Relatório Semanal de Renda Fixa e Tesouro Direto
17/04/2020 à 24/04/2020

Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 92

Highlights (Resumo):

Abertura das Taxas (na Sexta). Mais curtos fecharam.

Principal vetor:

A deterioração do risco político após o pedido de demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública na sexta. Os curtos sofrem influência da postura branda do Banco Central em relação a política monetária, exposta pelo Campos Neto em live.

Destaque: Moro.

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

No Relatório de Mercado Focus (dia 27), a mediana das previsões para a Selic neste ano seguiu em 3,00%. Há um mês, estava em 3,50%. Já a projeção para fim de 2021 foi de 4,50% para 4,25% ao ano, ante 5,00% de quatro semanas atrás. A expectativa para a economia este ano passou de retração de 2,96% para queda de 3,34%. Para 2021, a previsão do PIB passou de alta de 3,10% para 3,00%. A mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 2,23% para 2,20%. A projeção para o índice em 2021 seguiu em 3,40%. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano seguiu em R$ 4,80 e para 2021, a projeção foi de R$ 4,50 para R$ 4,55.

A deterioração do risco político após o pedido de demissão do ministro da Justiça e Segurança Pública, e suas acusações contra o presidente geraram forte inclinação da curva de juros, com as principais taxas atingindo os limites máximos de alta. O DI para janeiro de 2027 subiu 140 pontos no pregão de sexta-feira. O mercado foi gradualmente piorando na medida em que a repercussão negativa do episódio ia tomando corpo, com aumento do temor de outras baixas no ministério, entre elas a do ministro da Economia, em especial após o titular da pasta não estar presente na apresentação pela Casa Civil do plano de recuperação do impacto econômico do coronavírus, o Pró-Brasil.

A leitura do mercado é de que a saída do ex-juiz, que tinha a maior aprovação dentro da atual gestão, não só diminui o apoio ao governo, como amplia o risco de impeachment do mandatário, o que praticamente enterraria a agenda de reformas e elevaria ainda mais o desafio fiscal do governo.

Com o aumento da crise política o mercado diminuiu as apostas de corte da Selic em 0,75 pp no Copom de maio, e a precificação da curva a termo agora aponta chance de queda de 0,50 ponto como majoritária.

Vale lembrar, que na quinta-feira (23), o presidente do Banco Central repetiu em live privada a sinalização “dovish” em relação à Selic expressada ao mercado nos últimos dias, mesmo com dólar no dia em R$ 5,50. Segundo ele, o cenário estava nebuloso no último Copom em março, mas que agora há mais clareza sobre a contração da economia e o efeito desinflacionário causados pela pandemia do novo coronavírus, ainda que permaneçam incertezas.

As perspectivas desinflacionárias são reforçadas pelo colapso dos preços do petróleo e de forte recessão no Brasil e no mundo por causa dos impactos do covid-19.

A saída do agora ex-ministro Sergio Moro e suas acusações ao presidente levaram o dólar a encostar em R$ 5,75 e o real a ser a moeda, de longe, com o pior desempenho internacional ante o dólar neste ano, considerando uma cesta de 34 moedas. Nas oito intervenções que fez ao longo do dia 24 usando os três principais instrumentos de ação no câmbio: oferta de swap (venda de dólar no mercado futuro); venda de moeda à vista; leilão de linha (venda à vista com compromisso de recompra), o BC “gastou” US$ 4,275 bilhões e o máximo que conseguiu foi limitar o avanço do dólar a 2,40% ante o real, a R$ 5,6614, a maior cotação nominal da história. Na semana, a moeda dos EUA subiu 8,11% e, no ano a alta já supera 41%. Com o crescente risco político no Brasil, a moeda brasileira ainda é prejudicada pela expectativa de queda mais intensa dos juros.

Semana de 27 a 30 de abril

A crise política deverá continuar no foco das atenções nessa semana, que será mais curta para o mercado brasileiro em função do feriado do Dia do Trabalhador, na sexta-feira (1º). A temperatura vem se elevando em Brasília nos últimos dias, com trocas no ministério do presidente e seus conflitos cada vez mais abertos com os chefes do Legislativo.

O ministro da Justiça e Segurança Publica anunciou seu pedido de demissão e, em seu discurso, fez uma série de revelações com potencial de risco para o presidente. Sua saída se sucede à demissão do Ministro da Saúde, e o mercado teme agora novas baixas, em especial na equipe econômica.

O calendário econômico local traz em destaque o IPCA-15 de abril, na terça-feira, além da divulgação de dados fiscais referentes a março.

No exterior, está previsto o PIB da zona do euro no primeiro tri e os dados de renda e gasto pessoal nos EUA, incluindo o Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE), medida preferida de inflação do Fed, referentes a março.

Na agenda de eventos, haverá decisões de política monetária nos EUA, na Europa e Japão. O Fed anuncia sua decisão sobre juros na quarta-feira (29). Após a divulgação do comunicado, haverá entrevista coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell. Na terça-feira, será a vez do Banco do Japão e, quinta-feira, haverá reunião do Banco Central Europeu (BCE).

Fonte: Broadcast 

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa

Curvas de Juros do Tesouro Direto

Gráfico de Retorno versus Risco Renda Fixa - Tesouro Direto

Rendimentos e Volatilidade da Renda Fixa: Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar e CDI

Características do Tesouro Direto: Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

Volatilidade da Renda Fixa (Risco de Mercado) Tesouro Direto, Ibovespa e Dólar

Comportamento das Taxas para Renda Fixa - Tesouro Direto