Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 370

Highlights (Resumo): Alta nas Taxas Juros

Principal(is) vetor(es): Durante a semana de 18 a 22 de agosto de 2025, o mercado de renda fixa brasileiro apresentou forte volatilidade, com movimentos influenciados por fatores institucionais, políticos e externos. A curva de juros iniciou a semana em alta após declarações duras do Banco Central sobre a necessidade de manter uma política monetária contracionista prolongada. Na terça-feira, o mercado reagiu negativamente à insegurança jurídica gerada por tensões entre o STF e os Estados Unidos, com os vértices mais longos da curva atingindo máximas intradia. Na quarta, houve correção técnica e queda nas taxas, refletindo a ausência de novos desdobramentos sobre o impasse institucional e a expectativa de corte de juros nos EUA. Na quinta, a curva voltou a subir, pressionada por incertezas eleitorais, leilões expressivos do Tesouro e declarações cautelosas de dirigentes do Federal Reserve. Por fim, na sexta-feira, o discurso de Jerome Powell sinalizando possível flexibilização monetária nos EUA impulsionou queda generalizada nas taxas, com melhora na precificação de corte da Selic e valorização do real. Apesar do alívio no último pregão, o mercado encerrou a semana com inclinação maior, refletindo o impacto acumulado das tensões políticas e institucionais.

Destaque(s): Fed, STF e Bacen.

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de quedas da Selic em relação à sexta-feira anterior.

A projeção de quedas até a 4R/2027 reduziu de -275 para -255,4 pontos-base.

A projeção de quedas para as próximas 11 reuniões do Copom reduziu de -250,8 para -235,6 pontos-base. O CDI termina 2026 em 12,54% de 12,39% a.a. da semana anterior.

Para o fim de 2025 (próximas 3 reuniões), a expectativa alterou marginalmente para -10,2 ptb de -11,8 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,80% ao ano de 14,78% a.a. na semana anterior.

Já as expectativas dos economistas, medida pela mediana do Boletim Focus dos últimos 5 dias, indicam manutenção para 2025, com o CDI encerrando o ano em 14,90%. Para 2026, a projeção Focus aponta um CDI terminal de 12,28% (-262,5 ptb).

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 4,95% para 4,86%. Há um mês, a mediana era de 5,09% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,40% para 4,33%, enquanto há um mês estava em 4,44%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 15,00%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 se manteve em 12,50%, há um mês atrás era 12,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 18/08/25 à 22/08/2025

Segunda-feira (18/08/2025)
O mercado de juros iniciou a semana com alta nos vértices da curva a termo, influenciado por declarações firmes do diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, durante o evento Warren Day. Guillen reforçou a necessidade de manter uma política monetária contracionista prolongada, devido à inflação de serviços e expectativas desancoradas. A alta nos rendimentos dos Treasuries e do dólar também pressionou os juros futuros. A probabilidade de corte da Selic em dezembro caiu de 46% para 43%. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,1% entre maio e junho, abaixo das expectativas, mas teve impacto secundário no pregão.


Terça-feira (19/08/2025)
A insegurança institucional dominou o mercado, com forte abertura da curva de juros após notícias sobre possíveis sanções dos EUA contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky. Bancos buscaram pareceres jurídicos no exterior, temendo punições. A curva ganhou inclinação, com vencimentos intermediários e longos subindo até 20 pontos-base. A tensão política e jurídica entre Brasil e EUA gerou um “sell-off” de ativos domésticos. Dados de inflação mostraram desaceleração, mas não foram suficientes para conter o movimento. Leilões do Tesouro tiveram boa aceitação, mas o principal vetor foi o risco institucional.


Quarta-feira (20/08/2025)
Sem novos desdobramentos sobre o impasse Brasil-EUA, o mercado operou em compasso de espera, com queda generalizada nas taxas da curva a termo. A entrevista de Alexandre de Moraes à Reuters, reconhecendo a necessidade de cumprimento da Lei Magnitsky em solo americano, trouxe algum alívio. A ata do Fed não teve impacto relevante, considerada obsoleta após dados fracos de emprego nos EUA. A curva ajustou exageros da véspera, refletindo fundamentos econômicos mais fracos e surpresas baixistas com a inflação. A expectativa de corte da Selic ganhou força, embora o cenário institucional ainda gere cautela.


Quinta-feira (21/08/2025)
A curva de juros voltou a subir, com inclinação acentuada, influenciada por incertezas eleitorais e institucionais. Pesquisa Genial/Quaest mostrou vantagem de Lula em cenários de segundo turno para 2026, o que gerou reprecificação dos ativos. O leilão expressivo de títulos prefixados pelo Tesouro também pressionou os DIs. No exterior, declarações cautelosas de dirigentes do Fed durante o Simpósio de Jackson Hole elevaram os rendimentos dos Treasuries. A arrecadação federal de julho veio acima do esperado, sustentada pelo setor de serviços, que segue aquecido mesmo com política monetária restritiva.


Sexta-feira (22/08/2025)
O mercado reagiu positivamente ao discurso de Jerome Powell no Simpósio de Jackson Hole, que sinalizou possível corte de juros nos EUA em setembro. Isso favoreceu a valorização do real e a queda das taxas de juros no Brasil, com todos os vértices da curva recuando. A probabilidade de corte da Selic em dezembro subiu para 40%, e a taxa projetada para o fim de 2026 caiu para 12,70%. Apesar do alívio, a curva ainda fechou a semana com inclinação maior, refletindo tensões políticas e institucionais. A valorização do câmbio pode abrir espaço para uma postura mais flexível do Banco Central brasileiro.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa