Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 246

→ Principais Notícias para o Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto.

Highlights (Resumo): Alta nos Juros Curtos e Queda nas Taxas de Juros Longas.

Principal(is) vetor(es): dados de atividade nos EUA abaixo do esperado e suas implicações para movimentos futuros do Fed.

Destaque(s): FED

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

No Relatório de Mercado Focus (10), a projeção para o IPCA deste ano passou de 5,96% para 5,98%, bem acima do teto da meta (4,75%). Um mês antes, a mediana era de 5,96%. Para 2024, horizonte cada vez mais relevante para a estratégia de convergência à inflação do BC, a projeção subiu de 4,13% para 4,14%, acima do centro da meta (3,00%), contra 4,02% de quatro semanas atrás.

A semana na Renda Fixa foi de desinclinação da curva de juros. O desenho foi determinado basicamente pela repercussão negativa de falas do presidente Lula sobre o Banco Central, e dados de atividade nos EUA abaixo do esperado e suas implicações para movimentos futuros do Fed.

Os principais vetores que influenciaram o fechamento das partes intermediária e longa da curva a termo de juros foram:

  • a divulgação de dados mistos do relatório de emprego dos EUA, o payroll. Os números vieram em linha com as estimativas, mas ainda confirmam um mercado de trabalho aquecido nos EUA. A chance de alta de 25 pontos-base em maio se tornou majoritária, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group,
  • outros indicadores nos EUA vieram abaixo do previsto: o PMI de Serviços (51,2) de março caindo mais do que o esperado (54,3), de 55,1 em fevereiro, os números da pesquisa ADP com abertura de 145 mil empregos no mês passado, ante previsão de 210 mil, acentuaram o temor de recessão,
  • na semana houve queda dos juros dos Treasuries. O rendimento da T-note de 2 anos cedeu 20 pontos-base ante a sexta-feira anterior (31), enquanto o de 10 anos recuou para 3,3052%, ao redor das mínimas em seis meses,
  • o arrefecimento das preocupações com o efeito inflacionário do corte da produção feito pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+),
  • e a avaliação “superpositiva” do presidente do Banco Central sobre o novo marco fiscal, reconhecendo esforços do Ministério da Fazenda. Campos Neto disse que a apresentação do novo arcabouço elimina o risco de trajetória explosiva da dívida pública.

Fatores que influenciaram a abertura da parte mais curta da curva de juros foram:

  • a repercussão negativa da fala do presidente Lula sobre meta de inflação, corte da Selic e indicação nas diretorias do Banco Central, que ampliaram os receios de ingerência política sobre o trabalho da equipe econômica,
  • a alta dos preços do petróleo na semana (6,64% do WTI e 6,54% do Brent), amparada pelo corte de produção anunciado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+),
  • o megaleilão de títulos prefixados ofertados no leilão do Tesouro, na esteira da captação externa bem sucedida referente à emissão do Global 2033, que somou US$ 2,25 bilhões, com demanda de US$ 8,5 bilhões. O impacto de alta nas taxas ocorre em função das operações de hedge, que protegem o investidor contra o risco prefixado,
  • o risco de ingerência política na Petrobras após fala do ministro das Minas e Energia, de que o governo vai discutir a política de preços de paridade internacional, que atrela os preços internos à variação das cotações do petróleo,
  • a fala da diretora de assuntos internacionais do BC, Fernanda Guardado, de que ainda não é possível antecipar quando será o início dos cortes da taxa básica de juros. “Poderíamos pensar em cortes quando tivermos maior certeza do processo de convergência da inflação para a meta, quando tivermos maior confiança de que a inflação está evoluindo da maneira como esperamos”,
  • e o Boletim Focus (3) mostrando piora na estimativa de IPCA para 2023.

Fatores que foram considerados de menor potencial para influenciar o movimento da curva de juros:

  • a abertura pelo Tesouro Nacional de uma emissão de títulos em dólares no mercado internacional. O papel, com vencimento em 2033, inaugura um novo benchmark de dez anos para a Dívida Pública Federal externa (DPFe),
  • e as declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que “nunca” falou de alteração da meta de inflação e que está focado no momento em resolver primeiro a questão fiscal”.

A conferir o que estará no radar do mercado

  • No Brasil,

o envio da proposta do novo arcabouço fiscal ao Congresso,

o IPCA de março, na terça-feira (11), para o qual a mediana das estimativas é de 0,77%, ante 0,84% em fevereiro,  

  • Nos EUA

a divulgação dos números da inflação ao consumidor (CPI) em março, que deve determinar os próximos passos do Fed, e a ata da última reunião de política monetária do Fed, ambos na quarta-feira (12),

O dólar no mercado à vista encerrou a sessão da quinta-feira (06) cotado a R$ 5,0581, queda de 0,21% na semana, perdas de 2,16% em 30 dias e de 4,20% neste ano.

Os principais fatores que influenciaram o preço da moeda americana no mercado doméstico de câmbio foram:

  • os dados econômicos nos EUA mostrando perda de força da economia americana, aumentando cautela sobre recessão e apostas no mercado de manutenção de juros em maio,
  • o fluxo de recursos estrangeiros para o país para bolsa e para os juros,
  • a pressão do governo para o BC aumentar a meta de inflação e baixar a taxa de juros,
  • as novas críticas do presidente Lula à gestão da política monetária e declaração de que os “novos diretores vão mudar de acordo com interesses do governo”,
  • a afirmação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que o novo arcabouço fiscal vai exigir, mais do que permitir, a queda da taxa Selic,
  • e a avaliação da proposta de nova regra fiscal pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, como superpositiva, embora tenha repetido que não há relação mecânica entre a aprovação do arcabouço e a redução dos juros.

     

Agenda de eventos e indicadores econômicos de 10 a 14 de abril

Segunda-feira (10):

  • Brasil – FGV: IGP-DI de março, FGV: IPC-S de abril (1ª Quadri), BC: Relatório Focus, Anfavea: Produção e venda de veículos em março,
  • EUA – Deptº do Comércio: Estoques no Atacado de fevereiro, FMI divulga capítulos 2 e 3 do seu relatório sobre “Perspectivas econômicas globais”, o Presidente do Fed de Nova York, John Williams, discursa em evento da Universidade de Nova York, Início da “Reunião de Primavera” do Fundo Monetário Internacional (FMI),
  • China NBS: CPI e PPI de março,
  • Alemanha, Austrália, França, Hong Kong, Itália e Reino Unido: Feriado deixa mercados fechados,

Terça-feira (11):

  • Brasil – Fipe: IPC de abril (1ª Quadri), FGV: IPC-S Capitais de abril (1ª Quadri), IBGE: IPCA de março, IBGE: INPC de março, IBGE: INCC/Sinapi de março, Tesouro: Leilão de NTN-B para 15/8/2028, 15/8/2040 e 15/8/2060 e de LFT para 1º/3/2026 e 1º/3/2029, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja à China,
  • EUA – FMI divulga relatório de Perspectiva Econômica Mundial (WEO), o Presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee participa de evento do Clube Econômico de Chicago, API: estoques de petróleo na semana até 07 de abril, o Presidente do Fed em Minneapolis, Neel Kashkari participa de evento na Universidade Estadual de Montana, Segundo dia da “Reunião de Primavera” do Fundo Monetário Internacional (FMI),
  • Zona do euro – Eurostat: Vendas no varejo em fevereiro,  

Quarta-feira (12):

  • Brasil – FGV: IGP-M de abril (1º Decêndio), IBGE: Vendas no varejo restrito e ampliado em janeiro, BC: Fluxo Cambial Semanal, o Presidente Lula prossegue em viagem oficial à China,
  • EUA – FMI divulga relatório “No caminho para a normalização das políticas”, do Monitor Fiscal, Deptº do Trabalho: Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de março, DoE: estoques de petróleo na semana até 07 de abril, a divulgação da ata do Fed, Reunião entre ministros de Finanças e presidentes de BCs do G20, Terceiro dia da “Reunião de Primavera” do Fundo Monetário Internacional (FMI),

Quinta-feira (13):

  • Brasil: o Presidente Lula prossegue em viagem oficial à China, Tesouro: Leilão de LTN para 1º/4/2024, 1º/4/2025 e 1º/7/2026 e NTN-F para 1º/1/2029 e 1º/1/2033,
  • EUA – Deptº do Trabalho: PPI de março, Deptº do Trabalho: pedidos de auxílio-desemprego na semana até 08 de abril, Reunião entre ministros de Finanças e presidentes de BCs do G20, Quarto dia da “Reunião de Primavera” do Fundo Monetário Internacional (FMI),
  • Zona do euro – Eurostat: produção industrial de fevereiro,
  • Alemanha – Destatis: CPI de março,
  • Reino Unido – ONS: produção industrial de fevereiro,
  • China – GACC: balança comercial de março,

Sexta-feira (14):

  • Brasil – IBGE: Pesquisa Mensal de Serviços em janeiro, o Presidente Lula prossegue em viagem oficial à China,

EUA: o Diretor do Fed, Christopher Waller discursa sobre cenário econômico em evento, Deptº do Comércio: Vendas no varejo de março, Fed: Produção industrial de março, Universidade de Michigan: Índice de Sentimento do Consumidor (preliminar) em abril, Expectativas de inflação em 1 e 5 anos, Baker Hughes: poços de petróleo em operação, Quinto dia da “Reunião de Primavera” do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Fonte: Broadcast

Contribuição: José Luis Gomes Lisboa CFP® Linkedin

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Curvas de Juros Anbima

Gráfico de Retorno versus Risco Renda Fixa - Tesouro Direto

Rendimentos e Volatilidade da Renda Fixa: Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

Características do Tesouro Direto

Taxa de Compra, Preço de Compra, Duration(Duração), Duração Modificada, DV01 e Volatilidade(Desvio padrão últimos 21 úteis)

Volatilidade da Renda Fixa (Risco de Mercado) Tesouro Direto, Ibovespa e Dólar

Retornos Mensais e 12 Meses Ordenado

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI