Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 233

→ Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto.

Highlights (Resumo): Alta nas Taxas de Juros.

Principal(is) vetor(es): a insegurança com o futuro da situação fiscal do País.

Destaque(s): Risco Fiscal.

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

No Relatório de Mercado Focus (9), a projeção para o IPCA de 2023 subiu de 5,31% para 5,36%, contra 5,08% há um mês, acima do teto da meta (4,75%). Para 2024, a mediana também voltou a subir, de 3,65% para 3,70%, de 3,50% há quatro semanas. O centro da meta de 2024 é 3,00% (margem de 1,50% a 4,50%). O cenário para a inflação neste e nos próximos anos continuou a se deteriorar, diante da expansão fiscal contratada pelo novo governo, sem ainda um plano claro para alcançar o equilíbrio das contas públicas.

No mercado futuro de juros, a semana foi de recomposição de prêmios em toda a curva a termo, refletindo a insegurança com o futuro da situação fiscal do País. A curva permaneceu com o mesmo nível de desinclinação considerando o spread  entre  os contratos  DI jan/27 e jan/24, -80 pontos.

Os principais vetores que influenciaram a trajetória da curva de juros foram:

as sinalizações do novo governo de medidas que apontaram na direção da deterioração fiscal, aumentaram o temor de ingerência política em questões econômicas e provocaram volatilidade nos mercados:

  • a revogação do teto de gastos,
  • a interrupção dos processos de privatização,
  • a prorrogação da desoneração dos combustíveis,
  • as dúvidas em torno da política de preços da Petrobras sob novo comando,
  • os comentários favoráveis a uma expansão do Estado,
  • a subordinação de agências reguladoras a ministérios,
  • a antirreforma da Previdência,
  • a negação do déficit na Previdência,
  • a reforma trabalhista,
  • a informação de que o novo governo estuda anistiar os empréstimos consignados feitos por beneficiários do Auxílio Brasil,
  • e as incertezas em relação ao novo arcabouço fiscal a substituir o teto de gastos.

Fizeram o contraponto mas não impediram a abertura da curva de juros:

  • a redução dos ruídos políticos que estressaram os mercados, após a primeira reunião do presidente Lula com ministros para alinhar o discurso fiscal,
  • o mercado considerou também as declarações da ministra do Planejamento, Simone Tebet, de que não vão descuidar da responsabilidade fiscal e qualidade dos gastos, além de citar a redução da dívida,
  • as falas fiscalistas do novo ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, que disse que é urgente combinar as responsabilidades ambiental e social com a fiscal e que o governo Lula quer a “saúde” das contas públicas,
  • o resultado da produção industrial, que caiu 0,1% em novembro ante outubro, atestando enfraquecimento da atividade econômica doméstica, em reflexo do aperto monetário feito ao longo de 2022,
  • as sinalizações do ministro da Casa Civil, Rui Costa, de que não há intenção de mexer na reforma da previdência, e do futuro presidente da Petrobras, senador Jean Paul Prates, garantindo que a petroleira terá como referências os preços internacionais do petróleo,
  • a queda do petróleo, com o Brent fechando a semana abaixo de US$ 80, em meio a temores com a economia chinesa pelo quadro da covid-19 e de uma recessão em grandes economias,
  • e o relatório de emprego dos EUA, o payroll, que trouxe crescimento do salário médio por hora (alta de 0,27% em relação a novembro) inferior ao esperado pelo mercado (+0,40%), e estimulou apostas de que o próximo movimento do Banco Central americano seja de alta de apenas 25 pontos-base (74,2%, segundo o CME Group). O retorno da T-note de 2 anos, mais ligado a apostas para o ritmo de alta pelo Fed, caiu 14 pts na semana.

Fatores que foram considerados de menor potencial para influenciar o movimento da curva de juros:

  • o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que registrou alta de 0,31% em dezembro, após uma redução de 0,18% em novembro, abaixo da mediana de 0,40% das estimativas, cujo intervalo ia de 0,23% a 1,26%. Com o resultado, o IGP-DI acumulou uma elevação de 5,03% no ano de 2022 (de 17,74% em 2021). As expectativas iam de 4,92% a 6,00%, com mediana de 5,13%,
  • e a ata da mais recente reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, mostrando que nenhum dos dirigentes considerou apropriado corte dos Fed Funds em 2023. Também apontou que riscos de alta da inflação continuam sendo fator-chave para a política monetária.

A conferir o que estará no radar do mercado

  • Brasil: as reuniões do presidente Lula com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber, e mais tarde com governadores, após as ações de grupos radicais em Brasília,
  • Brasil: na terça-feira (10), o resultado de dezembro e do acumulado de 2022 do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência pelo Banco Central em suas decisões de política monetária. A projeção do mercado é de 0,53% em dezembro e de 6,01% no acumulado do ano,
  • Brasil: na sexta-feira (13), a divulgação do IBC-Br, o índice de atividade econômica medido pelo Banco Central, considerado pelo mercado como prévia do PIB,
  • EUA: na quinta-feira (12), a inflação do consumidor (CPI) referente ao mês de dezembro e anual de 2022. A projeção do núcleo da inflação, que mede somente a evolução dos preços de bens e serviços desconsiderando alimentos e energia é de 0,3% em dezembro e de 5,7% em todo ano de 2022. Para a inflação geral, o mercado espera 6,5% no ano. O núcleo do CPI é uma medida fundamental para entender mudanças nas tendências de compras e de inflação, é o dado preferido do Fed, que o usa como referência para tomar suas decisões de política monetária,
  • EUA: o presidente do Fed vai discursar duas vezes, mantendo o mercado atento a possíveis indicativos dos próximos movimentos dos juros.

O dólar no mercado à vista terminou o pregão da sexta-feira (06) cotado a R$ 5,2363, encerrando a semana em queda de 0,83% em relação ao real.

Os fatores que influenciaram as alterações no preço da moeda americana foram:

  • a redução do ruído político após o “alinhamento” do discurso do governo promovido na primeira reunião ministerial,
  • a leitura de que o Fed teria espaço para reduzir o ritmo do aperto monetário após o crescimento menor do que o esperado dos salários médios por hora no payroll de dezembro. O sistema de monitoramento do CME Group apontou 74,2% de chance de aperto de 25 pontos-base dos juros americanos na reunião de 1º de fevereiro,
  • e as declarações do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que não há intenção de mexer na reforma da previdência, corrigindo o pessimismo dos últimos dias.

Agenda de eventos e indicadores econômicos de 09 a 13 de janeiro

Segunda-feira (09):

  • Brasil: o Relatório de Mercado Focus, o IPC-S de janeiro (1ª quadri), a balança comercial semanal,
  • EUA: o crédito ao consumidor em novembro, o Presidente da distrital do Fed em Atlanta, Raphael Bostic, discursa em evento do Rotary Club de Atlanta,
  • Zona do Euro: a taxa de desemprego de novembro,
  • Alemanha: a produção industrial de novembro,
  • Reino Unido: a Economista-chefe do BoE, Huw Pill, discursa em evento da Money Marketeers, a taxa dos empréstimos garantidos por hipoteca.

Terça-feira (10):

  • Brasil: o resultado de dezembro e do acumulado de 2022 do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência pelo Banco Central em suas decisões de política monetária, o IGP-M de janeiro (1º decêndio),
  • EUA: o presidente do Fed, Jerome Powell, vai discursar duas vezes, API: Estoques de petróleo e derivados da semana encerrada até 06 de janeiro.

Quarta-feira (11):

  • Brasil: os dados de vendas no varejo restrito e ampliado em novembro, um importante termômetro do ritmo da economia, o fluxo cambial semanal,
  • EUA: o relatório dos estoques de petróleo (semana até 06 de janeiro), importação, atividade e produção,
  • China: o Índice de preços ao consumidor (CPI) e o Índice de preços ao produtor (PPI), ambos de dezembro.

Quinta-feira (12):

  • Brasil: os dados do setor de serviços em novembro. A projeção é de queda de 0,3% no mês e alta de 10,2% no acumulado do ano,
  • EUA: a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de dezembro e anual de 2022, que mede a inflação no varejo americano, os dados dos pedidos de seguro desemprego semana até 07 de janeiro.

Sexta-feira (13):

  • Brasil: o IBC-Br de novembro, importante medida de crescimento da economia do Banco Central e considerado prévia do PIB,
  • EUA: o Índice de Sentimento do Consumidor (preliminar) de janeiro pela Universidade de Michigan,
  • Zona do Euro: a produção industrial e a balança comercial, ambos de novembro,
  • Alemanha: o Produto Interno Bruto de 2022 (preliminar),
  • Reino Unido: os dados de seu PIB anual, trimestral e de dezembro,
    os dados de produção industrial novembro, os dados de sua balança comercial,
  • China: a balança comercial de dezembro.

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

Fonte: Broadcast

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