Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 417

Highlights (Resumo): Alta nas Taxas de Juros.

O mercado de renda fixa apresentou elevada volatilidade ao longo da semana, com a curva de juros oscilando entre momentos de fechamento e abertura em função, principalmente, de fatores externos. Na primeira metade da semana, os juros futuros chegaram a recuar diante de dados de inflação mais benignos nos Estados Unidos, especialmente após o CPI e o PPI surpreenderem positivamente, reduzindo temporariamente as expectativas de aperto monetário adicional pelo Federal Reserve e favorecendo a queda dos Treasuries e do dólar. No entanto, a partir de quarta-feira, fatores domésticos e geopolíticos voltaram a dominar a precificação. No Brasil, a aprovação de medidas com potencial impacto fiscal relevante, as discussões eleitorais e a percepção de risco associada à continuidade de políticas fiscais expansionistas trouxeram pressão para os vértices mais longos da curva. No cenário internacional, a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, incluindo disputas envolvendo o Estreito de Ormuz e ameaças a rotas estratégicas de transporte de petróleo, impulsionou o Brent para próximo de US$ 88 por barril, reacendendo preocupações inflacionárias globais. Como resultado, os contratos de DI mais longos encerraram a semana significativamente acima dos níveis observados no início do período, com abertura próxima de 35 pontos-base nos vencimentos de 2029 e 2031. Apesar disso, o mercado continuou atribuindo elevada probabilidade a um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião de agosto do Copom, embora tenha reduzido parte do otimismo quanto à continuidade do ciclo de afrouxamento monetário diante da piora do ambiente internacional.

Destaques: Geopolítica, Petróleo, Risco Fiscal.

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -36,7 para 4,1 pontos-base.

Para as próximas 5 reuniões do Copom,a expectativa de corte reduziu de -25,3 para -10,7 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 14,04%, ante 13,90% na semana anterior. 

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -50 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -225 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a..

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,16% para 5,15%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,20% para 4,20%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 14,00%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 13/07/2026 à 17/07/2026

Segunda-feira (13/07/2026)

O mercado de juros iniciou a semana sob forte pressão altista, impulsionado principalmente pela escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A oficialização do bloqueio marítimo dos Estados Unidos ao Irã e as declarações do presidente Donald Trump sobre assumir o controle do Estreito de Ormuz provocaram uma disparada de quase 10% no preço do petróleo, reacendendo temores inflacionários globais. Como consequência, as taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) avançaram de forma expressiva, especialmente nos vértices médios e longos, que registraram altas próximas de 20 pontos-base. O DI jan/2029 saiu de 14,009% para 14,225%, enquanto o DI jan/2031 subiu de 14,209% para 14,380%. Apesar do estresse, o mercado continuou precificando um corte da Selic na reunião de agosto do Copom, com aproximadamente 88% de probabilidade para uma redução de 25 pontos-base. No cenário internacional, declarações mais duras do dirigente do Federal Reserve, Christopher Waller, reforçaram a percepção de que juros americanos poderão permanecer elevados caso a inflação volte a surpreender, contribuindo adicionalmente para a abertura das curvas globais.

Terça-feira (14/07/2026)

Após a forte alta dos juros na sessão anterior, o mercado apresentou um movimento relevante de fechamento da curva, sustentado por uma surpresa positiva nos dados de inflação dos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) de junho registrou queda mensal de 0,4%, resultado significativamente melhor do que o esperado, reduzindo as apostas de novas elevações de juros pelo Federal Reserve. A probabilidade de alta da taxa americana em setembro caiu de 73% para cerca de 60%, provocando queda dos rendimentos dos Treasuries e enfraquecimento do dólar frente ao real. Esse ambiente externo favorável gerou forte alívio nos DIs, com recuos próximos de 15 pontos-base nos vencimentos médios e longos. O DI jan/2029 caiu de 14,195% para 14,035%, enquanto o DI jan/2031 recuou de 14,363% para 14,235%. Mesmo com a manutenção das tensões entre Estados Unidos e Irã e a continuidade da alta do petróleo, o mercado priorizou a leitura de que a inflação americana poderia estar entrando em trajetória mais benigna. Internamente, a curva passou a embutir probabilidade de 94% para um corte de 25 pontos-base na Selic em agosto, além de ampliar expectativas de flexibilização monetária para setembro.

Quarta-feira (15/07/2026)

Os juros futuros tiveram comportamento mais equilibrado, oscilando próximos aos níveis do fechamento anterior em meio a forças contraditórias vindas dos cenários doméstico e internacional. No Brasil, a aprovação pelo Senado de uma proposta com impacto fiscal estimado em R$ 27,9 bilhões ao longo de dez anos e a divulgação de pesquisa eleitoral mostrando ampliação da vantagem de Lula nas intenções de voto trouxeram preocupações sobre a trajetória fiscal futura, pressionando a curva ao longo do dia. Entretanto, o mercado encontrou algum alívio na possibilidade de atraso da promulgação da proposta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reduzindo momentaneamente a percepção de piora fiscal. No exterior, dados mais fracos de inflação ao produtor nos Estados Unidos e um Livro Bege do Federal Reserve apontando atividade moderada e inflação controlada favoreceram o fechamento das taxas americanas. Como resultado, o DI jan/2029 encerrou praticamente estável em 14,03%, enquanto o DI jan/2031 permaneceu próximo de 14,245%. Adicionalmente, a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE indicou retração de 0,4% em maio, sinalizando desaceleração da atividade econômica e contribuindo para manter a ponta curta da curva relativamente comportada.

Quinta-feira (16/07/2026)

A curva de juros voltou a apresentar inclinação positiva, com avanço principalmente nos vencimentos intermediários e longos, refletindo uma combinação de riscos domésticos e internacionais. No ambiente local, investidores ampliaram a preocupação com o quadro fiscal e eleitoral, interpretando que as tarifas adicionais de 25% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros poderiam fortalecer politicamente o presidente Lula, aumentando a probabilidade de continuidade de uma política fiscal expansionista. No front externo, a tensão no Oriente Médio ganhou novos capítulos com ameaças de ataques à Arábia Saudita e potenciais interrupções de rotas estratégicas no Mar Vermelho, elevando a aversão ao risco global. Ao mesmo tempo, indicadores de atividade nos Estados Unidos vieram robustos, destacando-se o índice industrial do Fed da Filadélfia, que atingiu o maior nível em um ano e meio, reforçando a percepção de resiliência da economia americana e reduzindo as apostas de cortes de juros pelo Fed. Nesse contexto, o DI jan/2029 avançou para 14,085%, enquanto o DI jan/2031 alcançou 14,30%. O Tesouro Nacional realizou leilões de LTNs e NTN-Fs com elevada colocação e gestão considerada eficiente do risco de mercado, sem produzir impactos relevantes adicionais sobre a curva.

Sexta-feira (17/07/2026)

O encerramento da semana foi marcado por forte abertura dos juros futuros em todos os segmentos da curva, consolidando uma retomada dos prêmios de risco observada ao longo dos últimos dias. O principal fator foi a aceleração do conflito entre Estados Unidos e Irã, que manteve restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz e levou o petróleo Brent a atingir aproximadamente US$ 88 por barril. O movimento reacendeu preocupações com inflação global, provocando elevação expressiva das taxas de juros e busca por proteção pelos investidores. Os contratos de DI registraram altas próximas de 20 pontos-base nos vencimentos médios e longos durante a sessão. O DI jan/2029 saltou de 14,106% para 14,325%, enquanto o DI jan/2031 avançou de 14,326% para 14,51%. No acumulado da semana, os vértices longos ganharam cerca de 35 pontos-base. Além das preocupações geopolíticas, permaneceram no radar os riscos fiscais domésticos e as incertezas eleitorais. O IBC-Br divulgado pelo Banco Central mostrou crescimento modesto da atividade em maio, confirmando desaceleração gradual da economia brasileira, mas o dado teve impacto limitado diante da predominância dos fatores externos. O mercado passou a questionar o ritmo e a extensão dos futuros cortes de juros pelo Banco Central, já que uma alta persistente do petróleo poderia comprometer o processo de desinflação observado nos meses anteriores.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Tabela de Risco de Mercado (Risco de Taxa de Juros ) Tesouro Direto

Duration (Duração)

A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.

Convexidade

A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:

    • Títulos longos,
    • Títulos com pagamentos concentrados no final,
    • Cenários de movimentos mais amplos de juros.

Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos monetários.

Perda $ no dia (+0,1↑)

Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).

Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).

Observações:

    1. Os rótulos Modified Duration e DV1 (Dollar Value of 0,1) são utilizados neste material exclusivamente por convenção e uso consagrado de mercado, facilitando a leitura e a comparação entre títulos.
    2. Importante destacar que os resultados apresentados não decorrem de estimativas ou aproximações baseadas nessas métricas.
    3. Tanto o Perda $ no dia (+0,1↑) quanto a Perda % no Dia (+0,1↑) são obtidos a partir do recálculo integral dos preços dos títulos, considerando uma elevação efetiva de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00 para 10,10).
    4. Dessa forma, os números refletem impactos reais de preço, já incorporando integralmente os efeitos de fluxo de caixa, prazo e convexidade. É acompanhamaneto da marcação à mercado na prática.

Fonte: Broadcast

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Forte abraço

Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa