Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros.
O mercado de renda fixa teve uma semana amplamente favorável, marcada por fechamento relevante das taxas de juros, especialmente nos vértices curtos e intermediários da curva, refletindo a combinação de inflação doméstica mais benigna e redução dos riscos inflacionários globais. O principal catalisador foi o IPCA-15 de julho, que surpreendeu positivamente ao registrar alta de apenas 0,06%, fortalecendo as expectativas de continuidade do ciclo de cortes da Selic pelo Banco Central. Ao longo da semana, o mercado passou de uma elevada probabilidade para praticamente a certeza de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom, além de aumentar as apostas em flexibilizações adicionais nos meses seguintes. No cenário internacional, a manutenção dos juros pelo Federal Reserve foi acompanhada de sinais mistos sobre os próximos passos da política monetária americana, gerando volatilidade nas curvas globais, mas sem impedir o movimento de alívio nos ativos domésticos. A forte queda do petróleo, impulsionada pela perspectiva de redução das tensões entre Estados Unidos e Irã, também contribuiu para diminuir pressões inflacionárias globais e apoiar a valorização dos títulos de renda fixa. Por outro lado, os vértices longos continuaram encontrando resistência para quedas mais expressivas, refletindo preocupações persistentes com o quadro fiscal brasileiro e os riscos associados à proximidade do ciclo eleitoral. Como resultado, a curva de juros apresentou ganho de inclinação ao longo da semana, com forte redução das taxas curtas, impulsionadas pela expectativa de cortes da Selic, enquanto os vencimentos mais longos permaneceram relativamente pressionados pelos riscos estruturais domésticos.
Destaques: IPCA-15, Selic e Fed
| O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior. Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de 15,5 para -24,1 pontos-base. Para as próximas 4 reuniões do Copom,a expectativa de corte aumentou de -8,4 para -36,7 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 13,78%, ante 14,07% na semana anterior. |
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)
| Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 12,15%, equivalente a -50 pontos-base de corte. . Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -200 pontos-base de queda e CDI terminal de 12,15% a.a.. |
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,12% para 5,03%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,22% para 4,22%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.
O mercado de juros iniciou a semana com forte fechamento da curva, impulsionado principalmente pela expressiva queda do petróleo após sinais de redução das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. As declarações do presidente norte-americano Donald Trump sobre a possibilidade de negociações com Teerã reforçaram o apetite por risco global, levando o barril de petróleo a cair cerca de 8% e encerrar abaixo de US$ 90. Esse movimento reduziu preocupações inflacionárias globais e favoreceu a queda dos DIs em todos os vencimentos. No cenário doméstico, tanto o Boletim Focus quanto pesquisas eleitorais tiveram impacto limitado sobre os preços. As atenções permaneceram voltadas à perspectiva de diminuição dos riscos no Oriente Médio e à expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve na reunião daquela semana. O mercado também começou a direcionar o foco para a divulgação do IPCA-15 de julho, aguardado como um importante teste para confirmar uma trajetória mais benigna da inflação brasileira e potencialmente ampliar o espaço para cortes futuros da Selic.
Os juros futuros aprofundaram o movimento de queda após a divulgação do IPCA-15 de julho, que registrou alta de apenas 0,06%, surpreendendo positivamente o mercado e reforçando a percepção de desaceleração inflacionária no país. O resultado levou investidores a reduzirem as projeções para a inflação de 2026 e a aumentarem as apostas na continuidade do ciclo de cortes da Selic. As probabilidades implícitas passaram a indicar quase consenso para uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom, com crescimento também das apostas em novos cortes nas reuniões subsequentes. O ambiente externo colaborou para o fechamento da curva, sustentado pela continuidade da queda do petróleo diante das expectativas de negociações entre Estados Unidos e Irã. Apesar da cautela em relação à decisão do Federal Reserve prevista para o dia seguinte, prevaleceu a leitura de que os indicadores domésticos, tanto de inflação quanto de atividade econômica, estavam fornecendo conforto suficiente para o Banco Central prosseguir com o processo de flexibilização monetária. O Tesouro Nacional também manteve postura conservadora na oferta de NTN-Bs, contribuindo para um ambiente de menor pressão sobre os juros de longo prazo.
A sessão foi marcada por elevada volatilidade após a decisão do Federal Reserve de manter os juros americanos entre 3,50% e 3,75%. Embora a decisão fosse amplamente esperada, o mercado reagiu à combinação entre a manutenção dos juros, a existência de três votos favoráveis a um aumento das taxas e as declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh. Inicialmente, o discurso foi interpretado como mais brando, provocando queda dos juros e alívio nos mercados de renda fixa. Contudo, ao longo do dia, prevaleceu a leitura de que uma postura mais complacente agora poderia exigir aperto monetário mais intenso adiante, levando ao aumento da inclinação das curvas de juros americana e brasileira. No Brasil, o Caged mostrou geração de empregos acima das expectativas, mas o dado teve pouca relevância diante do protagonismo da reunião do Fed. O mercado passou a reforçar a expectativa de alta dos juros norte-americanos em setembro, enquanto a curva doméstica permaneceu dividida entre os efeitos da inflação mais comportada e os possíveis impactos de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos.
Os juros futuros voltaram a reduzir prêmios, especialmente nos vencimentos curtos e intermediários, embora a curva tenha permanecido inclinada. O principal fator externo foi a divulgação do índice PCE dos Estados Unidos, medida de inflação preferida do Federal Reserve, cujo núcleo veio abaixo das expectativas, trazendo alívio aos mercados após a comunicação considerada ambígua de Kevin Warsh no dia anterior. Internamente, continuou ganhando força a percepção de que a desaceleração da inflação e da atividade econômica pode permitir a continuidade dos cortes da Selic além da reunião de agosto. A curva passou a precificar integralmente uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom e a dividir as apostas entre manutenção ou novo corte em setembro. Por outro lado, os juros longos mostraram maior resistência, refletindo preocupações crescentes com o cenário fiscal e eleitoral. O leilão de títulos públicos do Tesouro Nacional teve impacto positivo adicional, já que o risco ofertado ao mercado foi reduzido. A queda do petróleo também contribuiu para o fechamento dos juros ao diminuir pressões inflacionárias globais.
O último pregão da semana foi marcado por comportamento atípico devido a problemas técnicos na B3, que atrasaram a abertura do mercado por mais de três horas e reduziram significativamente a liquidez. Apesar de fatores externos desfavoráveis, como a alta dos rendimentos dos Treasuries e a valorização do petróleo, os juros futuros brasileiros encerraram o dia em queda moderada, movimento que muitos participantes atribuíram a fatores técnicos e não a fundamentos econômicos. A curva continuou precificando com praticamente 100% de probabilidade um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião da semana seguinte, além de manter divididas as apostas sobre setembro. No campo fiscal, o resultado primário do setor público veio pior que o esperado, reforçando preocupações com a trajetória da dívida pública e com os riscos associados ao cenário eleitoral de 2026. Esses fatores ajudaram a explicar o aumento da inclinação da curva observado ao longo de julho, quando as taxas curtas recuaram diante das expectativas de cortes da Selic, enquanto os vencimentos mais longos permaneceram pressionados pelos riscos fiscais. No exterior, a manutenção dos juros pelo Fed, acompanhada de divergências internas crescentes no Fomc, continuou sustentando a elevação dos rendimentos dos títulos americanos de longo prazo.
Fonte: Broadcast
Duration (Duração)
A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.
Convexidade
A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:
Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos monetários.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).
Observações:
Fonte: Broadcast
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