Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros.
Ao longo da semana, o mercado de renda fixa foi marcado por significativa volatilidade, mas encerrou com viés favorável para os ativos de juros. O principal vetor foi o ambiente externo, especialmente a oscilação dos preços do petróleo em função dos desdobramentos envolvendo o Estreito de Ormuz e as negociações entre Estados Unidos e Irã, que influenciaram diretamente as expectativas de inflação global e de política monetária do Federal Reserve. No cenário doméstico, a reunião do Copom confirmou o corte de 0,25 ponto percentual da Selic para 14,00%, mantendo aberta a possibilidade de nova redução em setembro, embora com comunicação cautelosa diante dos riscos ainda presentes para a inflação. Os dados de atividade econômica, como a forte contração da produção industrial, e indicadores de inflação comportados reforçaram a percepção de desaceleração da economia brasileira, sustentando apostas em continuidade do processo de flexibilização monetária. Na frente política, pesquisas eleitorais e discussões sobre o ajuste fiscal seguiram afetando principalmente os vértices longos da curva, alternando momentos de fechamento e abertura dos prêmios. Ao final da semana, entretanto, prevaleceu o fechamento da curva de juros, impulsionado principalmente pelo payroll americano muito mais fraco que o esperado, que reduziu as expectativas de alta de juros nos Estados Unidos e trouxe alívio para os mercados globais e para a renda fixa doméstica.
Destaques: Copom, Payroll, Petróleo.
O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior. Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de 0,9 para -9,3 pontos-base. Para as próximas 3 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de -11,7 para -20,3 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 13,70%, ante 13,78% na semana anterior. |
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 13,65%, equivalente a -25 pontos-base de corte. . Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -200 pontos-base de queda e CDI terminal de 11,90% a.a.. |
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 caiu de 5,03% para 5,02%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 4,22% para 4,22%, enquanto há um mês estava em 4,00%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 13,75%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 12,00%, há um mês atrás era 10,50%.
O mercado de juros iniciou agosto com fechamento da curva, especialmente nos vértices mais longos, impulsionado pela melhora do ambiente externo e pela percepção de redução dos riscos fiscais embutida nas pesquisas eleitorais. A forte queda dos preços do petróleo, decorrente do avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã para reabertura do Estreito de Ormuz, reduziu preocupações inflacionárias globais e favoreceu o recuo dos rendimentos dos Treasuries, movimento que se refletiu nos DIs brasileiros. Internamente, a pesquisa BTG/Nexus indicando maior competitividade de Flávio Bolsonaro frente ao presidente Lula foi interpretada pelo mercado como um fator potencialmente favorável a uma agenda de ajuste fiscal, contribuindo para a compressão dos prêmios de risco de longo prazo. O mercado também reforçou as apostas de corte de 0,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom daquela semana, enquanto as expectativas para setembro permaneceram divididas, mas já com inclinação para nova flexibilização monetária. A revisão para baixo das projeções de inflação de 2026 no Boletim Focus fortaleceu a percepção de espaço adicional para cortes de juros, embora os agentes permanecessem atentos à comunicação do Banco Central, considerada o principal evento da semana para definição do ritmo futuro da política monetária.
Após começarem o dia em queda, acompanhando o novo recuo do petróleo e dados domésticos mais fracos de atividade, os juros futuros inverteram a direção e encerraram com viés de alta nos vencimentos intermediários e longos. O movimento refletiu a cautela crescente do mercado diante das incertezas eleitorais, especialmente na véspera da divulgação de novas pesquisas de intenção de voto. A dificuldade da candidatura de Flávio Bolsonaro em consolidar alianças com partidos de centro-direita e rumores de pesquisas mais favoráveis ao presidente Lula estimularam realização de lucros e recomposição de prêmios na curva. Além disso, surgiram preocupações com possíveis sanções diplomáticas dos Estados Unidos ao Brasil, aumentando a percepção de risco. No exterior, o cenário permaneceu benigno para os ativos de risco, com o petróleo Brent caindo mais de 5% após sinais de possível reabertura do Estreito de Ormuz. No campo econômico, a produção industrial brasileira de junho surpreendeu negativamente ao registrar queda de 1,8%, reforçando a percepção de desaceleração da atividade e sustentando a expectativa praticamente consensual de redução da Selic pelo Copom no dia seguinte. Ainda assim, o mercado voltou seu foco para o comunicado da autoridade monetária, buscando sinais sobre a continuidade do ciclo de flexibilização monetária.
