Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 360

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas Juros

Principal(is) vetor(es): o mercado de renda fixa brasileiro foi marcado por forte volatilidade, refletindo a combinação de incertezas fiscais domésticas, dados de inflação e tensões geopolíticas. O início da semana foi de alívio nas taxas, com o mercado reagindo à possibilidade de medidas estruturais de corte de gastos após críticas à proposta de aumento do IOF. Na terça-feira, o IPCA de maio surpreendeu positivamente, reforçando apostas de manutenção da Selic, o que pressionou as taxas para baixo. No entanto, na quarta-feira, as dificuldades do governo em avançar com o IOF e o aumento das tensões políticas reverteram parte do otimismo, elevando as taxas intermediárias. Na quinta, o mercado oscilou com o leilão de prefixados do Tesouro e o impasse político sobre o IOF, enquanto na sexta-feira, apesar do agravamento do conflito entre Israel e Irã, o mercado encontrou alívio com a sinalização de apoio político a um nome bem-visto pelo mercado para 2026. No geral, a curva de juros encerrou a semana com leve queda, sustentada por um IPCA benigno e expectativas divididas para a decisão do Copom da próxima semana.

Destaque(s): Risco Geopolítico, Risco Fiscal e IPCA.

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de quedas da Selic em relação à sexta-feira anterior.

A projeção para as próximas 14 reuniões do Copom caiu de -146  para -173 pontos-base. O CDI termina 2026 em 12,92% de 13,18% a.a. da semana anterior.

Para o fim de 2025 (próximas 5 reuniões), a expectativa caiu para +14 ptb de +27 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,79% ao ano de 14,92% a.a. na semana anterior.

Já as expectativas dos economistas, medidas pela mediana do Boletim Focus dos últimos 5 dias, indicam uma queda total de 0 pontos-base para 2025, com o CDI encerrando o ano em 14,65%. Para 2026, a projeção Focus aponta um CDI terminal de 12,40 (- 225 ptb).

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 5,44% para 5,25%. Há um mês, a mediana era de 5,50% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção se manteve em 4,50% para 4,50%, enquanto há um mês estava em 4,50%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 14,75%, há um mês atrás era 14,75%. Para o final de 2026 se manteve em 12,50%, há um mês atrás era 12,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – Semana de 09/06/25 à 13/06/2025

 

Segunda-feira (09/06/2025)
O mercado de juros iniciou a semana com forte volatilidade, reagindo negativamente pela manhã às propostas fiscais apresentadas pelo governo, que focavam majoritariamente no aumento de receitas, como o IOF, sem medidas claras de corte de despesas. No entanto, à tarde, as taxas passaram a cair com a percepção de que o Executivo poderá avançar em medidas estruturais de contenção de gastos, após críticas de entidades como a Anbima e a Frente Parlamentar do Agronegócio. O DI para jan/26 recuou de 14,92% para 14,855%. A expectativa se voltou para o IPCA de maio, a ser divulgado no dia seguinte, e para a atuação do presidente Lula, recém-chegado da França, frente ao impasse fiscal.

Terça-feira (10/06/2025)
O IPCA de maio, divulgado pela manhã, surpreendeu positivamente ao registrar 0,26%, abaixo da mediana (0,34%) e no piso das estimativas, com composição benigna. Isso reforçou as apostas de manutenção da Selic em 14,75% na reunião do Copom da próxima semana. As taxas de curto e médio prazos recuaram mais fortemente, com o DI jan/26 caindo para 14,840%. A ausência de novidades fiscais e o ambiente externo tranquilo também contribuíram para o alívio da curva. Apesar disso, analistas alertaram que o cenário ainda exige cautela, e o mercado segue dividido quanto à possibilidade de alta residual da Selic.

Quarta-feira (11/06/2025)
A curva de juros voltou a subir nos vencimentos intermediários, refletindo o aumento das incertezas fiscais e a dificuldade do governo em aprovar o aumento do IOF. A precificação de manutenção da Selic perdeu força, com a probabilidade de alta de 25 pontos-base subindo para 68%. O DI jan/26 subiu para 14,875%. A audiência pública com o ministro Fernando Haddad foi marcada por tensões e críticas, e a MP com as propostas fiscais foi encaminhada ao Congresso. No exterior, a queda do dólar e o CPI dos EUA abaixo do esperado ajudaram a conter a pressão na ponta longa da curva.

Quinta-feira (12/06/2025)
O mercado de juros operou com instabilidade, com foco nas disputas políticas em torno do IOF e no leilão de prefixados do Tesouro, que teve risco elevado. As taxas longas oscilaram mais, enquanto as curtas ficaram estáveis, refletindo a expectativa de manutenção da Selic na próxima reunião do Copom. O DI jan/26 fechou em 14,845%. A publicação de um novo decreto e MP pelo governo, além da movimentação do Congresso para sustar os efeitos do decreto, aumentaram a percepção de incerteza. A queda nas vendas do varejo em abril (-1,9%) teve pouco impacto diante do ruído fiscal.

Sexta-feira (13/06/2025)
Apesar do agravamento do conflito entre Israel e Irã, o mercado de juros no Brasil teve alívio nos prêmios de risco, impulsionado por fatores políticos internos. A sinalização de apoio de Jair Bolsonaro à candidatura de Tarcísio de Freitas em 2026 foi bem recebida pelo mercado, por seu perfil liberal. As taxas curtas caíram e as longas estabilizaram, com o DI jan/26 fechando novamente em 14,845%. O petróleo disparou com os ataques, mas o impacto foi neutralizado pela percepção de que o cenário eleitoral pode trazer alternativas mais ortodoxas à política econômica. As apostas para o Copom seguem divididas entre manutenção e alta de 25 pontos-base.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa