Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 222

Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto.

Highlights (Resumo): Queda marginal nas Taxas de Juros.

Principal(is) vetor(es):  possibilidade do Fed diminuir o ritmo da elevação dos juros para meio ponto porcentual a partir de dezembro. A deflação de 0,83% do IGP-M.

Destaque(s): FED e inflação

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

No Relatório de Mercado Focus (24), a expectativa para a alta do IPCA em 2022 cedeu de 5,62% para 5,60%, a 17ª redução seguida. Há um mês, a mediana era de 5,88%. A meta para 2022 é de 3,50%, com tolerância superior de até 5,00%. A mediana para a inflação oficial em 2023 passou de 4,97% para 4,94%. Há um mês, a mediana era de 5,00%. A meta para 2023 é de 3,25%, com banda até 4,75%. A estimativa para 2024 acelerou de 3,43% para 3,50%. Há um mês, a mediana era de 3,50%. A meta para 2024 é de 3,00%, com intervalo de 1,5% a 4,5%.

A semana no mercado de juros foi de devolução de prêmios na curva, amparada na possibilidade do Fed diminuir o ritmo da elevação dos juros para meio ponto porcentual a partir de dezembro. O spread entre os contratos DI jan/27 e jan/24 fechou em -131 pontos, de -127 na sexta-feira anterior (14).

Os principais vetores que influenciaram a trajetória da curva de juros foram:

  • o impacto positivo das declarações dovish do presidente da distrital de Chicago do Fed, Charles Evans, com poder de voto no Fomc no ano que vem, de que a inflação deve “desacelerar significativamente em 2023, o que levou o mercado a aumentar as apostas em um abrandamento do aperto monetário. Declarações semelhantes também foram dadas pela presidente do Fed São Francisco, Mary Daly, com poder de voto em 2024 no Fomc,
  • a renúncia de Liz Truss do cargo de primeira-ministra e o anúncio da reversão do pacote fiscal no Reino Unido, que embutia amplo programa de corte de impostos que tinham potencial para insuflar ainda mais a inflação no país, e que trouxe estresse ao mercado de títulos e à libra,
  • a deflação de 0,83% do IGP-M na segunda prévia de outubro, menor que a registrada no segundo decêndio de setembro, quando o índice recuou 0,91%,
  • e a queda de 1,13% do IBC-Br de agosto, após alta de 1,67% em julho (dado revisado), bem mais do que apontava a mediana (-0,30%) e perto do piso das estimativas (-1,20%).

Fizeram o contraponto mas não impediram a retirada de prêmios na curva:

  • os dados de inflação fortes na Europa: o índice de inflação ao consumidor no Reino Unido (CPI) mostrou inflação de 10,1%, a mais elevada dos últimos 40 anos, e a taxa anual do CPI da zona do euro atingiu nova máxima histórica de 9,9% em setembro, aumentando o risco de aperto monetário mais acentuado,
  • a preocupação com a economia americana. O Livro Bege trouxe que a alta de juros já impacta a venda de imóveis, que o nível da desaceleração do mercado de trabalho está menor e o salário segue num nível elevado,
  • a crise política no Reino Unido,
  • a escalada da guerra da Ucrânia com novos ataques da Rússia, com o governo da China pedindo a seus cidadãos que deixem o país do leste europeu,
  • o futuro da economia da China, com o presidente Xi Jinping deixando claro que a política de covid-zero será mantida,
  • o persistente avanço dos rendimentos dos Treasuries, com a taxa de 10 anos superando 4,20%, nos maiores níveis em mais de 10 anos,
  • e o compasso de espera pelo desfecho da corrida presidencial e da reunião do Copom.

Fatores que foram considerados de menor potencial para influenciar o movimento da curva de juros:

  • os aumentos da gasolina em todo o País, após 15 semanas seguidas de queda,
  • a movimentação do cenário eleitoral,
  • e o IGP-10 com deflação de 1,04% em outubro, após a queda de 0,90% em setembro, uma baixa maior que a mediana de -1,02%. A taxa em 12 meses ficou em 7,44%.

