Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 402

Highlights (Resumo): Alta nas Taxas de Juros Longas

Ao longo da semana, o mercado de renda fixa foi amplamente dominado pelo cenário geopolítico internacional, com os juros futuros oscilando em função das expectativas sobre a duração e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seu impacto sobre o petróleo e o crescimento global. Após um início de semana com queda das taxas, sustentada pela leitura de que o choque de energia poderia levar a uma postura monetária menos restritiva adiante, os DIs aprofundaram o movimento de fechamento na terça-feira com sinais mais claros de desescalada do conflito, acompanhando a forte compressão dos Treasuries e a queda do Brent. Na quarta-feira, o mercado entrou em compasso de espera, com acomodação das taxas diante da ausência de novos gatilhos e da percepção de que, mesmo com eventual arrefecimento das tensões, o Copom seguirá limitado por dados domésticos ainda desfavoráveis. Já na quinta-feira, a combinação de nova disparada do petróleo, discurso mais agressivo do presidente dos EUA e cautela antes do feriado trouxe volatilidade e um viés defensivo, embora o Tesouro tenha contribuído para conter pressões adicionais com oferta reduzida de títulos. No balanço semanal, apesar da devolução parcial dos prêmios de risco, prevaleceu um ambiente de elevada incerteza, com reprecificação relevante do ciclo de cortes da Selic e forte sensibilidade da curva doméstica ao noticiário externo.

Destaques: Geopolítica, Petróleo, Política Monetária

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) aumentou suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -74,3 para -118,9 pontos-base.

Para as próximas 7 reuniões do Copom,a expectativa de corte aumentou de -39,8 para -95,2 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 13,70%, ante 14,25% na semana anterior. 

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 10,65%, equivalente a -250 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -425 pontos-base de queda e CDI terminal de 10,65% ao ano.

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 subiu de 4,31% para 4,36%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 3,84% para 3,85%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 12,50%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 10,50%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 27/03/2026 à 02/04/2026

 

Segunda-feira (30/03/2026)

O mercado de juros iniciou a semana com queda das taxas futuras na B3, ainda que em ritmo mais moderado ao longo do pregão, refletindo principalmente a aversão ao risco no cenário internacional diante da escalada do conflito no Oriente Médio e da manutenção do petróleo acima de US$ 100 o barril. Apesar do viés inflacionário de curto prazo associado ao choque de energia, prevaleceu a leitura de que o impacto negativo sobre o crescimento global pode levar a uma política monetária menos restritiva adiante, o que resultou em forte fechamento da curva de Treasuries e trouxe alívio também aos DIs domésticos. No Brasil, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçando a continuidade do processo de calibragem da Selic, mesmo diante de “novos fatos” no ambiente global, contribuíram para a queda sobretudo nos vértices curtos. Nos Estados Unidos, Jerome Powell indicou cautela, destacando o caráter de choque de oferta do aumento do petróleo e a tendência do Fed de “olhar através” desses movimentos, enquanto o mercado passou a antecipar o próximo corte de juros para setembro de 2027.

Terça-feira (31/03/2026)

Na terça-feira, os juros futuros recuaram de forma expressiva, especialmente nos vencimentos intermediários, impulsionados pelo fortalecimento das expectativas de desescalada do conflito no Oriente Médio. Declarações do presidente do Irã sinalizando disposição para encerrar o confronto, combinadas a informações de que os Estados Unidos aceitariam concluir a campanha militar mesmo sem a normalização imediata do Estreito de Ormuz, favoreceram o apetite por risco e pressionaram o petróleo em queda, aliviando as curvas globais de juros. Nesse ambiente, os DIs renovaram mínimas intradiárias, enquanto indicadores domésticos, como o Caged e dados fiscais, tiveram impacto marginal diante da predominância do fator geopolítico. Apesar da forte descompressão no dia, o mercado encerrou março com alta acumulada relevante nas taxas futuras, refletindo a redução das apostas em um ciclo robusto de cortes da Selic, o aumento da aversão ao risco ao longo do mês e ajustes técnicos após movimentos de stop loss e intervenções do Tesouro.

Quarta-feira (01/04/2026)

Os juros futuros seguiram em queda moderada na quarta-feira, em um movimento de acomodação após o forte rali do dia anterior, ainda ancorado na expectativa de que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã possa caminhar para um desfecho em um horizonte relativamente curto. Sinalizações do presidente Donald Trump sobre a possibilidade de um acordo em poucas semanas chegaram a levar o petróleo a negociar abaixo de US$ 100 durante a sessão, embora a commodity tenha fechado novamente acima desse patamar. A ausência de novos gatilhos relevantes manteve as taxas em movimento contido, com o mercado acompanhando de perto as discussões diplomáticas em torno do Estreito de Ormuz e os alertas de bancos internacionais sobre a persistência da incerteza quanto à duração da interrupção no fluxo de petróleo. No âmbito doméstico, a leitura predominante foi de que, mesmo com eventual arrefecimento do choque externo, o Copom enfrentará um conjunto de dados ainda desfavorável na reunião de abril, o que limita o espaço para uma reprecificação mais agressiva do ciclo de cortes da Selic.

Quinta-feira (02/04/2026)

A quinta-feira foi marcada por elevada volatilidade nos juros futuros, em meio à nova disparada do petróleo e ao recrudescimento das tensões geopolíticas, com as taxas alternando entre altas e quedas ao longo do pregão. Notícias sobre um possível plano conjunto entre Irã e Omã para reabrir o Estreito de Ormuz chegaram a trazer alívio momentâneo, mas o tom mais agressivo de Donald Trump, com ameaças de intensificação da ofensiva militar, reforçou a cautela dos investidores, especialmente às vésperas do feriado prolongado. O Brent encerrou o dia em forte alta, acima de US$ 109, pressionando a percepção de risco e mantendo o mercado defensivo, apesar de alguma devolução dos prêmios acumulados desde o início do conflito. No plano local, a atuação do Tesouro, com oferta reduzida de títulos prefixados, ajudou a conter pressões adicionais sobre a curva, mas prevaleceu a avaliação de que abril tende a ser um mês ainda desafiador para os ativos, enquanto persistirem as incertezas sobre a duração e os desdobramentos da guerra.

 

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa