Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 386

Highlights (Resumo): Queda nas Taxas de Juros

A semana foi marcada por forte volatilidade inicial, impulsionada pelo anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que elevou os prêmios de risco político e trouxe incertezas fiscais, mas terminou com ajuste baixista na curva. O tom conservador do Copom, mantendo a Selic em 15% sem sinalizar cortes, reforçou expectativas de início do ciclo apenas em março, enquanto o Fed reduziu sua taxa em 0,25 p.p., indicando pausa no afrouxamento. Dados domésticos de varejo e serviços vieram positivos, mas com impacto limitado, e o IPCA de novembro mostrou sinais mistos, mantendo cautela. No exterior, divergências no FOMC e revisões para cima do PIB americano reforçaram percepção de fim do ciclo de flexibilização nos EUA. Ao longo da semana, os DIs longos recuaram entre 13 e 18 pontos-base frente à sexta anterior, mas ainda refletem prêmio adicional por incertezas políticas.

 

Destaques: Fed, Copom, Risco Político

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 6R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -218,1 para -228,1 pontos-base.

Para as próximas 10 reuniões do Copom,a expectativa de corte aumentou de -220,1 para -242,8 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 12,32%, ante 12,70% na semana anterior.

Para o fim de 2025 (próximas 2 reuniões), houve uma alteração marginal na expectativa de corte: de -0,2 para 14,9 pontos-base, com o CDI terminal projetado em 14,90% ao ano, ante 14,90% na semana anterior.

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2025, a projeção indica manutenção , com o CDI encerrando o ano em 14,90%.

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 12,15%, equivalente a -275 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 6R/2027, a projeção acumulada considera -425 pontos-base de queda.

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 4,40% para 4,36%. Há um mês, a mediana era de 5,09% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,16% para 4,10%, enquanto há um mês estava em 4,44%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 caiu de 15,00% para 0,00, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 caiu de 12,25% para 12,13, há um mês atrás era 12,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana


Resumo Semanal dos Juros Futuros – 08/12/25 à 12/12/2025

 

Segunda-feira (08/12/2025)

Os juros futuros encerraram em queda moderada, após um pregão marcado por correção da forte alta da sexta-feira anterior, quando a oficialização da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência de 2026 trouxe volatilidade e elevou os vértices longos em até 60 pontos-base. A sessão foi influenciada por sinais de possível desistência do senador, caso haja anistia aos condenados por atos golpistas, o que reacendeu expectativas sobre Tarcísio de Freitas como nome competitivo da direita, visto pelo mercado como mais comprometido com ajuste fiscal. No exterior, o recuo da curva dos Treasuries após leilão bem-sucedido de títulos de 3 anos contribuiu para aliviar os prêmios locais. No fechamento, os DIs caíram cerca de 10 pontos-base nos contratos a partir de 2028, com janeiro/2027 em 13,785% e janeiro/2031 em 13,41%. Investidores aguardam decisões do Fed e do Copom na quarta-feira, com expectativa de corte de 0,25 p.p. nos EUA e manutenção da Selic em 15% no Brasil.


Terça-feira (09/12/2025)

O mercado de juros teve um dia volátil, com abertura da curva pela manhã diante da reafirmação de Flávio Bolsonaro sobre sua candidatura, mas recuperou parte das perdas à tarde após o presidente da Câmara anunciar votação do projeto da Dosimetria, que reduz penas para condenados pelos atos golpistas. A medida é vista como fator que fragiliza a pré-candidatura do senador e pode favorecer negociações políticas. Apesar da melhora, o cenário segue instável, com o “trade” político ofuscando fundamentos econômicos favoráveis à queda dos juros. No fechamento, os DIs oscilaram levemente: janeiro/2027 em 13,76%, janeiro/2029 em 13,19% e janeiro/2031 em 13,465%, após máximas intradiárias bem acima desses níveis. No exterior, os Treasuries operaram sem direção única, à espera da decisão do Fed. Por aqui, a expectativa majoritária é de manutenção da Selic em 15%, sem sinalizações claras sobre início do ciclo de cortes.


Quarta-feira (10/12/2025)

Mesmo com a confirmação do corte de 0,25 p.p. pelo Fed e fechamento da curva dos Treasuries, os juros futuros brasileiros mantiveram viés de alta, refletindo cautela diante do cenário político incerto e expectativa de postura conservadora do Copom. O BC deve manter a Selic em 15%, enquanto o IPCA de novembro, em linha com projeções (0,18%), trouxe sinais mistos: inflação de serviços segue resiliente e difusão aumentou, apesar da melhora recente apoiada no câmbio. No fechamento, os DIs subiram: janeiro/2027 em 13,715%, janeiro/2029 em 13,19% e janeiro/2031 em 13,475%. Nos EUA, divergências internas no FOMC indicaram proximidade do fim do ciclo de flexibilização, com Powell reforçando que a política monetária está em pausa e não segue trajetória pré-definida. Projeções de crescimento do PIB foram revisadas para cima, sugerindo cortes adicionais apenas marginais em 2026. No Brasil, o Copom deve manter tom duro, sem abrir espaço para cortes imediatos, diante da volatilidade política e pressão cambial.

Quinta-feira (11/12/2025)

Após a decisão do Copom de manter a Selic em 15% sem sinalizar o início do ciclo de cortes, o tom conservador da autoridade monetária dominou as discussões, deixando em segundo plano a volatilidade política que marcou os pregões anteriores. Pela manhã, os vértices curtos chegaram a ensaiar alta diante de dados mais fortes de atividade e percepção de que o BC não tem pressa para reduzir juros, mas a curva passou a operar em baixa à tarde, acompanhando recuo do dólar e dos Treasuries. No fechamento, os DIs cederam: janeiro/2027 em 13,735%, janeiro/2029 em 13,140% e janeiro/2031 em 13,415%. O mercado segue dividido entre corte em janeiro ou março, com probabilidade para janeiro caindo para cerca de 56%, segundo estimativas. A taxa terminal para 2026 subiu para 12,75%, refletindo incertezas fiscais e eleitorais. Dados da PMC mostraram alta de 0,5% no varejo restrito e 1,1% no ampliado, mas tiveram impacto limitado. O Tesouro reduziu em 80% a oferta de prefixados no leilão, sinalizando cautela diante da pressão recente na curva.


Sexta-feira (12/12/2025)

Em um pregão mais tranquilo, os juros futuros aceleraram a queda após a notícia de que os EUA retiraram Alexandre de Moraes da lista de sanções Global Magnitsky, aliviando temores institucionais e reforçando o otimismo sobre ativos brasileiros. Desde a abertura, os vencimentos intermediários e longos já mostravam recuo, sustentados pela expectativa de cortes na Selic e pela percepção de que Tarcísio de Freitas segue como possível candidato competitivo em 2026, o que agrada ao mercado por sinalizar ajuste fiscal. No fechamento, os DIs caíram para mínimas da semana: janeiro/2027 em 13,635%, janeiro/2029 em 13,015% e janeiro/2031 em 13,315%. Fluxo estrangeiro também contribuiu para a queda. Declarações de dirigentes do Fed reforçaram cautela, mas não descartaram novos cortes em 2026. Dados da PMS mostraram alta de 0,3% nos serviços, em linha com expectativas, sem impacto relevante. No acumulado semanal, a curva perdeu inclinação, mas ainda reflete volatilidade política: frente à sexta anterior, os DIs recuaram entre 13 e 18 pontos-base, embora permaneçam acima dos níveis pré-anúncio da candidatura de Flávio Bolsonaro.

 

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa