Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros
Principal(is) vetor(es): A semana foi marcada por um movimento consistente de fechamento da curva de juros, com cinco pregões consecutivos de queda nos DIs, impulsionados pela percepção de descompressão inflacionária doméstica e sinais de desaceleração da atividade. O corte de 4,9% na gasolina pela Petrobras e revisões baixistas no Boletim Focus reforçaram expectativas de IPCA mais benigno, culminando na surpresa positiva do IPCA-15 de outubro (0,18%, abaixo do consenso), que consolidou apostas de início do ciclo de flexibilização monetária em janeiro de 2026 (probabilidade de 0,25 p.p. subindo para 67%). No exterior, o CPI americano abaixo das projeções e a queda dos Treasuries sustentaram o viés de afrouxamento global, favorecendo o real via carry trade. Apesar de ruídos fiscais e leilões robustos do Tesouro, o cenário inflacionário e a dinâmica externa foram os principais vetores, levando a taxa do DI jan/27 de 14,013% na segunda para 13,820% na sexta, com inclinação da curva praticamente estável.
Destaques: Inflação, Selic e CPI EUA.
📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)
O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.
Para o horizonte até a 6R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -227,6 para -265,7 pontos-base.
Para as próximas 10 reuniões do Copom,a expectativa de corte aumentou de -211,6 para -247,1 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 12,44%, ante 12,78% na semana anterior.
Para o fim de 2025 (próximas 2 reuniões), houve uma alteração marginal na expectativa de corte: de -2,5 para -4,2 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,87% ao ano, ante 14,88% na semana anterior.
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias):
Para 2025, a projeção indica manutenção , com o CDI encerrando o ano em 14,90%.
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 12,15%, equivalente a -275 pontos-base de corte. .
Para o horizonte até a 6R/2027, a projeção acumulada considera -450 pontos-base de queda.
No Relatório de Mercado Focus da semana, a a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 4,70% para 4,56%. Há um mês, a mediana era de 5,09% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,27% para 4,20%, enquanto há um mês estava em 4,44%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 15,00%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 se manteve em 12,25%, há um mês atrás era 12,50%.
Segunda-feira (20/10/2025)
Os juros futuros fecharam em queda firme na B3, com mínimos intradiárias nos vértices curtos e intermediários, sustentados pela moderação das expectativas de inflação em todo o horizonte relevante (Focus revisou IPCA de 2027 para 3,83% e de 2028 para 3,60%) e pelo corte de 4,9% na gasolina nas refinarias pela Petrobras, que deve reduzir cerca de 1,5% o preço ao consumidor e tirar ~0,08 p.p. do IPCA de 2025; o dólar recuou 0,64% e o exterior ajudou com menor tensão após sinalizações de acordo EUA–China por Donald Trump. A curva a termo passou a embutir maior flexibilidade da Selic em 2026 (taxa terminal de 12,80%, ante 12,90%), mantendo quase 100% de probabilidade de início dos cortes em março e cerca de 55% de chance de -0,25 p.p. já em janeiro. Na marcação das taxas às 17h02, o DI jan/27 caiu de 14,013% para 13,960% (mínima intradia), o DI jan/29 de 13,336% para 13,230% e o DI jan/31 de 13,612% para 13,510%, com gestores destacando que a melhora de expectativas—amparada por commodities mais fracas em reais e pelo corte da gasolina—abre espaço para um ciclo de afrouxamento, ainda que o BC mantenha discurso cauteloso dado emprego aquecido e sensibilidade ao câmbio.
Terça-feira (21/10/2025)
Em sessão de baixa liquidez e agenda vazia, os DIs ampliaram a queda na segunda etapa do pregão, acompanhando o recuo dos Treasuries apesar do fortalecimento global do dólar; o fluxo foi dominado por notícias externas, com idas e vindas nas falas de Trump sobre uma possível reunião com Xi Jinping e redução de tarifas, enquanto o VIX cedeu 3–4%, sinalizando melhora do apetite a risco. A narrativa doméstica seguiu benigna para inflação (incorporação do corte da gasolina ao IPCA do ano e difusão da melhora de expectativas), e no fiscal houve sinais de compensações após a derrota da MP 1.303 (IOF), com Fazenda e Casa Civil preparando medidas via revisão de despesas e aumento de receitas, inclusive sobre “bets”, e a Conorf/Senado revisando para baixo o déficit estimado do projeto do IR (R$ 12,3 bi, ante R$ 16,2 bi), aliviando prêmios. Às 17h00, o DI jan/27 caiu de 13,967% para 13,935%, o DI jan/29 de 13,239% para 13,205% e o DI jan/31 de 13,522% para 13,480%; o leilão do Tesouro foi contido (venda integral de 150 mil NTN-B), sem pressão adicional sobre a curva, enquanto estrategistas apontaram o exterior como principal vetor do fechamento, com o doméstico oferecendo suporte secundário.
Quarta-feira (22/10/2025)
Pelo terceiro dia consecutivo, os juros futuros recuaram de forma disseminada, com até -6 pontos-base nos vértices longos e mínimas intradiárias no fim da manhã, mesmo com leve alta do dólar e agenda fraca; a queda refletiu a convergência de fatores: commodities em reais em declínio, expectativas de inflação cadentes, atividade em desaceleração e a aposta crescente em corte da Selic já em janeiro de 2026 (probabilidade de -0,25 p.p. subiu de 52% para 64%), além de taxa terminal de 2026 caindo de 12,66% para 12,54%. No fiscal, declarações do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, reforçaram compromisso com a meta, indicando compensações equivalentes (~R$ 30 bi) à receita/despesa prevista na MP do IOF derrubada, o que ajudou os vértices longos a renovar mínimas; ainda assim, análises ponderaram que as medidas não resolvem o problema estrutural, mantendo a inflação como o principal driver da queda dos prêmios. Às 17h04, o DI jan/27 recuou de 13,926% para 13,885%, o DI jan/29 de 13,204% para 13,145% e o DI jan/31 de 13,485% para 13,420%, com operadores destacando que, embora o BC siga hawkish focado em mercado de trabalho e câmbio, a leitura para o IPCA-15 de setembro tende a ser favorável, sustentando o fechamento da curva (curtos por Selic e longos em linha com Treasuries).
Quinta-feira (23/10/2025)
Após três sessões consecutivas de queda expressiva, os juros futuros operaram praticamente estáveis na B3, com leves recuos e mínimas intradiárias nos vértices intermediários e longos, contrariando fatores que poderiam pressionar as taxas, como a alta acentuada do petróleo após sanções dos EUA às maiores petrolíferas russas e o avanço dos rendimentos dos Treasuries (T-note 10 anos a 4,002%). O comportamento lateral refletiu ajustes técnicos e expectativa pelo IPCA-15 de outubro, a ser divulgado na sexta, enquanto persistiu a percepção de descompressão inflacionária doméstica e revisões baixistas para o IPCA após o corte da gasolina pela Petrobras. Às 17h04, o DI jan/27 oscilava de 13,883% para 13,870%, o DI jan/29 recuava de 13,148% para 13,115% e o DI jan/31 marcava 13,410%, ante 13,430%. No fiscal, arrecadação de setembro veio ligeiramente abaixo da mediana (R$ 216,7 bi vs. R$ 217,4 bi), sinalizando desaceleração em tributos ligados à atividade, mas sem impacto duradouro na curva. O Tesouro realizou um dos maiores leilões do ano, colocando integralmente 27 milhões de LTNs e 3,5 milhões de NTN-F, sem gerar pressão relevante. Gestores destacaram que, apesar do viés externo negativo, a valorização modesta do real e o consenso sobre cortes antecipados da Selic sustentaram o viés benigno dos DIs.
Sexta-feira (24/10/2025)
Os DIs consolidaram a quinta sessão consecutiva de queda, impulsionados pelo IPCA-15 de outubro, que surpreendeu com variação de 0,18% (vs. 0,24% esperada) e estrutura qualitativa favorável, incluindo núcleos e serviços subjacentes mais comportados, levando a inflação acumulada em 12 meses para 4,94% (abaixo de 5%). O dado reforçou revisões baixistas para o IPCA de 2025 (algumas casas já projetam 4,6%) e aumentou as apostas de início do ciclo de cortes da Selic em janeiro, com probabilidade de 0,25 p.p. subindo para 67% (ante 63% ontem). No exterior, o CPI americano também veio abaixo do consenso (0,3% m/m vs. 0,4% esperado), fortalecendo a percepção de continuidade do afrouxamento pelo Fed e favorecendo o real via carry trade, o que contribui para aliviar pressões inflacionárias locais. Às 17h02, o DI jan/27 caiu de 13,876% para 13,820%, o DI jan/29 de 13,123% para 13,040% e o DI jan/31 de 13,415% para 13,320%. Analistas destacaram que, além da surpresa positiva no headline, a melhora estrutural do IPCA-15 (difusão e núcleos) foi emblemática, consolidando um cenário de inflação convergente à meta e sustentando posições aplicadas na curva, enquanto o movimento global de queda das commodities e sinais de desaceleração da atividade reforçam a expectativa de flexibilização monetária no início de 2026.
Fonte: Broadcast
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