Análise do Mercado de Renda Fixa e Tesouro Direto: Semana 405

Highlights (Resumo): Alta nas Taxas de Juros.

Ao longo da semana, o mercado de renda fixa foi marcado por uma abertura relevante da curva de juros, impulsionada principalmente pelo agravamento do risco geopolítico no Oriente Médio e seus efeitos diretos sobre os preços do petróleo e as expectativas inflacionárias. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, incluindo o bloqueio do Estreito de Ormuz e episódios militares, levou o Brent a operar acima de US$ 100 em vários momentos, pressionando os prêmios de risco e elevando as taxas dos DIs, sobretudo nos vencimentos intermediários e longos. Do lado doméstico, a deterioração das expectativas de inflação captada pelo boletim Focus, revisões para cima da Selic ao fim de 2026 e leilões robustos do Tesouro Nacional — tanto de NTN-Bs quanto de prefixados — reforçaram a inclinação da curva e a percepção de juros estruturalmente mais altos. Apesar de algum alívio pontual na sexta-feira, com expectativas de retomada das negociações diplomáticas e queda dos Treasuries, o movimento foi insuficiente para reverter as altas acumuladas na semana. Com isso, consolidou-se o entendimento de que o Banco Central deve manter uma postura cautelosa, com o mercado praticamente fechado em torno de um corte mínimo de 25 pontos-base na próxima decisão do Copom.

Destaques: Geopolítica, Petróleo, Política Monetária

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Expectativas de mercado para o Copom no DI Futuro da B3

Variação Semanal das Taxas de Juros Futuros DI B3

📉 Expectativas de Mercado para a Selic (DI Futuro da B3)

O mercado de juros futuros (DI da B3) reduziu suas expectativas de cortes na taxa Selic em relação à sexta-feira anterior.

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada de queda passou de -191 para -154,7 pontos-base.

Para as próximas 7 reuniões do Copom,a expectativa de corte reduziu de -133,9 para -86,7 pontos-base, com o CDI projetado para o fim de 2026 em 13,78%, ante 13,31% na semana anterior. 

📊 Expectativas dos economistas(Boletim Focus-Mediana dos últimos 5 dias)

Para 2026, a mediana Focus aponta um CDI terminal de 10,90%, equivalente a -175 pontos-base de corte. .

Para o horizonte até a 8R/2027, a projeção acumulada considera -375 pontos-base de queda e CDI terminal de 10,90% ao ano.

Expectativas de Mercado do Relatório Focus Bacen

No Relatório de Mercado Focus da semana, a projeção para a inflação oficial de 2026 subiu de 4,80% para 4,86%. Há um mês, a mediana era de 4,44% , acima do intervalo de tolerância superior, que vai até 4,50%, e do alvo central de 3,0%. Para 2027, a projeção subiu de 3,99% para 4,00%, enquanto há um mês estava em 4,00%.

A mediana da Taxa Selic – Meta (% a.a.) projetada para o fim de 2026 se manteve em 13,00%, há um mês atrás era 12,50%. Para o final de 2027 se manteve em 11,00%, há um mês atrás era 10,50%.

Resumos diários do Mercado de Juros e Renda Fixa na semana

Resumo Semanal dos Juros Futuros – 20/04/2026 à 24/04/2026

 

Segunda-feira (20/04/2026)

Na segunda-feira, os juros futuros de curto e médio prazo encerraram o pregão em alta moderada, refletindo principalmente o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã e a disparada dos preços do petróleo, em um ambiente de liquidez reduzida às vésperas do feriado de Tiradentes. O bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz elevou a aversão ao risco e impulsionou o Brent em quase 6%, pressionando as curvas de juros globais e, por consequência, a renda fixa local. Apesar do alívio parcial do dólar ao longo da tarde, o cenário externo prevaleceu como vetor dominante, enquanto o boletim Focus trouxe nova deterioração das expectativas de inflação e revisão para cima da Selic ao final de 2026. Economistas destacaram que, embora o câmbio tenha ajudado a limitar a abertura nos vértices mais longos, o petróleo mais caro e a inflação mais pressionada reforçam a necessidade de cautela do Banco Central, levando o mercado a reprecificar o ritmo e o espaço para cortes de juros ao longo do ano.


Quarta-feira (22/04/2026)

Na quarta-feira, os juros futuros avançaram de forma expressiva ao longo de toda a curva, mesmo após se afastarem das máximas intradiárias, em meio à intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio e à forte elevação do petróleo, com o Brent superando novamente os US$ 100 o barril. A volta do feriado foi marcada também por um leilão robusto de NTN-Bs, o maior em termos de risco (DV01) desde agosto de 2025, o que contribuiu para a inclinação da curva, especialmente nos vencimentos intermediários e longos. O cancelamento de uma rodada de negociações entre EUA e Irã, os incidentes militares no Estreito de Ormuz e declarações duras de autoridades de ambos os países reforçaram o prêmio de risco inflacionário. Nesse ambiente, analistas passaram a descartar praticamente qualquer chance de um corte mais agressivo da Selic, com o mercado precificando quase integralmente uma redução de apenas 25 pontos-base na reunião do Copom, além de juros mais elevados ao final de 2026.


Quinta-feira (23/04/2026)

Na quinta-feira, a curva de juros futuros sofreu uma nova e intensa abertura, impulsionada por uma piora adicional na percepção de risco geopolítico após a saída do presidente do Parlamento iraniano da equipe de negociações de paz, fato que reacendeu temores de recrudescimento do conflito. O petróleo voltou a acelerar, com o Brent atingindo patamares acima de US$ 105, reforçando as preocupações inflacionárias às vésperas da decisão do Copom. Além do choque externo, o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, concentrado nos vértices intermediários, adicionou pressão relevante sobre a curva, especialmente no DI janeiro de 2029. Embora o governo tenha anunciado medidas para mitigar o impacto da alta do petróleo nos preços internos, o mercado avaliou que os efeitos seriam limitados no curto prazo. Ainda assim, o consenso entre economistas permaneceu ancorado em um corte de 25 pontos-base na Selic, com a avaliação de que apenas um cenário externo muito mais adverso poderia alterar essa trajetória.


Sexta-feira (24/04/2026)

Na sexta-feira, os juros futuros ensaiaram um movimento de alívio ao longo do dia, acompanhando o fechamento dos Treasuries e a leve queda dos preços do petróleo, sustentados pelas expectativas de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã no final de semana. Apesar disso, a cautela dos investidores diante do risco de fracasso das tratativas e de nova escalada do conflito impediu uma devolução integral dos prêmios acumulados ao longo da semana. A curva encerrou o pregão com quedas moderadas nos principais vencimentos, mas ainda registrando alta expressiva na comparação com a sexta-feira anterior. O dia foi descrito como morno e de baixa liquidez, com o cenário externo ditando o ritmo dos ativos locais. Para a semana seguinte, o foco se deslocou para o ambiente doméstico, especialmente para a decisão do Copom, com a ampla maioria do mercado projetando um corte mínimo de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic.

Fonte: Broadcast

Principais indicadores para acompanhamento da Renda Fixa e Tesouro Direto

Classificação dos Rendimentos Mensais, Ano e 12 Meses da Renda Fixa

Ranking Mensal Colorido de Rentabilidades Tesouro Direto, Poupança, Ibovespa, Dólar, IDA Anbima e CDI

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Jefferson Figueiredo – CGA

Gestor de Investimentos e Especialista em Investimentos de Renda Fixa