo Brent avançou cerca de 3%, enquanto os rendimentos dos Treasuries e o dólar também subiram, pressionando as taxas domésticas. Ao longo do dia, o mercado local chegou a ensaiar uma melhora motivada por declarações do secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, que reiterou a capacidade do governo de realizar recompras de títulos públicos caso necessário, reforçando a percepção de que o Tesouro possui instrumentos para atenuar episódios de volatilidade. O leilão de títulos indexados à inflação ocorreu sem gerar pressões adicionais, graças à estratégia de oferta reduzida. Ainda assim, o cenário internacional dominou a formação de preços, com investidores atentos ao risco de uma escalada mais intensa das tensões no Oriente Médio e seus possíveis efeitos sobre inflação e política monetária global.

Quarta-feira (08/07/2026)

O mercado de juros permaneceu pressionado pela forte deterioração do ambiente geopolítico, embora as taxas tenham reduzido parte das altas observadas durante a sessão. A reescalada do conflito entre Estados Unidos e Irã elevou significativamente os temores inflacionários globais, após novas ameaças do presidente Donald Trump contra Teerã e o aumento das incertezas em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo. O Brent chegou a disparar cerca de 8% ao longo do dia antes de encerrar em alta próxima de 5%, mantendo os agentes em alerta quanto ao impacto potencial dos preços de energia na inflação mundial. Apesar disso, as apostas para um corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto permaneceram predominantes, mostrando que o mercado ainda considerava o choque petrolífero insuficiente para alterar a avaliação do Banco Central no curtíssimo prazo. A divulgação da ata do Federal Reserve teve impacto limitado, mas reforçou a percepção de uma postura monetária mais conservadora nos Estados Unidos, o que também contribuiu para sustentar níveis elevados de juros globais. No Brasil, a principal preocupação passou a ser até que ponto uma nova disparada do petróleo poderia comprometer o processo de desinflação e restringir futuras reduções da Selic.

Quinta-feira (09/07/2026)

Os juros futuros registraram forte movimento de fechamento ao longo da curva, apoiados pela melhora do ambiente internacional e pela redução dos prêmios geopolíticos embutidos nos ativos. Notícias indicando esforços diplomáticos de Catar e Paquistão para retomar as negociações entre Estados Unidos e Irã ajudaram a impulsionar o apetite por risco, enquanto o petróleo recuou cerca de 2%, reduzindo preocupações imediatas com inflação global. O alívio também foi observado nos Treasuries e no câmbio, favorecendo a devolução de prêmios no mercado brasileiro. A baixa liquidez decorrente do feriado estadual em São Paulo amplificou os movimentos, permitindo uma queda mais expressiva das taxas, principalmente nos vencimentos mais curtos, que voltaram a ficar abaixo de 14%. No cenário doméstico, o leilão de títulos prefixados do Tesouro foi considerado bem-sucedido e contribuiu para reforçar a estabilidade do mercado. Os investidores começaram a direcionar suas atenções para a divulgação do IPCA de junho, aguardando sinais mais concretos sobre a trajetória inflacionária e as perspectivas para a política monetária. A expectativa predominante era de que uma desaceleração da inflação pudesse consolidar a precificação de um corte da Selic em agosto.

Sexta-feira (10/07/2026)

A divulgação do IPCA de junho foi o grande destaque da semana e provocou forte fechamento da curva de juros brasileira. O índice avançou apenas 0,16%, resultado inferior a todas as projeções do mercado, fortalecendo substancialmente a expectativa de redução de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de agosto do Copom. As taxas intermediárias e longas chegaram a recuar cerca de 20 pontos-base ao longo do pregão, impulsionadas também pela queda do petróleo e pela estabilidade do dólar. O dado de inflação foi considerado particularmente positivo por apresentar desaceleração não apenas nos componentes mais voláteis, mas também nos núcleos de inflação, nos serviços e na difusão dos aumentos de preços, indicadores observados com atenção pelo Banco Central. O resultado se somou a sinais recentes de atividade econômica mais fraca, incluindo números decepcionantes do mercado de trabalho e a prévia do IPCA divulgada anteriormente, reforçando a percepção de que o ciclo de flexibilização monetária poderá começar em breve. Apesar do forte alívio observado na sessão, os participantes do mercado continuaram cautelosos em relação ao médio prazo, destacando riscos associados ao cenário fiscal, ao período eleitoral e aos impactos potenciais do petróleo e de eventos climáticos sobre a inflação futura. A semana terminou com deslocamento significativo da curva para baixo e aumento expressivo da convicção do mercado em relação ao início dos cortes da Selic.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Tabela de Risco de Mercado (Risco de Taxa de Juros ) Tesouro Direto

Duration (Duração)

A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.

Convexidade

A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:

    • Títulos longos,
    • Títulos com pagamentos concentrados no final,
    • Cenários de movimentos mais amplos de juros.

Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos monetários.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).

Observações:

    1. Os rótulos Modified Duration e DV1 (Dollar Value of 0,1) são utilizados neste material exclusivamente por convenção e uso consagrado de mercado, facilitando a leitura e a comparação entre títulos.
    2. Importante destacar que os resultados apresentados não decorrem de estimativas ou aproximações baseadas nessas métricas.
    3. Tanto o Perda $ no dia (+0,1↑) quanto a Perda % no Dia (+0,1↑) são obtidos a partir do recálculo integral dos preços dos títulos, considerando uma elevação efetiva de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00 para 10,10).
    4. Dessa forma, os números refletem impactos reais de preço, já incorporando integralmente os efeitos de fluxo de caixa, prazo e convexidade. É acompanhamaneto da marcação à mercado na prática.

Fonte: Broadcast

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Forte abraço

Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa