Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 356

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas Curtas e Alta nas Taxas de Juros Longas

Principal(is) vetor(es): o mercado de renda fixa brasileiro foi marcado por forte sensibilidade ao cenário externo e incertezas fiscais internas. A semana começou com alta nos juros longos, impulsionada pelo acordo comercial entre EUA e China, que reduziu o risco de recessão global e elevou os rendimentos dos Treasuries. A ata do Copom divulgada na terça-feira teve impacto limitado, reforçando a percepção de fim do ciclo de alta da Selic em 14,75%, mas sem descartar nova elevação. A partir de quarta-feira, novos acordos comerciais dos EUA com países do Oriente Médio e a escalada dos yields das Treasuries pressionaram a curva local, especialmente os vencimentos longos. Na quinta-feira, rumores sobre medidas populistas do governo elevaram o risco fiscal e interromperam o alívio nas taxas, apesar das negativas oficiais. Já na sexta-feira, o mercado recuperou parte do fôlego, com queda nas taxas intermediárias e longas, favorecido pela valorização do real, ausência de novos ruídos fiscais e agenda externa mais branda. No balanço semanal, as taxas curtas recuaram levemente, enquanto as longas oscilaram com viés de alta, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos.

Destaque(s): Guerra Comercial e Risco Fiscal.

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

O mercado de juros futuros (DI da B3) elevou suas expectativas de quedas da Selic em relação à sexta-feira anterior.

A projeção para as próximas 14 reuniões do Copom subiu de -202  para -164 pontos-base. O CDI termina 2026 em 13,01% de 12,62% a.a. da semana anterior.

Para o fim de 2025 (próximas 5 reuniões), a expectativa manteve-se estável em -3 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,61% ao ano, frente aos 14,64% estimados anteriormente.

Já as expectativas dos economistas, medidas pela mediana do Boletim Focus dos últimos 5 dias, indicam uma queda total de 0 pontos-base para 2025, com o CDI encerrando o ano em 14,65%. Para 2026, a projeção Focus aponta um CDI terminal de 12,15 (- 250 ptb).

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 5,51% para 5,50%. Há um mês, a mediana era de 5,57% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção se manteve em 4,50% para 4,50%, enquanto há um mês estava em 4,50%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 14,75%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 se manteve em 12,50%, há um mês atrás era 12,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – Semana de 12/05/25 à 09/05/2025

 

Segunda-feira (12/05/2025)
O mercado iniciou a semana com otimismo após o acordo comercial entre EUA e China, que reduziu tarifas e aliviou temores de recessão global. Isso impulsionou os rendimentos dos Treasuries e pressionou a curva de juros local, especialmente nos vencimentos longos, que subiram após quatro sessões de queda. As taxas curtas ficaram estáveis, refletindo a expectativa pela ata do Copom no dia seguinte. O dólar chegou a R$ 5,70, mas recuou para R$ 5,6840. Internamente, o Boletim Focus mostrou leve queda nas projeções de inflação, mas ainda acima da meta, mantendo o mercado dividido quanto à Selic terminal. A curva precificava 52% de chance de alta de 25 pontos-base em junho e 48% de manutenção, com taxa terminal projetada em 14,97%.

Terça-feira (13/05/2025)
A ata do Copom teve impacto moderado no mercado, reforçando a percepção de fim do ciclo de alta da Selic em 14,75%. Pela manhã, os juros recuaram levemente com a ata e dados benignos de inflação nos EUA, mas à tarde os vencimentos longos subiram, acompanhando o steepening da curva americana. O dólar caiu para R$ 5,6087, menor nível desde outubro de 2024. A curva passou a precificar maior probabilidade de manutenção da Selic em junho. O leilão de NTN-B teve baixa demanda, com o Tesouro vendendo 890 mil dos 950 mil títulos ofertados, refletindo cautela do mercado diante do rebalanceamento do IMA-B.

Quarta-feira (14/05/2025)
Os juros futuros subiram, com destaque para os vencimentos longos, refletindo o ambiente externo. A curva brasileira acompanhou a americana, que reagiu a novos acordos comerciais dos EUA com Catar e Arábia Saudita, além do já firmado com a China. Esses estímulos à atividade global reduziram o risco de recessão e aumentaram a expectativa de manutenção dos juros pelo Fed. A T-Note de 10 anos superou 4,50%, pressionando os DIs. Internamente, a PMS de março e sinais fiscais positivos tiveram pouco impacto. A curva ganhou inclinação, com desmonte de posições aplicadas e antecipação ao leilão de prefixados do Tesouro.

Quinta-feira (15/05/2025)
O mercado de juros oscilou ao longo do dia. Pela manhã, os DIs seguiram o alívio nos Treasuries e o leilão de prefixados com menor risco. À tarde, rumores sobre medidas populistas do governo para recuperar popularidade — como reajuste do Bolsa Família — elevaram o risco fiscal e pressionaram os vencimentos longos. Apesar das negativas do governo, as taxas não retomaram a queda. O PPI dos EUA e dados fracos de varejo ajudaram a conter os yields dos Treasuries, que fecharam em queda. A PMC de março veio abaixo do esperado, mas sem impacto relevante, pois o varejo segue em máximas históricas.

Sexta-feira (16/05/2025)
Os juros futuros encerraram a semana em queda, especialmente nos vértices intermediários, com melhora do câmbio e ausência de novos vetores de estresse. O dólar recuou para R$ 5,66, favorecendo a redução de prêmios. A reunião do diretor do BC, Nilton David, com instituições financeiras também esteve no radar. A curva devolveu parte do estresse da véspera, num ambiente externo mais calmo. A curva dos Treasuries oscilou com dados da Universidade de Michigan, mas sem impacto local. O Bradesco revisou para baixo suas projeções de IPCA e câmbio para 2025, reforçando o alívio na curva.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa