Curvas de Juros: todo investidor deveria entender e acompanhar!

Curva de Juros ou Estrutura a Termo de Taxas de Juros (ETTJ), a alma da Renda Fixa!

Semanalmente, faço comentários sobre os principais fatores internos e externos que influenciaram o mercado de juros brasileiro (o futuro de juros DI1 é o principal balizador para as taxas de renda fixa brasileira). Também apresento gráficos e tabelas sobre Renda Fixa, basicamente usando os Títulos do Tesouro Direto e índices da Anbima.

A principal forma de acompanhar o Mercado de Renda Fixa é observando o comportamento das Curvas de Juros, também chamada de Estrutura a Termo de Taxas de Juros ou ETTJ.

O entendimento sobre Curvas de Juros é essencial para qualquer investidor, pois seus movimentos impactam todos os tipos de investimentos: fixos (Tesouro Direto) ou variáveis (Bolsa de Valores).

Não entrarei nos detalhes matemáticos sobre sua construção (existem várias formas de modelar: BootStrap, Spline, Svensson).

Nos exemplos práticos que relato abaixo sobre os movimentos das curvas, apresento somente deslocamentos paralelos (toda curva indo para uma direção) em curvas normais (formato em que taxas dos curtos menores que dos longos), mas existem vários outros movimentos: inclinar, desinclinar, ficar flat, cair os curtos e longos, mas subir o trecho médio, etc. Por traz disso tudo, existem teorias econômicas sobre as implicações destes movimentos. O que desejo é mostrar que elas são úteis para verificar de forma visual, o que acontece com as taxas dos títulos públicos federais, logo elas ajudam a explicar o comportamento do mercado de renda fixa.

Simples assim: nos interessa é entender seus movimentos e como isso impacta os preços dos ativos.

Preciso que tenham um entendimento básico sobre Renda Fixa Prefixada e IPCA.

Sabem né? Taxas e Preços têm movimento inverso: taxa sobe, preço cai; taxa cai, preço sobe. Dúvida: baixe o E-book sobre Tesouro Prefixado.

A Estrutura a termo é a relação, em dado momento, entre taxas de juros de títulos de renda fixa de mesmo risco de crédito, mas com diferentes prazos de vencimento. Ela geralmente é construída a partir de títulos que não pagam juros intermediários, ou seja, os zero coupon.

Vamos à prática, e para tanto, utilizaremos as Curvas de Juros calculadas pela Anbima que tem por base os títulos públicos federais disponibilizados na publicação do Mercado Secundário da entidade.

Começamos com a Curva Prefixada que traz no eixo vertical as Taxas Pré e na horizontal o prazo em dias úteis.

Curva de Juros Prefixada

Estrutura a Termo de Taxa de Juros, ETTJ ou Curva de Juros Anbima Prefixado

Quais as conclusões que podemos chegar?

Entre o dia 28/09/2018 (última Curva do Mês anterior) e o dia 19/10/2018 (Curva da Semana) houve um fechamento das taxas em todo trecho (prazos) da Curva Prefixada, logo os preços dos ativos sofreram uma valorização com a queda das taxas.

Se nós observarmos onde estava a Curva em 17/10/2017 (12M) e compará-la com a Curva de 28/09/2018, podemos verificar que houve uma abertura nas taxas em todos os prazos, o que indica que as taxas do dia 28/09/2018 são menos atrativas que àquelas do ano passado (17/10/2017).

Em termos de preço, vamos pegar um ponto em cada Curva, e podemos fazer isso usando o Índice IDka de 2 anos da Anbima que possui duração constante de 504 dias úteis.

Iremos comparar o índice IDKa 2A (PRÉ e IPCA) nos dois movimentos do Gráfico: 1 e 2.

Rendimento do Ativo Prefixado (Idka Pré 2 anos)

Rendimento indice IDKA pré 2 anos
Rendimento indice IDKA Pré 2 anos

No primeiro exemplo, movimento 1 do Gráfico 1, percebemos um forte fechamento da Curva de Juros Prefixada entre o dia 28/09/2018 e 19/10/2018 (90 ptb).

Analisando o que houve com os preços, observem o forte ganho em 14 dias úteis refletindo o fechamento das taxas observado pelo índice IDKa PRÉ 2A.

Agora olhando o movimento 2, houve um aumento de 122 ptb na Taxa. Se investíssemos num ativo referendado no IDka PRÉ 2A receberíamos 7,88% a.a. no período (anualizado), menor que a taxa de entrada 8,0306% a.a., mas ainda assim melhor que o CDI do período.

Apesar da abertura nas taxas, o efeito carregamento muito positivo, aliado a um CDI baixíssimo (nas mínimas históricas) fez com que o índice, no período, superasse o CDI.

Vamos as Curvas de Juros IPCA que é modelada através das NTN-Bs (Tesouro IPCA).

Curva de Juros Reais (IPCA)

Estrutura a Termo de Taxa de Juros, ETTJ ou Curva de Juros Anbima IPCA

O movimento das Curvas de IPCA foi no mesmo sentido da Curva Prefixada, até porque tanto as Taxas Nominais quanto as Taxas Reais (curva IPCA) tem seus valores definidos baseando-se no mercado futuro de taxas de juros DI1 da B3. Então, os movimentos das curvas tendem a caminhar na mesma direção, diferenciando-se principalmente pelas expectativas futuras de inflação (inflação implícita) que estão embutidas nas Curvas de Juros IPCA.

Usaremos da mesma forma o IDKa para mostrarmos o que houve com os preços durante os movimentos das curvas. Para tanto utilizaremos o IDKa IPCA 2 anos.

Rendimento do Ativo indexado ao IPCA (Idka IPCA 2 anos)

Rendimento indice IDKA IPCA 2 anos
Rendimento indice IDKA IPCA 2 anos

No movimento 1, percebemos um fechamento da Curva de Juros IPCA entre o dia 28/09/2018 e 19/10/2018 (45 ptb).

Olhando para o número índice, observamos um ganho, o que reflete o fechamento das taxas do IDKa IPCA 2A. Este índice, além de ser influenciado pelos movimentos nas taxas, traz em si a variação da inflação no período contida no VNA IPCA das NTN-Bs.

Assim como na Curva Prefixada, o movimento 2 mostra um aumento na Taxa. Se investíssemos num ativo referendado no IDka IPCA 2A receberíamos 7,95%  no período de 238 dias úteis, que reflete os rendimentos da inflação IPCA mais a taxa do índice, o que também superou o CDI no período.

A inflação embutida no índice, que foi calculada via VNA IPCA da Anbima, andou 4,76% no mesmo período. Assim o ganho real (acima da inflação) do IDKa IPCA 2A foi de 3,05%.

Podemos concluir que é muito importante para todos os investidores o conhecimento sobre Curva de Juros, pois ela exerce influência tanto em investimentos de renda fixa, como nos ativos de renda variável, derivativos, empréstimos bancários, debêntures, enfim, em termos práticos ela demonstra o valor do dinheiro para os mais variados prazos.

Estude antes de investir, pois aprender é o principal ingrediente de qualquer receita de segurança financeira.

Ficamos por aqui!

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Jefferson Figueiredo – CGA®

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Sou Gestor de ativos de Renda Fixa há 10 anos. O objetivo do Renda Fixa Prática é ajudar na compreensão sobre ativos de Renda Fixa, dando ênfase nos Títulos Públicos Federais.