Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 218

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto.

Highlights (Resumo): Queda  nas Taxas de Juros

Principal(is) vetor(es): “Efeito Meirelles”, o otimismo com o cenário prospectivo de inflação  e o IGP-M caindo 0,91% na segunda prévia de setembro.

Destaque(s): Política, IGP-M e cenário inflacionário.

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

No Relatório de Mercado Focus (26), a estimativa para alta do IPCA em 2022 foi reduzida pela 13ª semana seguida, de 6,00% para 5,88%. Há um mês, a projeção era de 6,70%. A meta para 2022 é de 3,50%, com tolerância superior de até 5,00%. A expectativa para o índice de inflação oficial em 2023 recuou pela sexta semana consecutiva, de 5,01% para 5,00%, contra 5,30% quatro semanas antes. A meta para 2023 é de 3,25%, com banda até 4,75%.
A mediana para o IPCA de 2024, para onde caminha o horizonte relevante de política monetária, interrompeu a sequência de altas semanais e ficou estável em 3,50%, contra 3,41% há um mês. A meta para 2024 é de 3,00%, com intervalo de 1,5% a 4,5%.

A semana no mercado de renda fixa foi de recuo das taxas de juros amparado na aposta pós-Copom em cortes da Selic em 2023, após a taxa ter sido mantida em 13,75%, mesmo com o tom mais hawkish do BC no comunicado. Houve um leve ganho de inclinação na curva, considerando o spread entre os contratos DI jan/27 e jan/24, que fechou em -142 pontos, de -153 na sexta-feira anterior (16).

Os vetores que influenciaram o fechamento da curva foram:

  • a melhora na perspectiva de risco fiscal após o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, formalizar seu apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência,
  • o otimismo com o cenário de inflação, amparado na leitura de que, por ter começado bem antes o aperto monetário, o Brasil terá desinflação mais cedo, ajudada pelos preços das commodities em queda e arrefecimento gerado pelos efeitos da política monetária hawkish sobre as principais economias,
  • e o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caindo 0,91% na segunda prévia de setembro, após registrar queda de 0,57% na mesma prévia de agosto.

Fizeram o contraponto mas não impediram a retirada de prêmios na curva:

  • via comunicado e dissenso na votação, a sinalização considerada hawkish do BC brasileiro, de que “não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado.” O comitê optou por manter a ênfase no primeiro tri de 2024 como horizonte relevante, ainda que se tenham dúvidas sobre a desoneração tributária sobre os combustíveis,
  • a aversão ao risco nos mercados internacionais refletindo as incertezas em relação ao resultado da combinação entre inflação, aperto monetário e recessão na Europa e nos EUA,
  • o receio de uma postura agressiva do banco central americano. Na sequência do comunicado, Jerome Powell indicou que a ideia é apertar a política monetária até que a inflação volte à meta de 2%, ainda que com o risco de abalar a atividade,
  • a taxa da T-Note de 2 anos subiu para 4,2075%, com o PMIs Composto nos EUA no maior nível em 3 meses corroborando a percepção de um Fed agressivo,
  • o pessimismo no exterior com PMIs fracos sinalizando recessão na zona do euro e no Reino Unido,
  • e o megapacote fiscal, de corte de impostos e ampliação de gastos, anunciado pelo governo britânico, que levará a um forte endividamento. Custará mais de 150 bilhões de libras nos próximos dois anos.

Fatores que foram considerados de menor potencial para influenciar o movimento da curva de juros:

  • o anúncio de corte nos preços do diesel e redução dos preços do gás de cozinha pela Petrobras, dado o impacto marginal sobre o IPCA.

A conferir o que estará no radar do mercado

  • o IPCA-15 de setembro que deve mostrar nova deflação,
  • a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), com detalhes sobre a decisão de manter a Selic em 13,75% ao ano. A expectativa é de uma reafirmação do tom hawkish adotado no comunicado, na tentativa de diminuir as apostas no início do ciclo de cortes da Selic no curto prazo,
  • o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, que provavelmente vai reforçar o comprometimento de combate à inflação, o que pode induzir a economia americana à recessão,
  • e a reta final da campanha eleitoral no primeiro turno, com o debate na Globo na quinta-feira devendo definir as chances dos candidatos.

O dólar fechou o pregão da sexta-feira (23) cotado a R$ 5,2485 no mercado à vista, encerrando a semana com baixa de 0,20% e ganhos de 0,90% no mês.

Os fatores que influenciaram as alterações no preço da moeda americana foram:

  • a leitura decepcionante de PMIs da Europa atestando a fraqueza da economia,
  • o dado preliminar do índice de gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro, que engloba os setores industrial e de serviços, mostrou queda de 48,9 em agosto para 48,2 em setembro, no menor nível em 20 meses e permanecendo abaixo da barreira de 50, que sinaliza contração da atividade. No Reino Unido e na Alemanha os dados também mostraram desaceleração econômica,
  • o PMI composto dos EUA, da S&P Global, que subiu de 44,6 em agosto para 49,3 em setembro, no maior nível em três meses, aumentou os temores de uma política monetária mais restritiva pelo Fed,
  • a alta das taxas dos Treasuries. O retorno da T-note de 2 anos, mais ligado à expectativa para a magnitude do ciclo de aperto monetário, fechou em 4,2075%, de 3,8628% na sexta-feira anterior (16),
  • o plano de corte de impostos e subsídios anunciado pelo governo do Reino Unido com custo estimado em mais 150 bilhões de libras nos próximos dois anos,
  • a queda nas cotações do petróleo, com o tipo Brent, referência para a Petrobras, fechando a US$ 86,15 o barril, de US$ 91,35 na sexta-feira anterior (16),
  • a decisão da Rússia de mobilizar mais tropas para o conflito na Ucrânia,
  • e o encerramento do ciclo de altas da taxa Selic.

Agenda de eventos e indicadores econômicos de 26 a 30 de setembro

Segunda-feira (26):

  • Brasil: Relatório de Mercado Focus, a nota do setor externo de junho e julho,
  • EUA: discursos de dirigentes do Fed,
  • Zona do Euro: discurso de Christine Lagarde, presidente do BCE,

Terça-feira (27):

  • Brasil: o IPCA-15 de setembro, a ata da reunião do Copom,
  • EUA: o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, as encomendas de bens duráveis, o índice de confiança do consumidor pelo Conference Board, as vendas de moradias novas,

Quarta-feira (28):

  • Brasil: a nota de crédito de agosto, o relatório mensal da dívida pública federal, os dados do Caged de emprego formal de agosto,
  • EUA: estoques de petróleo semanal, discurso de Powell e outros dirigentes do Fed,

Quinta-feira (29):

  • Brasil: o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o IGP-M de setembro, o resultado primário do Governo Central de agosto, o último debate entre os candidatos à presidente antes do primeiro turno das eleições,
  • EUA: terceira leitura do PIB do 2º trimestre, os pedidos de seguro desemprego,
  • Zona do Euro: o índice de sentimento econômico, índice de preços ao consumidor (CPI) da Alemanha,

Sexta-feira (30):

  • Brasil: o setor público consolidado de agosto, a taxa de desemprego de agosto pela Pnad Contínua,
  • EUA: o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida de inflação preferida do Fed, de agosto, o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan,

Zona do Euro: o índice de preços ao consumidor (CPI) e a taxa de desemprego, ambos em setembro

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

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