Highlights (Resumo): Forte Alta nas Taxas de Juros
Durante a semana, o mercado de renda fixa apresentou forte volatilidade, alternando entre movimentos de queda e alta nas taxas de juros futuros. O início foi marcado por pressão externa, com sinalização do Banco do Japão para possível aperto monetário e declarações conservadoras do Banco Central brasileiro, levando a alta moderada das taxas. Nos dias seguintes, dados fracos da produção industrial e, principalmente, o PIB do terceiro trimestre abaixo das expectativas reforçaram a percepção de desaceleração econômica e aumentaram as apostas de corte da Selic em janeiro, promovendo recuo consistente na curva. Contudo, na sexta-feira, o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência gerou estresse político e forte abertura das taxas, anulando parte do alívio anterior. Ao longo da semana, os DIs oscilaram entre 13,55% e 13,79% para jan/27, refletindo um cenário misto de expectativas monetárias e risco político.
Destaques: PIB, Copom, Risco Político
📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)
O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.
Para o horizonte até a 6R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -284,9 para -218,1 pontos-base.
Para as próximas 10 reuniões do Copom,a expectativa de corte reduziu de -277 para -220,1 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 12,70%, ante 12,13% na semana anterior.
Para o fim de 2025 (próximas 2 reuniões), houve uma alteração marginal na expectativa de corte: de -0,6 para -0,2 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,90% ao ano, ante 14,89% na semana anterior.
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias):
Para 2025, a projeção indica manutenção , com o CDI encerrando o ano em 14,90%.
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 12,03%, equivalente a -287,5 pontos-base de corte. .
Para o horizonte até a 6R/2027, a projeção acumulada considera -450 pontos-base de queda.
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 4,43% para 4,40%. Há um mês, a mediana era de 5,09% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,17% para 4,16%, enquanto há um mês estava em 4,44%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 15,00%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 subiu de 12,00% para 12,25, há um mês atrás era 12,50%.
Os juros futuros encerraram o dia em alta moderada, influenciados principalmente pelo cenário externo. A sinalização do Banco do Japão sobre possível aumento de juros em dezembro elevou a aversão ao risco global, pressionando as curvas internacionais e refletindo no Brasil. Internamente, declarações conservadoras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçaram a postura cautelosa da autoridade monetária, destacando sinais mistos na economia e a necessidade de manter prudência. A taxa do DI para jan/27 subiu para 13,62%, enquanto o dólar avançou 0,46%, cotado a R$ 5,53593, em um dia marcado por tensão política entre Executivo e Legislativo e expectativa neutra após divulgação do boletim Focus.
Após a alta anterior, os juros futuros recuaram levemente, sustentados por dados fracos da produção industrial (+0,1% ante setembro, abaixo da expectativa) e pela queda do dólar (-0,54%). A aprovação na CAE do Senado de projeto que amplia a tributação sobre bets, fintechs e JCP trouxe algum alívio fiscal, embora sem impacto estrutural. O DI para jan/27 caiu para 13,57%, e os vencimentos longos também recuaram. O mercado assimilou que ajustes fiscais amplos não ocorrerão no curto prazo, mas reagiu positivamente ao reforço da arrecadação. A expectativa para o PIB do 4º trimestre segue modesta (+0,2%), e o Tesouro realizou leilão reduzido de NTN-B, contribuindo para o fechamento da curva.
Em um pregão sem gatilhos relevantes, os juros oscilaram próximos aos ajustes anteriores, revertendo a queda inicial e fechando com leve alta técnica. Pela manhã, o viés baixista foi impulsionado pelo recuo dos Treasuries e do dólar, após o relatório ADP indicar corte de 32 mil vagas nos EUA, reforçando apostas de flexibilização monetária pelo Fed na próxima semana. Contudo, o movimento não se sustentou, e o DI para jan/27 encerrou em 13,605%. A expectativa é de manutenção da Selic em 15% na reunião do Copom, com atenção ao comunicado para sinais sobre início do ciclo de cortes em 2026. O mercado também aguarda o PIB do 3º trimestre (+0,2% projetado) e o leilão do Tesouro desta quinta.
Os juros futuros recuaram de forma consistente ao longo da curva, impulsionados pelo PIB do terceiro trimestre, que cresceu apenas 0,1% ante o trimestre anterior, abaixo das expectativas. Mais relevante que o dado agregado foi a composição, indicando desaceleração do consumo das famílias (+0,1%) e dos serviços (+0,1%), sinalizando que a política monetária restritiva está surtindo efeito. Esse cenário elevou para 77% a probabilidade de corte da Selic em janeiro, segundo estimativas de mercado. O DI para jan/27 caiu para 13,55%, e os vencimentos longos também cederam. O Tesouro realizou leilão com volumes menores que o esperado, coincidindo com o movimento de queda das taxas. Economistas destacaram que a perda de ímpeto da demanda reforça a perspectiva de início do ciclo de flexibilização monetária no primeiro trimestre de 2026.
O mercado de juros sofreu forte estresse após a confirmação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, elevando o prêmio de risco político. A curva chegou a abrir até 65 pontos-base nos contratos mais longos, refletindo receios de continuidade de um governo fiscalmente expansionista em caso de reeleição de Lula. O DI para jan/27 saltou para 13,79%, enquanto os vencimentos longos dispararam para patamares acima de 13,4%. Pela manhã, indicadores como PCE e sentimento do consumidor nos EUA vieram ligeiramente acima das previsões, mas mantiveram apostas de corte de 0,25 ponto pelo Fed na próxima semana. No Brasil, o IGP-DI abaixo do esperado e o PIB fraco dariam suporte à queda dos juros, não fosse o impacto político. A semana terminou com abertura de 20 a 45 pontos-base na curva, consolidando um cenário de volatilidade elevada.
Fonte: Broadcast
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