Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 211

Curva de Juros Futuro do DI em 09/08/2022

Curva de Juros Futuro do DI em 29/07/2022

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto.

Highlights (Resumo): Forte Queda nas Taxas de Juros

Principal(is) vetor(es): A semana de decisão de política monetária doméstica foi de expressiva redução de prêmios de risco da curva de juros, amparada na percepção de que o atual ciclo de aperto monetário pode ter acabado, apesar da sinalização do Banco Central de possibilidade de uma alta residual em setembro

Destaque(s): Copom.

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

No Relatório de Mercado Focus (08), a estimativa para o IPCA de 2022 cedeu pela sexta semana consecutiva, de 7,15% para 7,11%. Há um mês, a estimativa era de 7,67%. A meta para 2022 é de 3,50%, com tolerância superior de até 5,00%. A mediana para o índice de inflação oficial em 2023, foco principal da política monetária, continua avançando, agora de 5,33% para 5,36%, a 18ª alta seguida. Há um mês, a estimativa era de 5,09%. Para 2023, a meta é de 3,25%, com banda até 4,75%.

A semana de decisão de política monetária doméstica foi de expressiva redução de prêmios de risco da curva de juros, amparada na percepção de que o atual ciclo de aperto monetário pode ter acabado, apesar da sinalização do Banco Central de possibilidade de uma alta residual em setembro. A curva teve forte redução da inclinação, considerando o spread entre os contratos DI jan/27 e jan/24, que fechou em -102 pontos, de -73 na sexta-feira anterior (29). O Copom elevou a taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, de 13,25% para 13,75% ao ano, voltando ao mesmo patamar de janeiro de 2017, e disse que “avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”.

Outros vetores que se somaram para ajudar na trajetória de baixa foram:

  • a leitura de que há espaço para cortes da Selic em 2023, diante dos riscos de recessão global reforçado pelo alerta do Banco da Inglaterra, que projeta que a economia britânica entrará em recessão a partir do último tri de 2022 e deverá se estender por cinco trimestres, e o PMI Industrial da China mostrando contração,
  • a queda da inflação medida pelo IGP-DI de julho (-0,38%), deflação bem acima da mediana estimada (-0,18%) após uma alta de 0,62% em junho, bem como a deflação do IPC-S de julho,
  • a desvalorização de commodities refletindo temores sobre a retração do crescimento na segunda maior economia do mundo, a China. O petróleo tipo Brent fechou aquém de US$ 95 o barril, de US$ 110 no fechamento da semana anterior,
  • o anúncio da Petrobras de recuo de R$ 0,20 no litro do diesel,
  • e o alívio com o fim da visita da presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, a Taiwan, e por enquanto, sem consequências geopolíticas entre Pequim e Washington de grande magnitude.

Fatores que foram considerados de menor potencial para influenciar o movimento da curva de juros:

  • a queda de -0,4% da produção industrial, levemente pior do que a mediana das estimativas que era de retração de 0,3% em junho ante maio.

Fizeram o contraponto mas não impediram a retirada de prêmios da curva:

  • a alta nos rendimentos dos Treasuries refletindo a possibilidade de um aperto monetário mais forte no juro americano, endossada pela criação de vagas (528 mil) muito acima do esperado (250 mil) e revisão para cima no payroll de maio e junho, queda na taxa de desemprego ante expectativa de estabilidade e salários subindo além do previsto. A taxa da T-Note de 2 anos subiu cerca de 33 pontos-base, e a de dez anos, 16 pontos,
  • os dados fortes do mercado de trabalho americano mostraram que a economia ainda está aquecida, diminuiu as preocupações com recessão e resgatou as chances de uma nova alta de 0,75 ponto nos Fed funds. No monitoramento do CME Group, as chances de uma elevação de 75 pontos-base no juro americano em setembro voltaram a ser majoritárias,

A conferir

  • Se a ata do Copom e o IPCA de julho, que deve ter a maior deflação do Plano Real: -0,66% na mediana irão confirmar a percepção de fim de ciclo de aperto monetário, ou se ainda cabe um aumento residual, de menor magnitude (25 pontos-base) em setembro. O DI zerou as expectativas de um último ajuste do juro em setembro, mas parte do mercado ainda está reticente quanto a isso,
  • Nos EUA, a inflação do CPI e do PPI que devem emitir mais sinais sobre os próximos passos do Fed.

O dólar no mercado à vista encerrou o pregão da sexta-feira (5) cotado a R$ 5,1668 e queda de 0,14% na semana.

Os fatores que induziram as alterações no preço da moeda americana foram:

  • a entrada de recursos estrangeiros para ativos domésticos (Bolsa e mercado de juros) após o Copom sinalizar o fim do ciclo de alta da Selic,
  • o forte relatório de emprego (payroll) dos EUA em julho com revisão para cima dos números de criação de postos de trabalho de junho e maio, a alta do salário médio por hora e a taxa de desemprego americana bem melhores que o esperado gerando expectativas de aumento de consumo e pressão na inflação, e aumentando as chances de um Fed mais agressivo em suas próximas reuniões. Monitoramento do CME Group mostra que as apostas de alta de 75 pontos-base dos Fed Funds em setembro voltaram a ser majoritárias,
  • e a percepção de fase final de aperto monetário no Brasil com expectativa de queda dos juros até o final de 2023.

Agenda de eventos e indicadores econômicos de 08 a 12 de agosto

Segunda-feira (08): Boletim Focus

Terça-feira (09): a divulgação da ata da reunião do Copom, o IPCA de julho e o índice de preços ao consumidor (CPI) da China,

Quarta-feira (10): a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) de junho e o índice de inflação ao consumidor (CPI) de julho nos EUA,

Quinta-feira (11): a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de junho e o relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE),

Sexta-feira (12): a leitura preliminar de agosto do sentimento do consumidor americano, medido pela Universidade de Michigan.

Fonte: Broadcast

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