Os juros futuros mantiveram trajetória de queda, embora em ritmo mais moderado ao longo da tarde, diante da proximidade da decisão do Copom e de uma sessão marcada pela perda de intensidade do alívio externo. Pela manhã, o mercado reagiu positivamente às notícias de flexibilização de sanções relacionadas ao Irã por parte dos Estados Unidos, o que reforçou as expectativas de reabertura do Estreito de Ormuz e manteve os preços do petróleo abaixo de US$ 80 por barril. Além disso, o relatório ADP mostrou geração de empregos nos Estados Unidos inferior ao esperado, fortalecendo a percepção de menor pressão inflacionária e reduzindo expectativas de aperto monetário pelo Federal Reserve. Esses fatores favoreceram o fechamento das curvas de juros globais e domésticas. À medida que o pregão avançou, entretanto, os investidores reduziram posições e passaram a aguardar o comunicado do Copom para avaliar se o Banco Central deixaria aberta a possibilidade de novas reduções da Selic. O mercado atribuía probabilidade praticamente unânime a um corte de 0,25 ponto percentual, para 14,00%, e já precificava chance relevante de nova redução em setembro. As questões políticas ficaram em segundo plano, embora a escolha de Alfredo Gaspar como vice na chapa de Flávio Bolsonaro tenha gerado alguma frustração entre investidores que esperavam uma composição considerada eleitoralmente mais forte.
A curva de juros apresentou expressiva abertura, principalmente nos vencimentos intermediários e longos, refletindo uma combinação de choques externos e reavaliação da mensagem do Copom divulgada na noite anterior. O principal fator de pressão veio da piora do cenário geopolítico no Oriente Médio, após relatos de explosões próximas ao Estreito de Ormuz elevarem fortemente os preços do petróleo e reacenderem receios de inflação energética global. Paralelamente, os rendimentos dos Treasuries avançaram após declarações associadas à possibilidade de alta de juros pelo Federal Reserve caso os próximos dados de inflação surpreendessem para cima. No cenário doméstico, o mercado interpretou o comunicado do Copom como relativamente mais cauteloso, destacando a assimetria dos riscos inflacionários, apesar de a autoridade monetária não ter descartado completamente novos cortes da Selic. A ausência de sinalização clara para a reunião de setembro aumentou a incerteza e contribuiu para a elevação dos prêmios de risco. O movimento foi reforçado pelo leilão do Tesouro Nacional, considerado robusto para um período sem exigência operacional dos dealers, o que ampliou a inclinação da curva. Ao final do dia, a precificação ainda apontava como cenário principal um novo corte de 0,25 ponto percentual em setembro, porém com aumento das apostas em manutenção da Selic.
Os juros futuros encerraram a semana em queda, acompanhando o forte movimento de fechamento das taxas dos Treasuries após a divulgação de um payroll significativamente mais fraco que o esperado nos Estados Unidos. O relatório mostrou fechamento líquido de 23 mil vagas em julho, contrastando com a expectativa de criação de aproximadamente 80 mil empregos, o que reduziu as probabilidades de elevação dos juros americanos em setembro e deslocou parte dessas apostas para reuniões posteriores do Federal Reserve. Esse ambiente externo mais favorável proporcionou alívio relevante à curva brasileira, especialmente nos vencimentos mais longos. No cenário doméstico, os investidores consolidaram a visão de que o Copom poderá realizar mais um corte de 0,25 ponto percentual em setembro, embora a partir daí a tendência seja de estabilidade da Selic em torno de 13,75% ao final do ciclo. O IGP-DI de julho registrou deflação de 0,86%, mas teve impacto limitado sobre os preços dos ativos diante da predominância dos fatores externos. Apesar da recuperação parcial do petróleo ao longo do dia, a queda acumulada na semana ajudou a aliviar preocupações inflacionárias globais. Com isso, a curva encerrou o período com leve fechamento em todos os vértices, enquanto a atenção dos investidores foi deslocada para a divulgação da ata do Copom e do IPCA de julho na semana seguinte, eventos considerados fundamentais para avaliar a continuidade do processo de flexibilização monetária no Brasil.
Fonte: Broadcast
Duration (Duração)
A duration mede o prazo médio financeiro do título e, na prática, indica o quanto o preço reage a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior a sensibilidade do preço.
Convexidade
A convexidade complementa a duration ao capturar a não linearidade da relação entre preço e taxa de juros.
Enquanto a duration mede a sensibilidade local (linear), a convexidade mostra como essa sensibilidade muda à medida que a taxa se desloca, tornando-se especialmente relevante em:
Na prática, a convexidade explica por que títulos longos: perdem mais valor quando a taxa sobe, mas também ganham mais quando a taxa cai.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Valor, em reais, da variação no preço do título para uma alta de 0,1 ponto percentual na taxa de juros (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos monetários.
Perda $ no dia (+0,1↑)
Impacto percentual no preço do título em um cenário de alta de 0,1% na taxa (Ex: 10,00% para 10,10%).
Traduz risco em termos retorno (rentabilidade).
Observações:
Fonte: Broadcast
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