Highlights (Resumo): Alta nas Taxas de Juros.
O mercado de renda fixa apresentou elevada sensibilidade ao ambiente internacional ao longo da semana, com os movimentos da curva de juros sendo amplamente determinados pela escalada e posterior alívio das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Entre segunda e quinta-feira, os juros futuros acumularam abertura relevante, especialmente nos vértices médios e longos, acompanhando a alta dos Treasuries americanos e a forte valorização do petróleo, que reacendeu preocupações com inflação global e reduziu as expectativas de flexibilização monetária por parte dos principais bancos centrais. No Brasil, o mercado passou a precificar praticamente apenas mais um corte de 0,25 p.p. da Selic na reunião de agosto, eliminando apostas de reduções adicionais ao longo de 2026. A postura considerada mais hawkish de autoridades do Federal Reserve e do Banco Central Europeu também contribuiu para a elevação dos prêmios de risco. Na sexta-feira, entretanto, a perspectiva de retomada das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã provocou forte correção dos mercados, com queda expressiva dos preços do petróleo e fechamento das taxas de juros, especialmente nos vencimentos intermediários e longos. Ao final da semana, a curva brasileira permaneceu em patamar elevado, mas com menor inclinação, refletindo uma combinação de cautela em relação ao cenário internacional, expectativa de Selic ainda restritiva por período prolongado e dependência da evolução do quadro geopolítico para a trajetória futura da inflação e dos juros globais.
Destaques: Petróleo, Oriente Médio, Fed
O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de altas na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior. Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de alta passou de 4,1 para 15,5 pontos-base. Para as próximas 4 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de -10,7 para -8,4 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 14,07%, ante 14,04% na semana anterior. |
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -25 pontos-base de corte. . Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -225 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a.. |
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,16% para 5,15%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,20% para 4,20%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 14,00%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.
O mercado de juros iniciou a semana com comportamento relativamente tranquilo, refletindo parte da correção após os movimentos mais intensos observados na sessão anterior. Pela manhã, os contratos de DI apresentaram leve fechamento em toda a curva, impulsionados por sinais de retomada das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, que favoreceram uma redução temporária da aversão ao risco global. Entretanto, ao longo da tarde, o movimento foi revertido nos vértices médios e longos, acompanhando a abertura dos Treasuries americanos. O DI jan/2027 encerrou em queda para 13,91%, enquanto os vencimentos mais longos avançaram, com o DI jan/2029 em 14,355% e o DI jan/2031 em 14,545%. No cenário internacional, o aumento do rendimento da Treasury de 10 anos refletiu preocupações de que as tensões no Oriente Médio possam manter os preços de energia elevados por mais tempo, complicando o combate à inflação pelo Federal Reserve. No Brasil, a agenda doméstica foi esvaziada, e o boletim Focus trouxe apenas revisões marginais para inflação e atividade econômica, sem impacto relevante sobre as taxas. O dia foi marcado essencialmente por fatores externos, especialmente pela percepção de que o Fed continua adotando postura mais cautelosa e menos favorável ao início de um ciclo mais intenso de flexibilização monetária.
A sessão de terça-feira foi marcada por baixa liquidez e ausência de catalisadores relevantes, mas ainda assim os juros futuros encerraram próximos das máximas do dia. A curva doméstica acompanhou parcialmente a abertura dos Treasuries e a alta do petróleo, que avançou cerca de 2% diante da continuidade dos conflitos entre Estados Unidos e Irã. Os contratos de DI oscilaram pouco, com o DI jan/2027 subindo para 13,93%, o DI jan/2029 para 14,40% e o DI jan/2031 para 14,585%. Apesar da pressão externa, o mercado local mostrou relativa resiliência, sustentada pela avaliação de que o forte movimento de alta das taxas observado na semana anterior já havia incorporado boa parte dos riscos internacionais. O ambiente de férias e o reduzido número de posições abertas contribuíram para a fraca liquidez dos negócios. No exterior, investidores continuaram monitorando os impactos potenciais da escalada geopolítica sobre a inflação global, especialmente por meio dos preços de energia. O Goldman Sachs alertou para o risco de forte valorização do petróleo caso ocorram interrupções prolongadas no Estreito de Ormuz. No mercado doméstico, os leilões do Tesouro Nacional ajudaram a reduzir a pressão sobre a curva ao manterem uma oferta moderada de títulos públicos.
Os juros futuros registraram uma abertura mais expressiva da curva na quarta-feira, acompanhando a deterioração do ambiente internacional. A continuidade dos conflitos no Oriente Médio manteve o fluxo de petróleo comprometido na região do Estreito de Ormuz, impulsionando as cotações da commodity e reacendendo preocupações inflacionárias globais. As taxas de juros brasileiras avançaram principalmente nos vencimentos intermediários e longos, com o DI jan/2029 subindo para 14,475% e o DI jan/2031 para 14,655%, enquanto o DI jan/2027 apresentou elevação mais moderada, para 13,945%. O petróleo Brent fechou próximo de US$ 95 por barril após a quarta sessão consecutiva de alta, aumentando as preocupações dos investidores às vésperas das decisões de política monetária do Banco Central Europeu e do Federal Reserve. Dirigentes do BCE adotaram tom mais duro em seus discursos, ressaltando que a elevação dos preços de energia exige cautela adicional. No Brasil, apesar de o mercado continuar projetando majoritariamente um corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto, cresceu a percepção de que o Banco Central terá pouco espaço para adotar uma postura mais dovish diante do cenário externo adverso. A sessão também foi marcada por liquidez reduzida, fator que ampliou os movimentos da curva local.
A quinta-feira foi o dia de maior pressão da semana sobre os juros futuros. O agravamento da aversão ao risco global, provocado pela permanência do petróleo acima de US$ 100 por barril e pela continuidade das tensões no Oriente Médio, gerou forte abertura da curva de juros brasileira. Os vencimentos intermediários lideraram o movimento, refletindo uma reavaliação das expectativas para a política monetária doméstica. O DI jan/2027 avançou para 14,03%, o DI jan/2029 saltou para 14,675% e o DI jan/2031 atingiu 14,825%. A principal mudança ocorreu na precificação da Selic, já que o mercado praticamente eliminou as apostas de cortes adicionais após a reunião do Copom de agosto, passando a considerar que o eventual ajuste de 0,25 ponto percentual seria o último de 2026. No exterior, o BCE manteve os juros inalterados, mas a comunicação da presidente Christine Lagarde foi interpretada como mais hawkish, reforçando expectativas de alta futura na taxa básica europeia. Simultaneamente, aumentaram as apostas em novos apertos monetários pelo Federal Reserve. O ambiente global de juros mais elevados, combinado à disparada dos preços de energia, exerceu forte impacto negativo sobre os mercados de renda fixa, elevando os prêmios ao longo de toda a curva brasileira.
A última sessão da semana foi marcada por uma forte realização dos prêmios acumulados nos dias anteriores. Os juros futuros recuaram intensamente, especialmente nos vértices médios e longos, acompanhando a queda dos preços do petróleo e o aumento do otimismo em relação a uma possível retomada das negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã. O DI jan/2027 caiu para 13,955%, o DI jan/2029 recuou para 14,45% e o DI jan/2031 fechou em 14,63%, registrando quedas próximas de 20 pontos-base em determinados trechos da curva. O petróleo Brent voltou para abaixo de US$ 100 por barril, encerrando a sessão próximo de US$ 96,80, reduzindo temporariamente os receios inflacionários globais. Apesar do alívio, agentes de mercado destacaram que a normalização do fluxo de petróleo na região ainda está longe de ser garantida, o que mantém um prêmio geopolítico incorporado às curvas de juros internacionais e domésticas. No Brasil, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçaram a mensagem de cautela e dependência dos dados para futuras decisões de política monetária, sem alterar significativamente as expectativas para o Copom. O mercado encerrou a semana ainda projetando um corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto, mas com elevado grau de incerteza sobre os passos seguintes da política monetária.
Fonte: Broadcast
Duration (Duração)
A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.
Convexidade
A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:
Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos monetários.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).
Observações:
Fonte: Broadcast
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