Highlights (Resumo): Forte Queda nas Taxas de Juros
Principal(is) vetor(es): Durante a semana, o mercado de renda fixa foi influenciado por diversos fatores econômicos e políticos. A curva de juros doméstica foi impactada pela queda brusca do dólar e pelas expectativas de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve, resultando em uma forte correção nas taxas de juros. O anúncio de possíveis medidas para conter a inflação de alimentos pelo presidente Lula gerou preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública, elevando o vértice longo dos juros futuros. A divulgação do PIB do quarto trimestre de 2024 abaixo do esperado e o déficit na balança comercial brasileira reforçaram a leitura de desaceleração econômica, levando a uma queda consistente nas taxas de juros. No balanço semanal, as taxas de juros para janeiro de 2026, 2027 e 2029 fecharam em queda, refletindo as revisões das projeções de crescimento econômico e a expectativa de um ano de arrefecimento na dinâmica da atividade econômica.
Destaque(s): Fed, inflação e PIB
O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de alta da Selic em relação à sexta-feira anterior.
A projeção para as próximas 16 reuniões do Copom caiu de +172 para +107 pontos-base.
Para o fim de 2025 (próximas 7 reuniões), a expectativa de alta reduziu de +223 para +176 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 15,02% ao ano, frente aos 15,44% estimados anteriormente.
Já as expectativas dos economistas, medidas pela mediana do Boletim Focus dos últimos 5 dias, indicam um aumento total de 175 pontos-base para 2025, com o CDI encerrando o ano em 14,90%. Para 2026, a projeção aponta um CDI terminal de 12,40%.
Na quarta-feira de cinzas, o boletim Focus e o noticiário político sem grandes novidades permitiram que o exterior fosse o principal gatilho para a curva de juros doméstica. Houve uma forte correção nas taxas, com destaque para a longa fechando quase 30 pontos-base, respaldada pela queda brusca do dólar para R$ 5,75 e por apostas de que o Federal Reserve iniciará o afrouxamento monetário em junho, com redução acumulada de 75 pontos-base em 2025. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 caiu para 14,785%, de 14,973% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2027 cedeu para 14,765%, de 15,037%, e o para janeiro de 2029 recuou para 14,750%, de 15,044%. A queda nos juros foi impulsionada por um relatório ADP abaixo do esperado, indicando que o setor privado dos Estados Unidos criou 77 mil empregos em fevereiro, abaixo da previsão de 143 mil postos de trabalho. A desvalorização global do dólar, que cedeu 2,71% ante o real, também contribuiu para o fechamento da curva brasileira. A pesquisa Focus mostrou uma queda na projeção para a inflação suavizada nos próximos 12 meses, de 5,64% para 5,49%, enquanto a mediana de IPCA 2025 seguiu em 5,65% e a previsão para a Selic ao fim de 2025 permaneceu em 15%.
Na quinta-feira, o vértice longo dos juros futuros subiu 11 pontos-base após o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, mencionar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará medidas para conter a inflação de alimentos, o que gerou preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública. O restante da curva fechou mais próximo dos ajustes, à espera da divulgação do PIB do quarto trimestre de 2024 do Brasil e do payroll dos Estados Unidos. A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 fechou a 14,815%, de 14,805% no ajuste anterior, e o DI para janeiro de 2027 subiu para 14,820%, de 14,775%. Já o DI para janeiro de 2029 avançou para 14,880%, de 14,775%. A expectativa de novas medidas para conter a inflação alimentar reacendeu a discussão sobre a sustentabilidade da dívida pública e a possibilidade de aumento dos gastos pelo governo. O Tesouro Nacional realizou um leilão de prefixados, mas não houve alterações significativas na curva. O IPC-S acelerou a 1,18% em fevereiro, abaixo da mediana de 1,21%. O mercado aguardava a divulgação do PIB e do payroll americano, que poderiam influenciar a curva de juros.
Na sexta-feira, a balança comercial brasileira registrou déficit em fevereiro, contrariando expectativas de superávit, reforçando a leitura de desaceleração econômica. O PIB do quarto trimestre de 2024, divulgado pela manhã, cresceu 0,2% ante o terceiro trimestre, abaixo da mediana de 0,4%, levando o Goldman Sachs a reduzir a previsão de alta para o PIB real de 2025, de 2,1% para 1,7%. O fechamento da curva de juros foi consistente, com a taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 caindo para 14,740%, de 14,804% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2027 cedeu para 14,570%, de 14,772%, e o para janeiro de 2029 recuou para 14,535%, de 14,816%. No balanço semanal, o DI para janeiro de 2026 fechou 24 pontos-base, o para janeiro de 2027, 48 pontos-base, e o para janeiro de 2029, 51 pontos-base. A queda dos juros futuros foi impulsionada pelo PIB abaixo do esperado e pela revisão das projeções de crescimento para 2025. A balança comercial apontou déficit de US$ 323,7 milhões em fevereiro, mas sem a importação de uma plataforma de petróleo, o mês teria registrado superávit de US$ 2,6 bilhões. Os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos vieram abaixo do esperado, indicando desaceleração econômica, e os juros dos Treasuries ganharam fôlego após o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmar que a economia dos Estados Unidos “está em bom lugar”.
Fonte: Broadcast
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