Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 368

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas Juros

Principal(is) vetor(es): durante a semana de 04 a 08 de agosto de 2025, o mercado de renda fixa brasileiro apresentou comportamento misto, com predominância de fechamento nas taxas, refletindo uma combinação de fatores externos e domésticos. O principal vetor de alívio foi a expectativa de corte de juros nos Estados Unidos, reforçada por dados fracos do mercado de trabalho americano e declarações de membros do Fed, o que favoreceu a queda dos rendimentos dos Treasuries e valorização do real. Internamente, o Caged de junho indicou desaceleração na criação de empregos, e a ata do Copom trouxe sinalizações mais inclinadas à flexibilização monetária, embora a Selic tenha sido mantida em 15%. A curva foi impactada também por ruídos políticos, como a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e especulações sobre a candidatura de Tarcísio de Freitas, que geraram instabilidade nos vértices mais longos. Apesar da reversão observada na sexta-feira, o saldo semanal foi de fechamento generalizado das taxas.

Destaque(s): Fed, Copom e Risco Político.

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de quedas da Selic em relação à sexta-feira anterior.

A projeção de quedas para as próximas 12 reuniões do Copom aumentou de -207,4 para -221,4 pontos-base. O CDI termina 2026 em 12,69% de 12,83% a.a. da semana anterior.

Para o fim de 2025 (próximas 4 reuniões), a expectativa alterou marginalmente para -4,9 ptb de -4 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,85% ao ano de 14,86% a.a. na semana anterior.

Já as expectativas dos economistas, medida pela mediana do Boletim Focus dos últimos 5 dias, indicam manutenção para 2025, com o CDI encerrando o ano em 14,90%. Para 2026, a projeção Focus aponta um CDI terminal de 12,40% (-250 ptb).

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 5,07% para 5,05%. Há um mês, a mediana era de 5,17% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,43% para 4,41%, enquanto há um mês estava em 4,50%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 15,00%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 se manteve em 12,50%, há um mês atrás era 12,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 04/0/25 à 08/08/2025

Segunda-feira, 04/08/2025
A curva de juros apresentou queda na maioria dos vértices, influenciada pela expectativa de corte de juros nos Estados Unidos e pela renúncia da diretora do Fed, Adriana Kugler. Internamente, o Caged de junho veio abaixo do esperado, sinalizando início de desaceleração no mercado de trabalho, o que contribuiu para o alívio nas taxas. A tensão comercial entre Brasil e EUA, com a iminente tarifa de 50%, foi suavizada por sinais de diálogo entre os governos, incluindo possível conversa entre os presidentes Lula e Trump. A curva precificava Selic em 12,2% ao fim de 2026, abaixo dos 12,36% da sexta anterior.


Terça-feira, 05/08/2025
Na véspera da vigência da tarifa dos EUA, o mercado de juros reagiu à instabilidade política doméstica, especialmente à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A ata do Copom reforçou a manutenção da Selic em 15% por período prolongado, o que ancorou a ponta curta da curva. Já os vértices intermediários e longos subiram, refletindo o risco político com a obstrução de votações no Congresso por partidos da oposição. O leilão de T-Notes nos EUA teve demanda fraca, contribuindo para a piora dos DIs. Apesar disso, parte do movimento foi atribuída à realização de lucros após sessões de queda.


Quarta-feira, 06/08/2025
Com a tarifa dos EUA em vigor, o mercado de juros teve leve queda nas taxas, impulsionada pela valorização do real, expectativa de corte de juros nos EUA e sinais de distensão política no Brasil. Lula afirmou que não retaliará comercialmente os EUA, o que foi bem recebido pelo mercado. Rumores sobre a aposentadoria antecipada do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, e flexibilizações na prisão de Bolsonaro também contribuíram para o alívio. Indicadores econômicos mostraram desaquecimento e deflação, fortalecendo a tese de corte da Selic ainda em 2025.


Quinta-feira, 07/08/2025
Em um dia sem grandes vetores, os juros futuros seguiram a queda do dólar e renovaram mínimas. A valorização do real, leilões fracos do Tesouro Nacional e dados fracos do mercado de trabalho dos EUA reforçaram a expectativa de corte de juros pelo Fed em setembro. O Banco Central brasileiro manteve discurso cauteloso, com foco em manter juros restritivos. A curva foi beneficiada pela percepção de que o tarifaço dos EUA pode ser desinflacionário, aumentando a oferta interna. A parte curta da curva seguiu estável, refletindo a expectativa de Selic em 15% por tempo prolongado.


Sexta-feira, 08/08/2025
Apesar de um início positivo, os juros futuros inverteram o sinal após rumores de que Bolsonaro não apoiará Tarcísio de Freitas na eleição de 2026, gerando incerteza política. A curva reagiu negativamente à possibilidade de ausência de um candidato de centro-direita competitivo. Antes disso, o ambiente institucional mostrava melhora, com falas de diretores do BC indicando fim do ciclo de alta da Selic e possibilidade de corte. O payroll fraco nos EUA consolidou apostas de redução de juros pelo Fed. Mesmo com a piora no fim do dia, a semana teve fechamento nas taxas, exceto no vértice de janeiro de 2026.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa