Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 380

Highlights (Resumo): Alta marginal nas Taxas de Juros

Principal(is) vetor(es): A semana foi marcada por volatilidade nos juros futuros, com tendência geral de alta nos principais vértices, apesar do alívio observado na sexta-feira. O tom mais conservador do Federal Reserve após o corte de 0,25 ponto nos Fed Funds reduziu as apostas de nova flexibilização em dezembro, pressionando a curva local e elevando os rendimentos dos Treasuries. No Brasil, indicadores de emprego trouxeram sinais mistos: o Caged surpreendeu positivamente, impulsionando as taxas curtas, enquanto a Pnad indicou leve aumento da desocupação, favorecendo expectativas de corte da Selic em janeiro. O fiscal permaneceu em segundo plano, e os leilões do Tesouro adicionaram risco à curva. Apesar da alta semanal, outubro foi positivo para os DIs, com recuo consistente frente ao início do mês, sustentado por surpresas inflacionárias benignas e melhora das expectativas para o IPCA.

Destaques: Fed, Mercado de Trabalho e Selic

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) alterou marginalmente suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 6R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -264,6 para -258,7 pontos-base.

Para as próximas 10 reuniões do Copom,a expectativa de corte alterou marginalmente de -246 para -239,1 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 12,52%, ante 12,44% na semana anterior.

Para o fim de 2025 (próximas 2 reuniões), houve uma alteração marginal na expectativa de corte: de -3,2 para -2,9 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,89% ao ano, ante 14,87% na semana anterior.

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias):

Para 2025, a projeção indica manutenção , com o CDI encerrando o ano em 14,90%.

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 11,90%, equivalente a -300 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 6R/2027, a projeção acumulada considera -450 pontos-base de queda.

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 4,56% para 4,55%. Há um mês, a mediana era de 5,09% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,20% para 4,20%, enquanto há um mês estava em 4,44%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 15,00%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 se manteve em 12,25%, há um mês atrás era 12,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 27/10/25 à 31/10/2025

Segunda-feira (27/10/2025)

Os juros futuros apresentaram comportamento misto, com viés de baixa nos vencimentos intermediários e longos, enquanto os curtos tiveram alta tímida. O movimento refletiu ajustes técnicos após cinco quedas consecutivas na semana anterior, em um cenário de expectativas inflacionárias mais benignas e ausência de novos gatilhos. A curva chegou a fechar no início do dia, impulsionada pela prévia do IPCA-15 abaixo do esperado e pelo CPI americano, que reforçou a expectativa de corte de juros pelo Fed. Além disso, sinais positivos nas negociações comerciais entre EUA e China e otimismo com encontro entre Lula e Trump contribuíram para o tom inicial. No Focus, projeções para inflação recuaram, reforçando a percepção de eficácia da política monetária. Analistas já cogitam início do ciclo de cortes da Selic em janeiro de 2026, embora alguns discutam possibilidade de redução ainda em dezembro.


Terça-feira (28/10/2025)

Em dia de agenda econômica esvaziada, os juros futuros subiram de forma mais expressiva, especialmente nos vencimentos intermediários e longos, contrariando o desempenho positivo dos demais ativos domésticos. A alta foi atribuída à abertura da curva americana, às vésperas da decisão do Fed, e a uma correção técnica após forte fechamento na semana anterior. Apesar de dados recentes favoráveis, como queda das expectativas inflacionárias, prevaleceu cautela diante da reunião do Fed e das negociações comerciais entre EUA e China. No campo fiscal, Haddad sinalizou que a proposta de isenção do IR para rendas até R$ 5 mil está próxima do equilíbrio, mas ainda requer ajustes, sem impacto direto nos DIs. O Tesouro realizou leilão integral de NTN-B, com risco ao mercado inferior à média semestral, indicando menor pressão sobre a curva.


Quarta-feira (29/10/2025)

Os juros futuros ganharam força na segunda metade do pregão, acompanhando a abertura dos Treasuries e reação ao discurso hawkish de Jerome Powell após o Fed cortar a taxa em 0,25 ponto, para 3,75%-4,00%. Apesar do corte, Powell sinalizou inclinação para pausar o ciclo em dezembro, reduzindo a probabilidade de nova flexibilização e gerando alta moderada nos DIs. A falta de consenso no FOMC reforçou a percepção de cautela, enquanto apostas para Selic em 2026 subiram levemente. No cenário doméstico, dados de inflação e atividade continuam favoráveis, limitando a pressão sobre a curva. Expectativas também se voltaram para a reunião entre Trump e Xi Jinping, que pode aliviar tensões comerciais. O Tesouro divulgou queda de 0,28% no estoque da dívida pública e redução do colchão de liquidez, sem impacto relevante no mercado.

Quinta-feira (30/10/2025)

Os juros futuros ampliaram a alta na segunda etapa do pregão, pressionados pela abertura da curva americana após o discurso conservador do Fed, que reduziu as apostas de novo corte em dezembro. O movimento ganhou força com a divulgação do Caged, que mostrou criação de 213 mil vagas formais em setembro, bem acima da expectativa de 169 mil, impulsionando os vértices curtos. Intermediários e longos também subiram, acompanhando os Treasuries e refletindo o leilão do Tesouro com oferta robusta de LTNs e NTN-F, que adicionou risco à curva. Apesar do dado positivo do mercado de trabalho, a precificação para cortes na Selic pouco mudou, mantendo cerca de 62% de chance de redução em janeiro. No campo fiscal, o PLN 1/2025 foi aprovado, permitindo ampliação da isenção do IR e ajustes na LDO, mas sem impacto imediato nos preços. A sessão reforçou a percepção de cautela, com o mercado ajustando posições após a sinalização hawkish do Fed.


Sexta-feira (31/10/2025)

Após três dias de pressão, os juros futuros recuaram e tocaram mínimas intradia, sustentados pela queda do dólar e pela Pnad Contínua, que indicou taxa de desemprego de 5,6%, levemente acima da expectativa, reforçando a possibilidade de corte da Selic em janeiro. A melhora do câmbio e a moderação dos Treasuries também contribuíram para o alívio na curva, enquanto agentes ajustaram posições antes da reunião do Copom na próxima semana. Apesar da queda no dia, a semana terminou com abertura acumulada nos principais vértices, refletindo o tom mais duro do Fed e incertezas sobre o ritmo de flexibilização nos EUA. No cenário doméstico, o déficit primário de R$ 17,4 bilhões teve pouca influência, e o fiscal segue em segundo plano. Outubro, por sua vez, foi positivo para os DIs, com recuo consistente frente ao início do mês, sustentado por surpresas inflacionárias benignas e melhora das expectativas para o IPCA.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa