Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 244

→ Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto.

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros.

Principal(is) vetor(es): possibilidade de que os efeitos da turbulência bancária possam levar à uma postura mais dovish dos bancos centrais das principais economias.

Destaque(s): Risco Sistêmico.

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

No Relatório de Mercado Focus (27), a projeção do mercado para a inflação de 2023 passou de 5,95% para 5,93%, bem acima do teto da meta (4,75%). Um mês antes, a mediana era de 5,90%. Para 2024, horizonte cada vez mais relevante para a estratégia de convergência à inflação do BC, a projeção aumentou de 4,11% para 4,13%, acima do centro da meta (3,00%), mas ainda dentro do intervalo que vai de 1,50% a 4,50%, contra 4,02% de quatro semanas atrás.

A semana na Renda Fixa foi de perda de inclinação da curva, com pequeno avanço na parte mais curta, e queda nas demais, apoiada na possibilidade de que os efeitos da turbulência bancária possam levar à uma postura mais dovish dos bancos centrais das principais economias. O mercado voltou a aumentar as apostas no ciclo de cortes da Selic a partir de junho deste ano.

Os principais vetores que influenciaram o fechamento das partes intermediária e longa da curva a termo de juros foram:

  • o fechamento da curva dos Treasuries amparado na precificação de que o Fed não vai mais subir juros. Segundo a ferramenta de monitoramento do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros pelo Fed no encontro de maio é majoritária,
  • a leitura positiva dos preços de abertura do IPCA-15 de março, apesar do índice cheio (0,69%) ter superado levemente a mediana das estimativas (0,67%). A inflação cedeu em comparação com a prévia de fevereiro (0,76%) e o fechado de fevereiro (0,84%). O índice de difusão caiu, a média dos núcleos desacelerou e ficou abaixo da mediana estimada, e os preços de serviços também subiram menos, ainda que sigam em patamar elevado no acumulado em 12 meses,
  • a cautela com a situação do sistema financeiro global, agora envolvendo o Deutsche Bank, após problemas já conhecidos em três bancos nos EUA e do Credit Suisse, aumentando o temor de uma crise de crédito mundial e de recessão, “com impactos sobre a atividade econômica e, mais adiante, em menor pressão sobre a inflação”,
  • e o Fed endossando a expectativa de uma suavização do discurso após os problemas em bancos nos EUA. O tom mais dovish do comunicado em relação ao anterior foi reforçado pelo presidente do Fed, Jerome Powell, na entrevista coletiva, alimentando a ideia de que o ciclo de aperto do juro está próximo do fim, embora tenha lembrado que a inflação nos EUA ainda segue em nível alto e que o Fed pode elevar os juros de novo, caso seja necessário.

Fatores que influenciaram a abertura da parte mais curta da curva de juros foram:

  • o ajuste ao comunicado hawkish do Copom, que além de não sinalizar sobre o ciclo de queda da Selic, deixou claro o risco de ter de voltar a elevar a taxa, caso as expectativas de inflação não convirjam às metas,
  • o desconforto com o aumento da tensão na relação do governo com o Banco Central em resposta à manutenção da Selic,
  • o presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmando que o Copom não pode fazer análise com base em um texto de regra que nem foi apresentado. A fala acende alerta em relação à articulação política para o avanço do processo do marco fiscal,
  • a decisão do presidente Lula de adiar para abril a apresentação do novo arcabouço fiscal, após a viagem à China,
  • as novas críticas do presidente Lula ao patamar dos juros no País e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto,
  • a piora nas projeções para inflação de 2024 a 2026 no Boletim Focus (20), ficando ainda mais desancoradas das metas, que é de 3,00% para 2024 e 2025, e para 2026, ainda não há meta definida,
  • e o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) acelerou a 0,11% na segunda prévia de março, após avanço de 0,04% na mesma leitura de fevereiro.

Fatores que foram considerados de menor potencial para influenciar o movimento da curva de juros:

  • a compra do Credit Suisse pelo UBS, e a ação coordenada do Fed e outros bancos centrais para assegurar liquidez ao sistema financeiro global e arrefecer o temor de contágio sistêmico,
  • o Banco da Inglaterra (BoE) elevou sua taxa básica 25 pontos-base e reafirmou que pode haver mais aperto em caso de pressões persistentes na inflação,
  • e os nomes dos possíveis dois novos diretores escolhidos para o Banco Central, ainda não anunciados oficialmente.

A conferir o que estará no radar do mercado

Brasil:

a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) na terça-feira (28). A expectativa é pela suavização ou não do discurso após forte reação do governo ao tom hawkish do comunicado da decisão da última quarta-feira (22),

a possível antecipação do anúncio do novo mecanismo de controle de gastos diante do adiamento da viagem do presidente Lula à China por causa de uma pneumonia. Após a divulgação, o arcabouço fiscal precisa ser discutido e aprovado pelo Congresso Nacional,

a indicação dos nomes dos novos diretores do Banco Central,

o cenário em Brasília com os atritos entre os presidentes da Câmara e Senado em torno do rito para a votação de Medidas Provisórias (MPs),

a coletiva sobre a condução da política monetária com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, na quinta-feira (30),

EUA:

a taxa de inflação medida pelo PCE, medida preferida pelo Fed para avaliar a variação dos preços,

a situação dos bancos e o risco de uma crise de crédito.

O dólar no mercado à vista terminou a sessão da sexta-feira (24) cotado a R$ 5,2511, encerrando a semana em queda de 0,36%.

Os principais fatores que influenciaram o preço da moeda americana no mercado doméstico de câmbio foram:

  • o fluxo de recursos do exterior para a Bolsa devido ao nível descontado das ações brasileiras. “Quando a Bolsa fica abaixo dos 100 mil pontos, aparecem oportunidades”,
  • os temores de desaceleração da economia global após dados de atividade mais fracos na zona do euro e Reino Unido,
  • os índice de gerentes de compra (PMI) na zona do euro e Alemanha indicando fraqueza da indústria europeia,
  • a renovação das preocupações com a saúde do sistema financeiro global diante das preocupações com a solidez do Deutsche Bank,
  • o aumento das apostas em cortes da Selic por medo de crise no mercado de crédito,
  • a tensão institucional, após o acirramento das críticas do governo à manutenção do patamar de 13,75% ao ano da taxa Selic e ao presidente do Banco Central,
  • e a preocupação com a demora na apresentação do novo arcabouço fiscal adiado para abril.

Agenda de eventos e indicadores econômicos de 27 a 31 de março

Segunda-feira (27):

Brasil – Fipe: IPC de março (3ª Quadri), FGV: Sondagem do Consumidor de março, BC: Relatório Focus, Secex: Balança comercial semanal, BC/Setor Externo: CC e IDP de fevereiro,  

Alemanha – Ifo: índice de sentimento das empresas em março,  

Terça-feira (28):

Brasil – BC: Ata do Copom, FGV: Sondagem da Construção em março, FGV: INCC-M de março, Tesouro: Leilão de LFT para 1º/3/2026 e 1º/3/2029 e de NTN-B para 15/8/2028, 15/8/2040 e 15/8/2060,

EUA – API: estoques de petróleo na semana até 17 de março, CB: índice de confiança do consumidor em março,  

Quarta-feira (29):  

Brasil – FGV: Sondagem da Indústria em março, BC/Nota de crédito: Crédito livre em fevereiro, Tesouro: Relatório mensal da dívida em fevereiro, BC: Fluxo Cambial da semana de 20 a 24 de março,

EUA – NAR: Vendas pendentes de imóveis em fevereiro, DoE: estoques de petróleo na semana até 24 de março,

Alemanha – GfK: índice de confiança do consumidor em abril,  

Quinta-feira (30):

Brasil – BC: Relatório Trimestral de Inflação, FGV: IGP-M de março, FGV: Sondagem do Comércio em março, FGV: Sondagem de Serviços em março, IBGE: Produção industrial de janeiro, BC: Coletiva sobre a condução da política monetária, com o presidente Roberto Campos Neto e o diretor Diogo Guillen, Tesouro: Leilão de NTN-F para 1º/1/2029 e 1º/1/2033 e de LTN para 1º/4/2024, 1º/4/2025 e 1º/7/2026, Tesouro: Resultado Primário de fevereiro,  

EUA – Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego na semana até 25 de março, Deptº do Comércio: PIB do 4º tri (final), o Índice de preços de gastos com consumo (PCE),  

Zona do euro – Eurostat: Índice de sentimento econômico em março, Comissão Europeia: índice de confiança do consumidor em março (final),

Alemanha – Destatis: CPI de março (preliminar),

China NBS: PMI composto de março, o PMI Industrial, o PMI de serviços,

Sexta-feira (31):

Brasil – BC/Nota de Política Fiscal: Setor público consolidado em fevereiro, IBGE/PNAD Contínua: Taxa de desemprego no trimestre até fevereiro, FGV: Indicador de Incerteza da Economia em março,  

EUA – Deptº do Comércio: Gastos com consumo em fevereiro, Renda pessoal, Índice de preços de gastos com consumo (PCE), Núcleo do PCE, ISM/Chicago: PMI de março, Universidade de Michigan: Índice de Sentimento do Consumidor em março (final), Expectativas de inflação em 1 e 5 anos, Baker Hughes: poços e plataformas de petróleo em operação, 

Zona do euro – Eurostat: CPI de março (preliminar), Núcleo CPI, Taxa de desemprego em fevereiro,

Alemanha – Destatis: vendas no varejo em fevereiro,  

Reino Unido – ONS: PIB do 4º tri (final).

Fonte: Broadcast

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Curvas de Juros Anbima

Gráfico de Retorno versus Risco Renda Fixa - Tesouro Direto

Rendimentos e Volatilidade da Renda Fixa: Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

Características do Tesouro Direto

Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

Volatilidade da Renda Fixa (Risco de Mercado) Tesouro Direto, Ibovespa e Dólar

Retornos Mensais e 12 Meses Ordenado

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI