Rendimentos da Renda Fixa em 2018: Tesouro Direto

Se finda mais um ano e nos fazemos algumas perguntas acerca dos investimentos? No nosso caso sobre Renda Fixa!

Como foi a rentabilidade dos ativos de Renda Fixa?

Como foi o rendimento da Renda Fixa versus Renda Variável?

Como foi o rendimento da poupança?

Como foi o rendimento do Tesouro Direto?

Como foi o comportamento das Curvas de Juros?

E as Taxas, como se movimentaram?

Qual foi a volatilidade dos ativos de Renda Fixa?

Como bem sabemos, os Ativos de Renda Fixa só garantem os rendimentos da Taxa de compra, caso sejam levados até o vencimento. Assim como na vida, onde os casamentos podem acabar antes da morte, na Renda Fixa sempre devemos considerar as saídas intermediárias (vendas) dos ativos antes do vencimento, seja por necessidade ou oportunidade.

Sob essa ótica da possibilidade de venda antecipada, podemos afirmar que a Renda Fixa não é Fixa, ou ainda, a Renda é Fixa, mas balança.

Logo, acompanhar os rendimentos da Renda Fixa é importantíssimo!

Antes de comentarmos sobre os rendimentos dos ativos de renda Fixa em 2018, gostaria de relembrar os acontecimentos deste ano tão volátil para nosso mercado de Renda Fixa.

O resto do mundo trouxe um ambiente bem desafiador.  Podemos relembrar da guerra comercial protagonizada por Estados Unidos e China (perdura), que se demonstrou um problema para o desempenho da economia mundial e foi fator de discussão ao longo de todo ano. Da Europa vieram as incertezas fiscais na Itália e as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). Destaque também para o conflito criado entre EUA e Coreia do Norte, as questões ligadas aos países produtores de petróleo e as preocupações em relação ao grau de vulnerabilidade das contas fiscais e externa de Turquia e Argentina.

Aqui dentro de casa, destacam-se o desgaste causado pela greve dos caminhoneiros e as incertezas com as eleições presidenciais. Ainda depois das eleições, surgiram dúvidas quanto ao grau de governabilidade de Bolsonaro e a força de seu governo para a aprovação das reformas.

Vejamos alguns números macros relacionados ao mercado de Renda Fixa no interstício de 12/2017 à 12/2018.

Ao longo de 2018 a Taxa Selic foi cortada em 50 ptbs atingindo a mínima histórica.

Curvas Prefixadas fecharam bastante, Curva IPCA fechou menos  (implícitas caíram). O IPCA de 1 ano (idka) até subiu 1 ptb.

VNA IGP-M acumulou 7,63%.

VNA IPCA acumulou 3,97%.

Nossa bolsa para cima, Juros para baixo e o Dólar indo contra nossa moeda.

Risco subiu e o S&P 500 não foi bem.

Taxas dos Treausuries caíram.

Vale a pena também demonstrar o deslocamento das Curvas de Juros (ETTJ Anbima) no mesmo período.

Apresento os números em destaque para durações de 1 ano (252), 2 anos (504), 5 anos (1.260) e 10 anos (2.142). Na curva Prefixada podemos verificar a Selic dos dois momentos.

Aqui podemos verificar claramente porque o Prefixado rendeu mais que o IPCA.

Observem que as implícitas reduziram. Logo, a relação do custo de oportunidade entre aplicar em Pré ou IPCA demonstrou que os investidores preferiram o Pré, o que mostra a redução das expectativas para inflação dos períodos equivalentes. Acho que vale já pensar em um artigo sobre implícitas!

Se existe alguma dúvida sobre Curvas de Juros, convido acessar esse meu artigo.

E ao longo do ano de 2018, como foi o movimento diário das taxas da Renda Fixa?

E como andou a Volatilidade nesse período?

Nos gráficos abaixo (um de Taxa e outro de Vol), podemos enxergar dois momentos difíceis para os Prefixados e IPCA. Dois períodos de stress: Maio/junho e Agosto/Setembro.

Para verificarmos o movimento da volatilidade em 2018, utilizaremos o desvio-padrão dos retornos diários em uma janela de 21 dias úteis anualizado, calculados pela própria Anbima. Assim podemos ver o comportamento do risco de mercado ao longo do ano.

PREFIXADOS

INDEXADOS AO IPCA (JURO REAL)

INFLAÇÃO IMPLÍCITA

Fica bem claro os impactos da Greve dos Caminhoneiros e das Eleições para a Renda Fixa.

Além disso, podemos enxergar os períodos de aumentos na volatilidade, aumento na variação diárias dos preços, por motivos ruins (movimentos de altas nas taxas) e por bons motivos (movimento de queda nas taxas).

Destaco também que, em geral, movimentos de altas nas taxas de Juros Nominal e Real refletem em aumentos na inflação implícita. É natural que em momentos de stress nas taxas de juros, as expectativas para inflação futura também subam.

Bem, descrito os acontecimentos de 2018 e alguns números macros importantes, vamos começar observando os retornos mensais dos Idkas da Anbima.

Percebam que gosto de utilizar os Idkas. Faço isso porque eles possuem duration constante, logo, não perdemos a base de comparação por conta do decaimento da duração, como também podemos comparar diretamente os ativos de Renda Fixa Pré com o IPCA, sem nos preocuparmos com as diferenças de vencimento entre eles. Além disso, quando avaliamos risco de mercado na Renda Fixa o efeito de decaimento na duration (quanto menor a duração, menor o impacto da variação da taxa no preço) não acontece nos Idkas, pois sua duration é sempre a mesma (constante).

Para saber mais sobre os Idkas, leia a metodologia elaborada pela Anbima.

Também fiz um artigo interessante em que uso os Idkas e pode ajudá-lo. Lá encontrarão uma explicação sobre os índices.

Sempre é bom comparar os rendimentos da Renda Fixa com a Renda Variável, e por isso, vamos analisar também a Bolsa e o Dólar.

Amigos, a Renda Fixa vai muito além de ativos em %CDI. Fiquem sempre ligados nisso!

Então vamos lá! Segue uma tabela de rankings mensais de retornos brutos.

RANKING RETORNOS BRUTOS MENSAIS DA RENDA FIXA 2018

Vejam a alternância! Nessa visão também temos uma noção comparativa dos riscos de mercado dos ativos (vol) demonstrados.

Os grandes campeões de rendimento em 2008 foram: Dólar (17,13%), Pré de 5 anos (16,61%) e o Ibovespa (15,03%).

Um ponto interessante de abordar é as diferenças de rentabilidades entre o Pré e o IPCA de mesmo prazo. Aproveito para trazer as diferenças nas Taxas.


Pré 2 anos → 11,63% :: Taxas: 8,05 29/12/2017 e 7,38 31/12/2018 (↓ 0,67)

IPCA 2 anos → 9,75% :: Taxas: 3,29 29/12/2017 e 3,30 31/12/2018 (↑ 0,01)

Implícita 2 anos → Taxas: 4,61 29/12/2017 e 3,96 31/12/2018 (↓ 0,65)


Pré de 5 anos → 16,61% :: Taxas: 9,93 29/12/2017 e 9,00 31/12/2018 (↓ 0,93)

IPCA 5 anos → 12,37% :: Taxas: 4,88 29/12/2017 e 4,42 31/12/2018  (↓ 0,46)

Implícita 5 anos → Taxas: 4,81 29/12/2017 e 4,38 31/12/2018  (↓ 0,43)


As diferenças refletem a redução das expectativas de inflação, como também nas inflações correntes que surpreenderam mais para baixo este ano.

Nunca devemos observar somente a rentabilidade do ativo, não se esqueça de que o Retorno e Risco andam de mãos dadas!

Então vamos analisar mais algumas métricas.

ESTATÍSTICAS MENSAIS RENDA FIXA IDKAs 2018

O mercado costuma usar o Desvio Padrão da rentabilidade diária para comparar os Riscos de Mercado dos ativos. Na tabela acima, apresento os desvios mensais e ao final o desvio padrão diário – Vol – anualizado (desvio padrão multiplicado por raiz de 252) dos ativos.

A menor vol ficou com o CDI e IMA-S (LFTs) 0,01 e a maior com o Ibovespa 22,05. Perfeitamente compreensível, haja vista o comportamento distinto dos mercados.

Se considerarmos o Sharpe como parâmetro para avaliação da relação Retorno X Risco percebe-se que o melhor Sharpe ficou com o Pré de 2 anos (1,59)

As demais métricas trazem ótimas informações. Se tiverem dúvidas podem acessar este meu artigo.

Deixo aqui também um Gráfico com a relação Retorno x Risco dos Idkas.

GRÁFICO DE RETORNO E RISCO IDKAs 2018

Vamos lá! Para complementar, nada melhor do que trazer essas avaliações para os Títulos Públicos ofertados pelo Tesouro Direto. Afinal de contas, eles são acessíveis a qualquer investidor.

Para tanto, apresento as mesmas análises para esses ativos.

Rentabilidade bruta nominal e %CDI mais a variação das taxas no período.

RENDIMENTOS BRUTOS TESOURO DIRETO 2018

RETORNOS MENSAIS TESOURO DIRETO 2018

Desvio padrão das rentabilidades diárias anualizada no ano de 2018.

Abaixo podemos verificar as diferenças nos desvio padrões por grupo de indexadores da Renda Fixa, mais o Dólar e o Ibovespa!

DESVIO PADRÃO TESOURO DIRETO 2018

RETORNO E RISCO TESOURO DIRETO 2018

GRÁFICO DE RETORNO E RISCO TESOURO DIRETO 2018

Segue também o rendimento da poupança 2018!

Poupança Nova e poupança Antiga. Fonte: Calculadora do Bacen.

Chegamos ao final deste artigo e meu intuito maior é contribuir para elevar o nível de discussão sobre o mercado de Renda Fixa.

Tenho certeza que está claro que o mercado de Renda Fixa é muito abrangente, vai muito além de ativos atrelados ao CDI/SELIC e que existem ótimas oportunidades, mas com riscos equivalentes.

Toda essa análise é para vocês terem clareza da diferença de risco entre um ativo pós atrelado ao CDI/SELIC de um Prefixado/IPCA.

Lembro que retorno e risco passados não representam os retorno e risco futuros.  O futuro não é reflexo do passado. A única certeza é que as incertezas continuarão presentes. Afinal de contas, a única variável constante no mercado é a mudança nos preços e na Renda Fixa eles também variam (dependendo do indexador varia muiiiito!).

A excelência é uma utopia, sempre há algo a melhorar!

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Forte abraço

Jefferson Figueiredo – CGA®

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Sou Gestor de ativos de Renda Fixa há 10 anos. O objetivo do Renda Fixa Prática é ajudar na compreensão sobre ativos de Renda Fixa, dando ênfase nos Títulos Públicos Federais.