A conferir o que estará no radar do mercado

  • Se nos EUA, na sexta-feira, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida preferida de inflação do Fed, irá corroborar com as apostas para o juro a partir de dezembro, após dirigentes enviarem sinais mais dovish,
  • o IPCA-15 de outubro na terça-feira, que deve interromper a série de deflações,
  • a reta final do segundo turno das eleições, a movimentação dos candidatos e os números das pesquisas eleitorais. No domingo (30), a partir das 18h, o resultado do segundo turno da eleição presidencial,
  • a possibilidade de recessão na Europa, em meio a perspectivas de aperto monetário de 75 pontos-base pelo BCE na quinta-feira, para tentar conter a escalada da inflação com a crise de energia na região causada pela guerra da Rússia na Ucrânia,
  • e a sinalização do comunicado sobre o plano de voo do Banco Central após a decisão sobre a Selic na quarta-feira, uma vez que o mercado já tem precificada a manutenção da taxa em 13,25% ao ano.

O dólar no mercado à vista encerrou a sessão de sexta-feira (21) cotado a R$ 5,1480, terminando a semana com perdas de 3,28% e acumulando desvalorização de 4,57% em outubro.

Os fatores que influenciaram o mercado de câmbio doméstico foram:

  • o acirramento da disputa presidencial interna com algumas pesquisas mostrando chances de reeleição de Bolsonaro e permanência de Paulo Guedes no Ministério da Economia,
  • o impacto da reportagem do “Wall Street Journal”, de que, após uma provável elevação da taxa básica em 75 pontos-base em novembro, o Fed pode moderar o ritmo de alta de juros a partir de dezembro. Apostas monitoradas pelo CME Group já mostram maior probabilidade para tal movimentação,
  • as declarações de dirigentes do BC americano corroborando reportagem do Wall Street Journal. A presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, disse que agora é o momento de o Fed “começar a discutir” a redução do ritmo de alta de juros. Em seguida, o presidente do presidente do Fed de Chicago, Charles Evans (que tem direito a voto em 2023), disse que prevê desaceleração “significativa” da inflação nos EUA no ano que vem e juros pouco acima de 4,5% no início do próximo ano,
  • o abandono do plano de corte de gastos no Reino Unido, seguido pela renúncia da primeira-ministra Luz Truss,
  • a perspectiva de recessão na Europa e recrudescimento do conflito na Ucrânia,
  • e novos ingressos de fluxo cambial em busca de melhores retornos em aplicações como a bolsa e renda fixa.

Agenda de eventos e indicadores econômicos de 24 a 28 de outubro

Segunda-feira (24):

  • Brasil: o Relatório de Mercado Focus, o relatório de produção da Petrobras, as notas do setor externo de agosto e setembro,
  • EUA: as prévias dos PMIs industrial, de serviços e composto da S&P Global em outubro, o discurso de Janet Yellen, secretária do Tesouro,
  • Zona do Euro: as prévias dos PMIs industrial, de serviços e composto da S&P Global (outubro)

Terça-feira (25):

  • Brasil: o IPCA-15 de outubro,
  • EUA: o discurso de Christopher Waller, membro do comitê de diretores do Fed,
  • China: o PIB do 3º tri, a produção industrial, as vendas no varejo, e a taxa de desemprego, todos referentes à setembro,

Quarta-feira (26):

  • Brasil: a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom),
  • Brasil: a decisão do Copom,
  • EUA: as vendas de casas novas em setembro, os estoques de petróleo,
  • China: a Balança comercial em setembro,

Quinta-feira (27):

  • Brasil: os dados de setembro do Caged, Governo Central e da Pnad Contínua Mensal,
  • EUA: os pedidos de bens duráveis em setembro, a prévia do PIB do 3º trimestre, os pedidos de seguro-desemprego,
  • Zona do Euro: a decisão da taxa de juros do BCE,

Sexta-feira (28):

  • Brasil: o último debate entre os candidatos à presidência da República, o IGP-M de outubro,
  • EUA: o índice de preços de gastos com consumo (PCE), medida preferida de inflação do Fed, as vendas de moradias usadas, ambos de setembro, o índice de sentimento do consumidor de outubro da Universidade de Michigan e as expectativas de inflação para 1 e 5 anos,
  • Japão: a decisão de política monetária.

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

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Características do Tesouro Direto: Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

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