Highlights (Resumo): Altas nas Taxas de Juros
Ao longo de uma semana marcada por forte volatilidade, o mercado de renda fixa foi guiado principalmente pela combinação entre incerteza política doméstica e comunicações conservadoras do Banco Central, o que resultou em abertura expressiva dos vértices intermediários e longos da curva, especialmente entre terça e quarta-feira, quando ganhou tração a percepção de que Flávio Bolsonaro pode se consolidar como candidato competitivo da direita em 2026, reduzindo a probabilidade de candidatura de Tarcísio de Freitas — preferido do mercado pela expectativa de maior responsabilidade fiscal. Somaram-se a esse ambiente o IBC-Br mais fraco, o tom hawkish do RPM e a falta de sinalizações claras sobre o início do ciclo de cortes da Selic, embora comentários mais “dovish” de Gabriel Galípolo, na quinta-feira, tenham moderado parcialmente a pressão sobre as taxas. No exterior, dados mistos do mercado de trabalho americano e um CPI abaixo do esperado deram suporte aos Treasuries, ajudando a conter altas locais, enquanto o aumento de juros pelo Banco do Japão elevou o risco global na sexta-feira. Ao fim da semana, apesar da correção técnica do último pregão, os DIs acumularam forte abertura, consolidando um período dominado por prêmio de risco elevado e forte sensibilidade ao noticiário político.
Destaques: Treasuries, Copom, Risco Político
📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)
O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.
Para o horizonte até a 7R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -231,4 para -201,2 pontos-base.
Para as próximas 8 reuniões do Copom,a expectativa de corte reduziu de -257,7 para -231,4 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 12,59%, ante 12,32% na semana anterior.
📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias):
Para 2025, a projeção indica manutenção , com o CDI encerrando o ano em 14,90%.
Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 12,15%, equivalente a -275 pontos-base de corte. .
Para o horizonte até a 7R/2027, a projeção acumulada considera -450 pontos-base de queda.
No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2025 caiu de 4,36% para 4,33%. Há um mês, a mediana era de 5,09% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2026, a projeção caiu de 4,10% para 4,06%, enquanto há um mês estava em 4,44%.
A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2025 se manteve em 0,00%, há um mês atrás era 15,00%. Para o final de 2026 subiu de 12,13% para 12,25, há um mês atrás era 12,50%.
O mercado de juros apresentou oscilações moderadas, com a parte curta da curva inicialmente em queda devido a dados de atividade levemente mais fracos e expectativas inflacionárias melhores, mas revertendo o movimento após a virada do dólar e declarações de dirigentes do Federal Reserve que aumentaram incertezas sobre o ritmo de cortes de juros nos EUA. Enquanto isso, os vértices intermediários e longos seguiram devolvendo o estresse político recente, provocado pela pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, embora o campo político não tenha oferecido alívio significativo diante da fragilidade do PL da Dosimetria no Senado. O IBC-Br frustrou expectativas ao cair 0,25% em outubro, reduzindo projeções para o PIB do quarto trimestre, e o boletim Focus trouxe continuidade da tendência de revisão baixista para inflação de 2025 e 2026; ao final do dia, a curva perdeu inclinação, com taxas variando pouco, enquanto os agentes aguardavam a ata do Copom.
Os juros futuros subiram, ignorando o alívio externo proporcionado pela queda dos Treasuries, e a curva ganhou inclinação diante da piora do cenário político e de uma antecipação da pesquisa Genial/Quaest indicando vantagem de Lula para 2026 e fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro frente a Tarcísio de Freitas, o que reforçou a percepção de menor chance de ajuste fiscal em um eventual governo de oposição. A ata do Copom manteve tom conservador e sem sinalizações sobre o início do ciclo de cortes, reduzindo levemente as apostas de redução da Selic já em janeiro; mesmo assim, a parte longa da curva reagiu principalmente ao risco político. A Selic terminal de 2026 permaneceu praticamente estável, enquanto o mercado também digeriu dados mistos do emprego americano, que apontaram resiliência com sinais de enfraquecimento gradual. No ambiente doméstico, o leilão do Tesouro não influenciou a curva, e o fechamento refletiu majoritariamente aversão a risco ligada à incerteza eleitoral.
Os juros futuros tiveram um pregão volátil, com forte abertura nas taxas pela manhã em reação ao Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central, que reforçou o tom conservador da autoridade monetária e reduziu as expectativas de corte da Selic em janeiro, mas o movimento perdeu força à tarde após declarações consideradas mais dovish do presidente do BC, Gabriel Galípolo, que afirmou não haver “portas fechadas” para a decisão de janeiro, suavizando parcialmente a leitura hawkish do RPM. No campo político, entrevista do senador Ciro Nogueira ao Valor indicando que Tarcísio de Freitas ainda poderia disputar a eleição de 2026 ajudou a reduzir o prêmio de risco da parte longa da curva, enquanto o ambiente externo contribuiu para o alívio após o CPI de novembro nos EUA vir abaixo do esperado, reforçando apostas de continuidade dos cortes pelo Federal Reserve em 2026. Mesmo com a moderação dos vértices no início da tarde, as taxas encerraram próximas dos ajustes, refletindo um balanço entre o discurso mais suave do BC, a piora política doméstica e a influência positiva da queda dos Treasuries; ao final do dia, o DI jan/27 subiu a 13,860%, e os contratos longos avançaram levemente, sustentados pelo prêmio ainda elevado após dias de forte estresse.
Em uma sessão de baixa liquidez e agenda esvaziada, os juros futuros passaram por um movimento de acomodação técnica, com perda de inclinação da curva após uma semana marcada por forte abertura das taxas, impulsionada pela incerteza política e pela percepção de que Flávio Bolsonaro se consolidava como principal candidato da direita em 2026, reduzindo a probabilidade de uma candidatura de Tarcísio de Freitas — considerado pelo mercado mais comprometido com ajuste fiscal. Rumores de melhora do desempenho de Flávio em trackings eleitorais circularam nas mesas, mas sem consenso, enquanto o ambiente externo, pressionado pela alta nos Treasuries após o Banco do Japão elevar juros para 0,75%, teve impacto limitado na curva brasileira, que se concentrou na correção dos excessos acumulados. As taxas futuras recuaram de forma moderada, com o DI jan/27 fechando em 13,775%, mas ainda longe de recuperar o estresse semanal, que somou aberturas de até 23 pontos-base nos vértices longos; apesar disso, falas de Galípolo indicando que janeiro não está descartado para início do ciclo de cortes ajudaram a equilibrar a precificação, que segue dividida entre manutenção e queda de 0,25 ponto na primeira reunião de 2026.
Fonte: Broadcast
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