Highlights (Resumo): Queda nas Taxas Juros
Principal(is) vetor(es): durante a semana de 28/07 a 01/08/2025, o mercado de renda fixa brasileiro foi marcado por forte volatilidade e ajustes técnicos, influenciados principalmente pela tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos e pelas decisões de política monetária. A expectativa inicial de que o tarifaço americano teria efeito desinflacionário levou a uma leve queda nas taxas na segunda-feira, mas ao longo da semana, a confirmação da tarifa de 50%, mesmo com isenções e adiamento de vigência, gerou oscilações nos vértices intermediários e longos. A manutenção da Selic em 15% pelo Copom e o tom duro do comunicado reforçaram a percepção de estabilidade prolongada da taxa básica, enquanto dados de emprego resilientes no Brasil e fracos nos EUA influenciaram a precificação da curva. Na sexta-feira, o payroll americano abaixo do esperado reacendeu temores de recessão nos EUA, derrubando os Treasuries e aliviando a curva local, com destaque para a queda nos vértices mais longos. A curva precificou a Selic em 13% ao fim de 2026, refletindo expectativas de flexibilização futura, embora o cenário fiscal e os desdobramentos do tarifaço sigam como fatores de cautela.
Destaque(s): Guerra Comercial, Payroll e Copom
O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou marginalmente suas expectativas de quedas da Selic em relação à sexta-feira anterior.
A projeção de quedas para as próximas 12 reuniões do Copom alterou marginalmente de -200,4 para -207,4 pontos-base. O CDI termina 2026 em 12,83% de 12,90% a.a. da semana anterior.
Para o fim de 2025 (próximas 4 reuniões), a expectativa alterou marginalmente para -4 ptb de -1,5 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,86% ao ano de 14,89% a.a. na semana anterior.
Já as expectativas dos economistas, medida pela mediana do Boletim Focus dos últimos 5 dias, indicam manutenção para 2025, com o CDI encerrando o ano em 14,90%. Para 2026, a projeção Focus aponta um CDI terminal de 12,40% (-250 ptb).
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 5,10% para 5,09%. Há um mês, a mediana era de 5,23% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,45% para 4,44%, enquanto há um mês estava em 4,50%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 15,00%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 se manteve em 12,50%, há um mês atrás era 12,50%.
Segunda-feira (28/07/2025)
O mercado de juros iniciou a semana sob o impacto da iminente tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Apesar da incerteza, a percepção de que a medida teria efeito desinflacionário — ao redirecionar produtos exportáveis ao mercado interno e reduzir preços — levou a um leve alívio na curva de juros na segunda metade do pregão. A Selic em 15% e a expectativa de corte futuro reforçaram esse movimento. O DI jan/26 ficou praticamente estável, enquanto os vértices mais longos recuaram levemente. O cenário mais provável precificado pelo mercado era a aplicação integral da tarifa sem retaliação brasileira, o que reforçaria a pressão por queda nos juros futuros.
Terça-feira (29/07/2025)
A curva a termo teve o melhor desempenho entre os ativos locais, com queda generalizada nas taxas. A expectativa de manutenção dos juros pelo Copom e pelo Fed ficou em segundo plano, enquanto crescia a percepção de que o governo brasileiro buscava negociar com os EUA para adiar ou mitigar o tarifaço. A especulação sobre isenções setoriais e adiamento da medida ganhou força, contribuindo para o fechamento das taxas. O leilão do Tesouro também teve destaque, com forte demanda por NTN-Bs e LFTs, sinalizando melhora na percepção de risco e maior apetite por títulos indexados à inflação.
Quarta-feira (30/07/2025)
O anúncio oficial da tarifa de 50% pelos EUA gerou forte volatilidade na curva de juros. Inicialmente, a exclusão de diversos produtos e o adiamento da vigência em sete dias aliviaram a pressão, mas o avanço dos rendimentos dos Treasuries e a incerteza política — incluindo sanções ao ministro Alexandre de Moraes — voltaram a pressionar os vértices intermediários e longos. A manutenção da taxa pelo Fed e o tom cauteloso de Jerome Powell frustraram expectativas de corte em setembro, influenciando negativamente os mercados globais e, por consequência, a curva local.
Quinta-feira (31/07/2025)
A curva de juros voltou a subir, refletindo a percepção de que a Selic permanecerá em 15% por um período prolongado. O comunicado do Copom reforçou o tom duro da política monetária, destacando a resiliência do mercado de trabalho, corroborada pela queda da taxa de desemprego para 5,8% em junho. A expectativa de cortes foi adiada, e a curva precificou Selic em 13,1% ao fim de 2026. O impacto do tarifaço foi revisto para menor magnitude, dado o número de produtos isentos. A melhora na aprovação do presidente Lula também influenciou o mercado, ao aumentar a percepção de continuidade da política fiscal expansionista.
Sexta-feira (01/08/2025)
Dados fracos do mercado de trabalho dos EUA reacenderam temores de recessão e impulsionaram apostas em cortes de juros pelo Fed já em setembro. Isso derrubou os rendimentos dos Treasuries e aliviou a curva de juros local, com queda generalizada nas taxas, especialmente nos vértices longos. A Selic ao fim de 2026 foi precificada em 13%, e o dólar recuou. Apesar do alívio, analistas alertaram para os riscos fiscais e os efeitos ainda incertos do tarifaço, que podem limitar a sustentação desse movimento de queda. Indicadores domésticos fracos, como produção industrial e confiança empresarial, reforçaram o cenário de desaceleração da atividade
Fonte: Broadcast
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