Highlights (Resumo): Queda nas Taxas Juros Longas
Principal(is) vetor(es): Durante a semana de 25 a 29 de agosto de 2025, o mercado de renda fixa apresentou comportamento misto, com predominância de desinclinação na curva de juros. O início da semana foi marcado por otimismo, com queda nas taxas futuras impulsionada pela melhora nas expectativas inflacionárias de longo prazo e pela valorização do real, conforme indicado pelo boletim Focus e pela prévia do IPCA-15. No entanto, a divulgação do IPCA-15 na terça-feira, com núcleos e serviços pressionados, reverteu parte do movimento, elevando os DIs e reduzindo as apostas de corte da Selic. Na quarta-feira, os dados do Caged mostraram criação de vagas abaixo do esperado, mas ainda indicaram mercado de trabalho aquecido, enquanto o presidente do Banco Central reforçou discurso conservador, afastando cortes de juros no curto prazo. Na quinta-feira, a curva voltou a ceder, influenciada por dados benignos da economia americana e por pesquisas eleitorais que favoreceram uma candidatura de centro-direita, vista como fiscalmente responsável. Já na sexta-feira, o mercado reagiu com cautela à sinalização do governo Lula de aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA, elevando os juros futuros, embora o movimento tenha sido contido. No saldo semanal, as taxas mais longas recuaram, enquanto os vértices curtos permaneceram estáveis, refletindo a influência de fatores externos, cenário político doméstico e expectativas de política monetária.
Destaque(s): Inflação, Cenário Político, Fed
O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou marginalmente suas expectativas de quedas da Selic em relação à sexta-feira anterior.
A projeção de quedas até a 4R/2027 alterou marginalmente de -255,4 para -258 pontos-base.
A projeção de quedas para as próximas 11 reuniões do Copom alterou marginalmente de -235,6 para -231,5 pontos-base. O CDI termina 2026 em 12,59% de 12,54% a.a. da semana anterior.
Para o fim de 2025 (próximas 3 reuniões), a expectativa alterou marginalmente para -10,2 ptb de -10,2 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,80% ao ano de 14,80% a.a. na semana anterior.
Já as expectativas dos economistas, medida pela mediana do Boletim Focus dos últimos 5 dias, indicam manutenção para 2025, com o CDI encerrando o ano em 14,90%. Para 2026, a projeção Focus aponta um CDI terminal de 11,90% (-300 ptb).
No Relatório de Mercado Focus da semana, a a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 4,95% para 4,85%. Há um mês, a mediana era de 5,09% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,40% para 4,31%, enquanto há um mês estava em 4,44%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 15,00%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 se manteve em 12,50%, há um mês atrás era 12,50%.
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Segunda-feira (25/08/2025)
A semana começou com queda nas taxas de juros futuros, impulsionada pela valorização do real e pela melhora nas expectativas inflacionárias de longo prazo. O boletim Focus trouxe alívio nas projeções para o IPCA, especialmente para 2027, cuja mediana caiu de 4,00% para 3,97%, após 26 semanas de estabilidade. Essa mudança foi bem recebida pelo mercado, que passou a considerar mais provável o início do ciclo de cortes da Selic. A curva de juros também reagiu positivamente às declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, sobre a necessidade de discutir um projeto de país, o que foi interpretado como sinal de responsabilidade fiscal. A prévia do IPCA-15, esperada para o dia seguinte, também influenciou as apostas, com expectativa de deflação pontual devido a descontos na conta de luz.
Terça-feira (26/08/2025)
O mercado reverteu parte do otimismo da véspera após a divulgação do IPCA-15 de agosto, que caiu 0,14%, abaixo da expectativa de -0,21%, mas com núcleos e serviços pressionados. A inflação de serviços em 12 meses acelerou para 5,96%, o maior nível em 20 meses, o que reforçou a cautela do Banco Central. As apostas de corte da Selic em dezembro diminuíram para 36%. A curva de juros também foi influenciada pela alta nos rendimentos dos Treasuries de 30 anos, em meio à polêmica envolvendo a demissão da diretora Lisa Cook do Federal Reserve. O Tesouro Nacional realizou leilão modesto, sem impacto relevante na curva.
Quarta-feira (27/08/2025)
As taxas de juros oscilaram próximas aos ajustes anteriores, com viés de alta nos vértices intermediários. O Caged de julho mostrou criação de vagas abaixo do esperado (129.775 contra 135 mil), mas a análise detalhada indicou mercado de trabalho ainda aquecido. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou discurso conservador, destacando que a inflação converge lentamente à meta e que a taxa de juros deve permanecer elevada por tempo prolongado. A fala de Galípolo foi interpretada como um sinal de que cortes de juros não estão no radar de curto prazo, o que inclinou a curva para cima.
Quinta-feira (28/08/2025)
A curva de juros voltou a cair, acompanhando o movimento dos Treasuries americanos, que reagiram à desaceleração do PCE e à revisão do PIB dos EUA para 3,3% no segundo trimestre. No cenário doméstico, pesquisa eleitoral mostrou Tarcísio de Freitas à frente de Lula em eventual segundo turno, o que foi interpretado como sinal de possível responsabilidade fiscal futura. O mercado passou a precificar cortes de 2,3 pontos na Selic ao longo de 2026. O IGP-M de agosto subiu 0,36%, acima da expectativa, mas teve pouca influência. O Tesouro realizou leilão menor, o que ajudou a aliviar a curva. O banco Inter revisou para baixo suas projeções de inflação para 2025 e 2026.
Sexta-feira (29/08/2025)
O último pregão do mês foi marcado por alta nas taxas de juros, em resposta à sinalização do governo Lula de aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA, após o tarifaço americano. A medida gerou temor de retaliações comerciais e instabilidade bilateral. Apesar da alta, o movimento foi contido e não reverteu a tendência de desinclinação da curva ao longo da semana. O resultado fiscal de julho foi negativo em R$ 66,566 bilhões, com aumento da dívida bruta para 77,6% do PIB, mas teve impacto limitado. A curva americana fechada e a perspectiva de alternância de poder em 2026 continuam sendo os principais vetores de alívio para os juros no Brasil. O mês de agosto terminou com queda generalizada nas taxas, especialmente no vértice de janeiro de 2027, que caiu abaixo de 14%.
Fonte: Broadcast
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